Saúde e Bem estar

Dois novos casos de remissão do HIV são anunciados

Pacientes de Kansas City e Ascent estão há 14 e 12 meses sem antirretrovirais e sem carga viral detectável. Casos foram apresentados na Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.

Da Redação - Rara Gente
28/07/26 às 13h59

A ciência deu mais um passo importante na longa busca pela cura do HIV. Médicos anunciaram nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão sustentada do vírus após a interrupção do tratamento antirretroviral.

Com os dois anúncios, sobe de 11 para 13 o número de casos de cura ou remissão do HIV contabilizados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS). Os pacientes permanecem sem carga viral detectável há 14 e 12 meses, respectivamente.

(Foto: Burak Karademir/Getty Images)

Paciente de Kansas City: 14 meses sem o vírus

O primeiro caso, conhecido como Paciente de Kansas City, é um homem de 21 anos que recebeu o diagnóstico de HIV e de uma forma agressiva de leucemia em 2018. Antes de começar o tratamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue e uma quantidade muito baixa de células de defesa.

Em outubro de 2020, ele recebeu células-tronco de uma doadora sem parentesco, mas totalmente compatível. A doadora tinha duas cópias de uma mutação rara chamada CCR5-delta32, que impede que as formas mais comuns do HIV usem uma das principais portas de entrada das células.

Após o transplante, o paciente teve complicações e precisou receber um reforço de células-tronco. Os antirretrovirais foram suspensos em fevereiro de 2025 e, 14 meses depois, os exames continuavam sem encontrar o vírus no sangue nem células com HIV capazes de reiniciar a infecção.

Segundo paciente: HIV e hepatite B

O segundo paciente, que também tinha histórico de hepatite B, completou 12 meses sem tratamento contra o HIV e sem carga viral detectável.

Seu caso era considerado mais complexo: ele carregava diferentes formas do HIV, capazes de usar mais de uma porta para entrar nas células. O doador também tinha duas cópias da mutação CCR5-delta32.

Os medicamentos foram suspensos pouco mais de quatro anos após o transplante. Depois de 12 meses, pesquisadores não encontraram vírus capaz de se multiplicar nem material genético completo do HIV em amostras do intestino – um dos principais reservatórios do vírus no organismo.

A interrupção dos remédios, porém, fez a hepatite B voltar a se multiplicar em apenas 25 dias, já que parte dos antirretrovirais também controlava esse vírus.

(Foto: Divulgação)

O que significa "cura" ou "remissão"?

Os dois novos casos ainda são tratados como possíveis curas porque o tempo sem medicamentos é relativamente curto. Os pesquisadores precisam acompanhar os pacientes por mais tempo para verificar se o HIV realmente não voltará.

O termo cientificamente mais adequado, segundo especialistas, é remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais.

"Isso quer dizer que você tira o tratamento e o vírus não volta. Em algumas pessoas, a gente tem evidências muito fortes de que realmente o vírus não existe mais", explicou o infectologista Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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