O influenciador e especialista em aviação Joselito Geraldo de Sousa, o
Lito Sousa,
de 59 anos, conhecido pelo canal Aviões e Músicas no YouTube, trouxe à tona um tema que ainda é pouco conhecido pelo grande público: a
Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Diagnosticado com essa condição cerebral rara, grave e sem cura, Lito agora enfrenta uma batalha contra uma das enfermidades mais complexas e fatais da medicina.
Mas, afinal, o que é essa doença? Como ela se manifesta? E por que é tão difícil de diagnosticar e tratar? A
Rara Gente
reuniu as principais informações sobre a DCJ para esclarecer dúvidas e ajudar a entender essa condição que, embora rara, merece atenção.
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob?
A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa,
progressiva e fatal.
Ela faz parte de um grupo de enfermidades chamadas de Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET), que afetam humanos e alguns animais, causando alterações no cérebro que lhe conferem uma aparência esponjosa.
A causa está ligada a uma partícula proteica infectante chamada de "PRÍON" (do inglês Proteinaceous Infectious Particles). Os príons são agentes infecciosos menores que os vírus, formados apenas por proteínas altamente estáveis e resistentes a diversos processos físico-químicos.
Basicamente, uma proteína normal do cérebro se dobra de forma anormal e passa a se autopropagar, depositando-se no tecido cerebral e causando sua degeneração.
Quais são as formas da doença?
A DCJ pode se manifestar de três maneiras distintas:
Forma Esporádica (85–90% dos casos)
É a mais comum. Não apresenta causa conhecida, não está ligada a fatores genéticos, hábitos alimentares ou viagens. Geralmente acomete pessoas com média de idade de 65 anos.
Forma Hereditária (5 a 15% dos casos)
Ocorre por mutações no gene PRNP, que codifica a produção da proteína priônica. Pessoas com histórico familiar da doença podem ter maior predisposição, mas nem todas as que carregam a mutação vão desenvolvê-la.
Forma Iatrogênica (menos de 1% dos casos)
Adquirida por meio de procedimentos médicos, como o uso de instrumentos cirúrgicos contaminados, transplantes de córnea ou meninge, ou administração de hormônios de crescimento extraídos de cadáveres.
As manifestações clínicas são variáveis, mas a doença costuma se apresentar com um quadro inicial de demência associada a outros sinais e sintomas neurológicos. Entre os principais, estão:
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Perda de memória
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Tremores
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Falta de coordenação motora (ataxia)
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Distúrbios visuais
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Espasmos musculares (mioclonia)
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Alterações de comportamento
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Afasia (dificuldade de linguagem)
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Dor de cabeça, fadiga e insônia
A progressão é rápida. Cerca de 90% das pessoas acometidas evoluem para o óbito em um ano.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da DCJ é desafiador, pois os sintomas se assemelham a outras demências, como Alzheimer ou Huntington. Para identificar um caso suspeito, os médicos recorrem a exames como:
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Eletroencefalograma (EEG)
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Ressonância Magnética (RM)
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Tomografia Computadorizada (TC)
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Análise do líquor para detecção da Proteína 14-3-3
Infelizmente, não existe cura para a DCJ. Até o momento, nenhuma terapia se mostrou eficaz para alterar a evolução fatal da doença. O tratamento é focado em:
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Oferecer suporte terapêutico
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Controlar as complicações
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Abordar aspectos físicos, nutricionais, psicológicos e sociais do paciente
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Dar suporte emocional aos familiares