Saúde e Bem estar

Violência sexual aumenta o risco de problemas cardíacos em mulheres

A pesquisa foi publicada na revista Cadernos de Saúde Pública e baseou-se em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em 2019.

Da Redação - Rara Gente
14/04/26 às 14h32

Meninas e mulheres que sofrem violência sexual não enfrentam apenas danos físicos e psicológicos imediatos. Um estudo brasileiro inédito mostrou que essas vítimas têm 74% mais chances de desenvolver problemas cardíacos ao longo da vida, como infarto do miocárdio e arritmias.

A pesquisa foi publicada na revista Cadernos de Saúde Pública e baseou-se em dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em 2019.

(Foto: Pixabay)

O que o estudo revela

Os pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) analisaram as respostas de mais de 70 mil entrevistados, representativos da população brasileira. O cruzamento entre relatos de violência sexual e diagnósticos de doenças cardiovasculares revelou:

  • Maior incidência de infarto do miocárdio e arritmias entre vítimas de violência sexual.
  • 74% mais risco de desenvolvimento dessas doenças em comparação com mulheres que não sofreram violência.
  • Para angina e insuficiência cardíaca, não foram observadas diferenças significativas.

A equipe usou ferramentas estatísticas para neutralizar a interferência de fatores como idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de moradia, garantindo que o aumento do risco está diretamente associado à violência sofrida.

A hipótese do grupo é que três mecanismos principais explicam o aumento do risco cardiovascular:

1. Estresse crônico e inflamação

O estresse prolongado ativa substâncias inflamatórias no organismo.

2. Transtornos mentais

Quadros de ansiedade e depressão, comuns entre vítimas de violência, têm relação direta com o desenvolvimento de doenças do coração.

3. Comportamentos de risco

Mulheres que vivenciam violência sexual podem adotar hábitos prejudiciais à saúde como tabagismo, alcoolismo, uso de entorpecentes, alimentação inadequada e sedentarismo, todos fatores de risco cardiovascular conhecidos.

Violência sexual como problema de saúde pública

Os números do estudo acendem um alerta. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, 8,61% das mulheres relataram ter sofrido ao menos uma violência sexual ao longo da vida, contra cerca de 2% dos homens.

O estudo não apenas quantifica o problema, mas também aponta a necessidade de políticas públicas integradas que considerem os efeitos de longo prazo do trauma, incluindo o acompanhamento da saúde cardiovascular de vítimas de violência sexual.

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