A partir de 2026, o SUS oferecerá o implante subdérmico Implanon, de alta eficácia e duração de três anos, a todas as mulheres. Com eficácia superior a 99%, o método já distribuiu 500 mil unidades, com previsão de chegar a 1,8 milhão de dispositivos distribuídos, a um investimento de R$ 245 milhões, em uma medida que reforça o compromisso com a saúde reprodutiva das brasileiras. Na rede privada, o mesmo método pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil.
O plano de implementação do implante no SUS já está em andamento:
-
Julho de 2025: oficializada a incorporação do método pelo Ministério da Saúde.
-
2025: distribuição inicial de 500 mil unidades.
-
2026: previsão de distribuição de mais 1,3 milhão de dispositivos.
-
2026 (Abril): segunda fase de capacitação de 11 mil profissionais.
O Implanon é um pequeno bastonete flexível, do tamanho de um palito de fósforo, inserido sob a pele do braço por um profissional de saúde. Ele libera continuamente o hormônio etonogestrel, que inibe a ovulação, altera o muco cervical e impede a fecundação. A eficácia é superior a 99%. A fertilidade é restabelecida rapidamente após sua remoção, feita no próprio SUS.
A iniciativa responde a uma realidade alarmante no país: cerca de 62% das mulheres já vivenciaram uma gestação não planejada, com índices que chegam a 80% entre adolescentes. Além disso, a medida visa reduzir a mortalidade materna, com a meta de reduzir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% entre mulheres negras até 2027.
O método é especialmente importante para populações mais vulneráveis: o Ministério da Saúde prioriza a distribuição para municípios com mais de 50 mil habitantes e critérios de vulnerabilidade social.
Qualquer mulher em idade fértil pode optar pelo implante, que não contém estrogênio, sendo seguro para quem tem contraindicações a esse hormônio. Os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados ao padrão menstrual, que pode se tornar irregular ou até desaparecer completamente, e cerca de 11% das pacientes relatam aumento de acne. Cerca de 22% das usuárias podem ter amenorreia.
A ampliação do acesso exige profissionais qualificados para inserir e remover o implante. Por isso, o Ministério da Saúde está realizando a segunda fase das oficinas de qualificação, com previsão de capacitar 11 mil médicos e enfermeiros em 32 treinamentos, focando em municípios com menos de 50 mil habitantes. As oficinas presenciais combinam teoria e prática com simuladores anatômicos, com carga horária de 12 horas para enfermeiros e 6 horas para médicos.
Outros métodos gratuitos no SUS
O SUS já oferece uma variedade de métodos contraceptivos gratuitos:
-
Preservativos masculino e feminino
-
DIU de cobre
-
Anticoncepcionais orais combinados e de progestagênio (minipílula)
-
Injetáveis mensais e trimestrais
-
Pílula de emergência
-
Laqueadura tubária e vasectomia
É importante lembrar que apenas os preservativos previnem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).