A modelo Gisele Bündchen, 45, revelou em seu livro Nutrir: receitas simples para corpo e alma que abandonou a dieta vegana após sofrer com anemia severa, cansaço e problemas digestivos. A decisão reacendeu o debate sobre os desafios nutricionais de dietas baseadas exclusivamente em vegetais, e a importância do planejamento profissional para evitar deficiências.
Por que Gisele deixou o veganismo?
Em sua experiência, Gisele precisou suplementar ferro e aumentar o consumo de folhas verde-escuras e oleaginosas, mas ainda assim não conseguiu reverter a anemia. Além disso, o alto consumo de feijão para atingir a meta de proteína causava inchaço e gases, prejudicando sua qualidade de vida.
Hoje, ela segue uma alimentação flexitariana: cerca de 80% vegetais e 20% de origem animal, com reintrodução de carne vermelha e ovos – o que, segundo ela, equilibrou seu organismo.
"O problema poderia ser facilmente contornado comendo um pouco de carne vermelha, mesmo que somente algumas vezes por mês."
Dieta vegana causa anemia?
O veganismo não está necessariamente ligado à anemia. O problema ocorre quando a s dieta é mal planejada ou não conta com acompanhamento profissional.
Principaisociedades científicas, como a Academy of Nutrition and Dietetics, reconhecem que dietas veganas bem planejadas são adequadas para todas as fases da vida. A chave está em garantir a absorção de ferro e outros nutrientes críticos (B12, zinco, cálcio, ômega-3).
4 estratégias para evitar anemia na dieta vegana
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Associar ferro com vitamina C – consumir laranja, acerola ou limão junto às refeições ricas em ferro vegetal (feijão, lentilha, grão-de-bico, folhas escuras).
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Evitar chá e café próximo das refeições – os taninos dessas bebidas inibem a absorção de ferro.
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Remover fitatos – deixar grãos e leguminosas de molho por 12 a 24 horas antes do cozimento reduz os inibidores de absorção.
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Suplementar somente com orientação – o excesso de ferro também é prejudicial e pode causar estresse oxidativo. Exames laboratoriais regulares são essenciais.
A modelo deixou claro que não abandonou os princípios da alimentação baseada em plantas. Ela apenas adaptou a dieta às necessidades do seu corpo, uma postura que especialistas consideram saudável e realista.
O
flexitarianismo (ou dieta semivegetariana)
vem ganhando adeptos justamente por unir os benefícios dos vegetais com a flexibilidade de incluir pequenas porções de proteína animal, o que facilita a adesão e reduz riscos nutricionais.
O caso de Gisele Bündchen serve de alerta: mesmo com acesso a recursos e orientação, o veganismo exige monitoramento rigoroso de exames e suplementação individualizada. Não se trata de demonizar a dieta, mas de lembrar que uma alimentação restritiva sem acompanhamento profissional pode trazer prejuízos reais à saúde.
Para quem deseja seguir uma dieta vegana de forma segura, o caminho indicado é:
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Consultar um nutricionista especializado.
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Realizar exames periódicos (ferritina, hemograma, vitamina B12).
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Suplementar sob prescrição médica.
Assim, é possível colher os benefícios éticos e ambientais do veganismo sem comprometer a saúde.