Saúde e Bem estar

Estudo da Fiocruz indica que taxar ultraprocessados em 50% poderia evitar 236 mil mortes

O Brasil caminha para um cenário preocupante: três em cada quatro adultos estarão com excesso de peso em 2044 se nada for feito para conter o avanço da obesidade.

Da Redação - Rara Gente
24/02/26 às 10h51

O Brasil caminha para um cenário preocupante: três em cada quatro adultos estarão com excesso de peso em 2044 se nada for feito para conter o avanço da obesidade. A projeção não é alarmismo, é tendência. E foi justamente a partir dela que pesquisadores brasileiros decidiram simular o que aconteceria se o país adotasse uma política fiscal mais agressiva contra alimentos ultraprocessados.

O resultado, publicado no periódico científico American Journal of Preventive Medicine, impressiona: um aumento de 50% no preço desses produtos poderia evitar cerca de 1,8 milhão de novos casos de doenças crônicas e até 236 mil mortes ao longo de duas décadas. A redução do peso médio da população teria impacto direto sobre enfermidades como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, doença renal crônica e alguns tipos de câncer associados ao índice de massa corporal elevado.

Hoje, 57% dos adultos brasileiros vivem com sobrepeso. Mantida a trajetória atual, esse percentual pode saltar para 75% em 2044. No cenário de taxação mais elevada simulado pelos pesquisadores, a prevalência cairia para 50%, uma diferença de 25 pontos percentuais que se traduz em milhões de vidas poupadas e bilhões em economia para o sistema de saúde.

Foto: monticelllo/GettyImages

O estudo, liderado por Eduardo Nilson, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Brasília e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), utilizou modelagem matemática baseada em dados brasileiros de consumo alimentar e saúde populacional.

O ponto de partida é a chamada elasticidade-preço, ou seja, o quanto o consumo tende a cair quando o preço sobe.

A discussão ganha relevância porque o Brasil acaba de aprovar o chamado Imposto Seletivo, que entrará em vigor a partir de 2027. A medida incidirá sobre produtos fumígenos, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas. Os ultraprocessados como categoria ampla, no entanto, ficaram de fora.

Durante o debate da reforma tributária, houve propostas para incluir o conjunto desses alimentos industrializados, como biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos e macarrão instantâneo, mas a ideia não avançou no Congresso. Nilson considera que a inclusão das bebidas açucaradas representa avanço, mas afirma que o potencial de impacto seria maior com uma base mais abrangente.

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) contestou publicamente os estudos que associam ultraprocessados a danos à saúde. Em nota, a entidade afirmou que a classificação “alimento ultraprocessado” não possui definição clara, “abrangendo mais de 5.700 itens produzidos pelas indústrias brasileiras”.

Foto: Ableimages/GettyImages

“Causa preocupação e indignação a disseminação de alegações à sociedade brasileira que atribuem a mais de 5.700 alimentos, produzidos por 41 mil indústrias no país e rigorosamente regulamentados e aprovados por órgãos como a Anvisa e o Ministério da Agricultura, a responsabilidade direta por doenças e mortes”, diz a nota da Abia.

A entidade acrescenta que os “alimentos produzidos pela indústria brasileira passam por rigorosos controles de qualidade e são aprovados não só pelas autoridades nacionais, como internacionais também”.

O custo para o SUS

Pesquisas complementares da Fiocruz, encomendadas pela ACT Promoção da Saúde, estimam que as mortes e doenças associadas ao consumo de alimentos ultraprocessados custam cerca de R$ 10,4 bilhões por ano ao Brasil. Desse total, R$ 933,5 milhões correspondem a despesas diretas do SUS com internações, ambulatórios e medicamentos para tratar obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão atribuíveis a esses produtos.

As mortes prematuras relacionadas ao consumo de ultraprocessados somam 57 mil por ano no país, o que representa 10,5% do total de óbitos por todas as causas no período. Em estados como Rio Grande do Sul, esse percentual chega a 13%, seguido por Santa Catarina (12,5%) e São Paulo (12,3%).

Segundo a ACT, dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (IBGE 2017-2018) mostram que 19,7% de todas as calorias ingeridas pelos brasileiros vêm de ultraprocessados. Entre crianças menores de 5 anos, esse percentual sobe para 25%, alcançando 30% na faixa de 2 a 5 anos.


Com informações de g1.

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