O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado. Entre 2012 e 2025, a população jovem (menos de 30 anos) caiu de 49,9% para 41,4% do total de habitantes, uma redução de mais de 10 milhões de pessoas em termos absolutos, saindo de 98,2 milhões para 88 milhões, segundo a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD)
do IBGE.
Em contrapartida, o contingente de idosos (60 anos ou mais) subiu de 11,3% para 16,6% no mesmo período. E a tendência é de crescimento contínuo: projeções indicam que, em 45 anos, os brasileiros com mais de 60 anos corresponderão a cerca de 37,8% da população, o equivalente a 75,3 milhões de pessoas.
Transição demográfica: menos crianças, mais adultos no centro
A queda foi especialmente intensa entre crianças de 0 a 13 anos (recuo de 22% para 18,1%) e adolescentes de 14 a 19 anos (de 10,5% para 8,3%). Enquanto isso, a faixa dos 30 a 59 anos cresceu de 50,1% para 58,6%, tornando-se o maior segmento etário do país.
O fenômeno reflete a combinação de queda nas taxas de fecundidade e aumento da longevidade. Ainda há predominância feminina na terceira idade: para cada 100 mulheres com 65 anos ou mais, existem apenas 75,9 homens.
Onde se concentram jovens e idosos?
O envelhecimento não é uniforme no território nacional:
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Norte continua sendo a região mais jovem: 41,5% da população tem até 24 anos.
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Sudeste e Sul concentram os maiores percentuais de idosos: 18,1% da população em cada região.
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Norte tem a menor proporção de idosos: 11,3%.
Impactos na Previdência: déficit do INSS pode quadruplicar até 2100
O envelhecimento populacional pressiona diretamente o sistema previdenciário brasileiro, baseado no modelo de repartição (trabalhadores ativos pagam os benefícios dos aposentados). De acordo com o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso em abril, o déficit do INSS deve quadruplicar até o final do século.
“Nas próximas décadas, o Brasil passará por profunda modificação de sua estrutura etária, com aumento do número de idosos na população e redução do número de jovens. Tal modificação impõe desafios às políticas públicas”, alerta o governo na LDO.
Governo e especialistas já apontam a necessidade de uma nova reforma da Previdência para garantir a sustentabilidade do sistema.
Saúde terá custo adicional de R$ 121 bilhões até 2036
O sistema de saúde também será duramente impactado. A estimativa oficial é que serão necessários R$ 121 bilhões adicionais até 2036 para atender a demanda crescente, uma vez que a população idosa “demanda proporcionalmente mais serviços de saúde”. O SUS já sofre com crônico subfinanciamento, conforme estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI) ligada ao Senado.
Por outro lado, o governo projeta uma economia de R$ 30,2 bilhões na área de educação até 2036, justamente porque há menos crianças e jovens para atender. A LDO destaca que o “tamanho da população jovem tem caído não apenas em termos relativos, mas também em termos absolutos”.
A Europa levou mais de um século para envelhecer; o Brasil fará essa transição em poucas décadas. Segundo a ONU, o país já é a sexta nação com o maior número de idosos no mundo. As políticas públicas, da Previdência à saúde, da educação à assistência social, precisarão se adaptar rapidamente para não deixar a conta para as próximas gerações.