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Vinil está em alta! Saiba mais sobre a volta do analógico

Os principais compradores não são apenas baby boomers saudosistas que viveram a era de ouro do LP. As recentes pesquisas de consumo mostram que as pessoas mais jovens estão no comando do acelerador.

Da Redação - Rara Gente
30/04/26 às 13h35

Dá para chamar de revival, boom, ressurgimento ou qualquer outro nome. Os números mostram que o disco de vinil vive uma fase mais do que consolidada. O que começou há quase 20 anos como um movimento de nicho, puxado por audiófilos e colecionadores nostálgicos, se transformou em um negócio bilionário que agora movimenta a indústria fonográfica e dita tendências de consumo.

Em 2025, o mercado global de discos de vinil atingiu US$ 2 bilhões, com projeções de ultrapassar os US$ 3 bilhões até 2035, segundo a pesquisa Global Market Statistics. A previsão de crescimento anual (CAGR) para a próxima década é de 11,2%.

Não se trata, porém, de uma volta ao passado. É uma nova forma de consumir música, que combina colecionismo, ritual de escuta, valorização do objeto físico e uma conexão emocional que o streaming, por mais prático que seja, não consegue replicar.

(Foto: Magnific)

O fenômeno em números

Para além da sensação de que toda loja de discos está cheia novamente e que as prensagens não dão conta da demanda, os dados do setor compilados pela RIAA (Recording Industry Association of America), Luminate e IFPI (Federação Internacional da Indústria Fonográfica) mostram uma escalada consistente:

Nos Estados Unidos, maior mercado do mundo, as vendas de vinil ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em faturamento (soma recorde não atingida desde 1983), com 46,8 milhões de unidades comercializadas apenas em 2025, ainda de acordo com a RIAA.

O crescimento nos EUA foi de 9,3% em receita e 7,9% em unidades em relação a 2024, com uma aceleração puxada principalmente por artistas pop do momento e catálogos clássicos.

No Reino Unido, as vendas anuais de vinil cresceram 19,9%, totalizando £ 1,57 bilhão em toda a indústria fonográfica e mais de sete milhões de LPs vendidos ao longo de 2025.

Globalmente, de acordo com o IFPI Global Music Report 2026, a receita com vinil cresceu 13,7% ao longo do ano passado, ajudando todo o setor de formatos físicos a registrar um crescimento de 8% depois de uma leve queda de 3% em 2024.

A receita global da indústria fonográfica ultrapassou a marca histórica de US$ 31,7 bilhões em 2025, o 11º ano consecutivo de crescimento.

(Foto: Reprodução)

A escalada se tornou tão poderosa que motivou o investimento em fábricas de vinil ao redor do mundo, incluindo no Brasil. Atualmente, o país conta com tr ês fábricas em operação (Polysom, Vinil Brasil e Rocinante), a mais nova delas inaugurada em 2025. Todas trabalham a pleno vapor, com fila de espera de meses para quem quer prensar um disco.

Os principais compradores não são apenas baby boomers saudosistas que viveram a era de ouro do LP. As recentes pesquisas de consumo mostram que as pessoas mais jovens estão no comando do acelerador.

Segundo o estudo “The Vinyl Records Revival and the Growth of Vinyl LPs” (2025), trata-se de uma mudança cultural impulsionada por diferentes gerações, mas com destaque para a Geração Z. Nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010, esses jovens nativos digitais redescobriram o vinil como experiência tátil, objeto de coleção e símbolo de apoio direto aos artistas em um cenário dominado pelo streaming.

O fenômeno, que alguns especialistas chamam de “falsa nostalgia”, não exige que os jovens tenham vivido a era analógica. Trata-se de uma saudade alimentada por referências culturais e experiências mediadas pelas gerações anteriores. A posse de um objeto físico passa a ser demonstração de fidelidade e autoridade cultural.

Um levantamento da Pro-Música Brasil (filial da IFPI) revelou que a venda de LPs no país cresceu 136% em um ano. Já no Reino Unido, 59% dos jovens entre 18 e 24 anos escutam música por meio de mídias físicas, número bem superior à média de 40% a 45% do público acima de 25 anos.

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