Em algum momento, você se policiou, para prevenir que algo ruim acontecesse? Um tabagista que quer abandonar o vício, por exemplo, pode evitar ingerir álcool ou café, para que isso inconscientemente não o conduza a acender um cigarro. As bebidas, no caso, são gatilhos para os fumantes.
Mas e quando o que dispara ações ou sentimentos é algo menos concreto? Pode ser um post em uma rede social, uma fala em uma conversa ou até mesmo uma atitude de um desconhecido na rua. O que parece ser banal para alguns, pode fazer quem passou por traumas semelhantes, reviver o sofrimento.
Chamado de gatilho emocional, essa espécie de ‘disparo de traumas’ aciona cadeias de memória e têm poder para mudar o estado de humor, interferir na forma como se toma decisões e no comportamento social. De acordo com o Dr. Alex Sampaio, especialista em Psiquiatria e Medicina Psicossomática, os gatilhos remetem a momentos que já aconteceram, no sentido de “reviver” aquilo.
Isso é assim, tão intenso, e nos acompanha ao longo da vida porque acontece em um momento, no qual ainda não temos recursos emocionais para lidar com certos fatos, e um exemplo disso são as lembranças da infância. Quando somos crianças, como não entendemos muito o mundo em que vivemos tudo parece muito maior do que deveria, e até ameaçador.
“Um exemplo é eu fazer uma brincadeira com você e você se irritar muito! Com o outro eu faço a mesma brincadeira e ele não se importa. Por que você se irritaria e o outro não? Porque é decorrente da sua história de vida, provavelmente aconteceu alguma coisa no seu passado, que não foi elaborado, não foi resolvido, te machucou e criou-se um mecanismo de defesa”, diz .
Ele ainda destaca que, os gatilhos emocionais podem ser tanto negativos quanto positivos. “A representatividade que eu tenho do meu aniversário de namoro é a rosa vermelha, então toda vez que eu vejo uma rosa vermelha, automaticamente lembro quando pedi minha esposa em namoro, lembro-me das sensações, do momento. Essa sensação agradável vivida é também uma forma de gatilho”.
Sendo assim, é muito importante compreender que os gatilhos emocionais nem de longe constituem algo linear ou idêntico para todos. Eles são extremamente particulares e, às vezes, podem ser difíceis de detectar.
SINTOMAS MAIS COMUNS
Quando falamos sobre sintomas, a ideia das particularidades permanecem. Alguns gatilhos emocionais são tão específicos que fogem de qualquer padrão. “Esses gatilhos podem vir por meio visual, do olfato, tom de voz, expressão facial, de muitas formas!”, pontua Dr. Alex.
Existem até mesmo as pessoas que podem reviver sintomas físicos ao se depararem com um local ou indivíduo. Se eles estiveram envolvidos em algum momento em que sentiram dores, por exemplo, essa sensação - ainda que mais fraca - pode surgir quando o gatilho é acionado.
Entretanto, de acordo com o especialista, quando se trata de uma patologia, os sintomas mais comuns que podem indicar uma resposta a esse tipo de estímulo são:
- Perda de controle;
- Crises de ansiedade ou pânico;
- Medo;
- Desespero;
- Estresse;
- Sensação de vazio interno;
- Sentimento de culpa, inferioridade ou julgamento;
-
Flashbacks das situações relacionadas aos gatilhos emocionais acionados;
Problemas de autoestima.
“Além disso, há uma questão mais complexa envolvida, que diz respeito ao relacionamento com as pessoas. Pense que durante uma conversa você pode ouvir algo que age como um gatilho em sua mente e, automaticamente, reagir de maneira ríspida, grosseira, àquela colocação. Como a pessoa com quem você está conversando não sabe exatamente o que aquilo significa para você, essa situação pode começar a desgastar relacionamentos e amizades”, afirma.
Notar a presença de tais sintomas é o primeiro passo. Mas ainda é necessário saber o que exatamente traz toda essa onda de sentimentos e questões à tona. Para isso, você precisa identificar os gatilhos.
Veja a matéria completa na edição 94 da revista Rara Gente.
