Saúde e Bem estar

Você sabe o que é a nomofobia?

 Entenda como a dependência digital pode te prejudicar

Bruna Taiski
05/08/20 às 15h06

Quem nunca se sentiu agoniado por ficar longe do celular e da internet que atire a primeira hashtag! Brincadeiras à parte, esse é um sentimento muito comum - e que foi agravado após o período de quarentena -, mas que pode ser o indício de um problema grave: a Nomofobia. O medo irracional de ficar sem celular e outros aparelhos eletrônicos, é um dos sintomas da síndrome de dependência digital. Do inglês “No Mobile Phobia” - medo de ficar sem o celular -, mais do que o tempo gasto no aparelho, o abuso acarreta prejuízos à vida do usuário.

Essa é uma síndrome dos tempos modernos e está presente na vida de muitos brasileiros. Mas, você sabe exatamente do que se trata? Conhece os prejuízos que ela causa? Ou quer saber como evitá-la? Temos a resposta de cada uma dessas perguntas nesta matéria. Basta nos acompanhar e conferir!

Utilizado por mais de 5 bilhões de pessoas em todo o mundo, o celular já é quase uma extensão do corpo humano, visto que está frequentemente nas mãos do usuário, e com todas as restrições que vieram com a pandemia tornou-se um item essencial. Por ele, nos informamos a respeito dos casos de COVID-19, utilizamos aplicativos disponibilizados pelo governo para garantir direitos fundamentais ou apenas para fazer download de tarefas que nos distraiam no isolamento.

No mundo, o tempo médio diário gasto com o uso do celular é de duas horas e 51 minutos. Esse valor aumenta quando o recorte é feito para o nosso país - no Brasil, são 5 horas por dia, em média, que passamos conectados ao smartphone, segundo um estudo da empresa Bank My Cell com dados referentes ao ano de 2019. Cerca de metade dos adultos verifica o telefone pelo menos várias vezes por hora. Quase 1 em cada 10 pessoas admite usar o telefone durante o sexo.

Quando você combina nomofobia com carros, as coisas ficam ainda mais assustadoras. Entre os motoristas adultos, mais de 27% afirmam enviar mensagens ou ler algum texto enquanto dirigem. Entre os jovens adultos, esse número chega a 34%.

Qual é o problema em interagir com seu telefone em um sinal vermelho ou quando o tráfego é pesado? Considere o fato de que as mensagens de texto durante a condução deixam um acidente 23 vezes mais provável, o que pode colocar em risco a sua vida e de outras pessoas.

Eu tenho nomofobia?

Por ser uma fobia, nem sempre é possível identificar a causa que leva as pessoa a sentir ansiedade por estar longe do celular, mas em alguns casos, esses sentimentos são justificados com o medo de não conseguir saber o que está acontecendo no mundo ou de necessitar de assistência médica e não ter como pedir ajuda. A seguir os principais sintomas da nomofobia:

Dificuldade de concentração no trabalho, na escola ou em atividades que exijam atenção contínua; uso do smartphone durante conversas presenciais com amigos e familiares; uso “escondido” do smartphone durante uma situação na qual o aparelho não é permitido; FOMO: medo de perder alguma novidade ou informação enquanto está sem o celular; irritação ou ansiedade quando está sem o celular, além de insônia.

Além disso, outros sintomas físicos que parecem estar associados aos sinais da nomofobia são os de vício, como aumento do batimento cardíaco, sensação de transpiração excessiva, agitação e respiração rápida. A dica é avaliar o quadro como um todo, observando a formação de um provável grupo de sintomas, o que pode servir como auxílio para a procura de ajuda psicológica. Lembre-se de que o diagnóstico deve ser feito apenas por um profissional da saúde.

O corpo sabe

Embora muitos de nós estejam convencidos de que a multitarefa nos permite fazer mais, a resposta é que a multitarefa não funciona. Nossos cérebros não estão estruturados para lidar com duas tarefas diferentes de uma só vez. Além disso, tentar realizar várias coisas ao mesmo tempo acaba desperdiçando mais tempo do que otimizando qualquer coisa. Consequentemente, ao tentar fazer duas coisas ao mesmo tempo, sua produtividade cai e você fica menos assertivo.

Pense bem: até que ponto você retém informações quando alguém está falando com você enquanto você lê e-mails ou assiste ao último vídeo sobre gatos que seu amigo postou? Mesmo que seu corpo esteja fisicamente em uma sala, é fácil perder informações importantes quando seu cérebro e pensamento estão em outro lugar. Além disso, vamos encarar a realidade: ninguém gosta de falar com alguém que está “ouvindo” com o rosto enterrado em uma tela de celular.

Até nossos corpos estão começando a reconhecer quando nossos telefones não estão por perto. Um estudo da Universidade do Missouri descobriu que os usuários do iPhone que se separaram de seus dispositivos durante situações que requerem uma quantidade significativa de atenção, como fazer um teste ou concluir uma tarefa de trabalho, podem resultar em pior desempenho.

Isso porque, quando os participantes eram separados de seus telefones e depois solicitados a completar os quebra-cabeças simples de busca por palavras, seus batimentos cardíacos e pressão sanguínea aumentavam - assim como seus sentimentos de ansiedade e angústia.

Tela azul

“Vou verificar o e-mail uma última vez, checar se nenhum amigo postou algo interessante, uma última olhada no Instagram”. Essas afirmações soam familiares? Ser inundado com informações estimulantes logo antes de dormir pode prejudicar seu sono e causar insônia, especialmente quando nos deparamos com situações além do nosso controle. E a maioria de nós está dormindo com os telefones na cama ou do lado dela. Em quase todas as faixas etárias pessoas afirmam dormir com o telefone ao seu alcance.

O perigo não é apenas que cada bipe durante a noite tenha o potencial de nos acordar. Smartphones também emitem uma luz “azul”, sinalizando para o nosso cérebro que é hora de acordar. As luzes azuis suprimem a melatonina, o hormônio que determina nossos ritmos de sono. Sim, a luta para dormir com seu telefone é real. Portanto, o ideal é deixar esse aparelhinho longe enquanto você dorme.

Em favor da saúde

É importante entender que a tecnologia não é necessariamente uma vilã. A forma como a utilizamos é que precisa ser ajustada. Existem diversos aplicativos com a proposta de ajudar usuários com ansiedade e depressão. Há inclusive uma espécie de Uber para procurar tratamento psicológico - a plataforma Zenklub, que funciona como um consultório 100% digital e conta com especialistas psicólogos, terapeutas, coaches e psicanalistas.

A indústria de smartphones e de wearables (smartwatches e smartbands, em especial) também tem pensado em funções para ajudar no combate ao sedentarismo. Um exemplo são os alertas para exercícios presentes em relógios e pulseiras inteligentes, além de funções específicas para o monitoramento de atividades físicas, da qualidade do sono e até da sua frequência cardíaca.

Fica a dica!

Então, se a primeira coisa que você faz quando acorda é olhar o seu celular; se checa o seu telefone de cada 5 a 30 minutos; se dorme com o celular no seu quarto - pior ainda se for do lado da cama -; se sempre arranja uma desculpa para levar o celular para o banheiro e, se anda com ele na mão a maior parte do tempo, você pode ter dependência do celular. Assim, aqui vão algumas sugestões que poderão te ajudar:

Não perca o seu sono: Jamais leve o celular para a cama. Desligue-o e deixe ele fora do seu quarto. Se a sua desculpa é que você usa ele para despertar, compre um despertador.

Acordou? Use a regra dos primeiros 45 minutos: Ao acordar, você deve se preparar para o dia que terá pela frente, ir no banheiro, preparar o seu café da manhã, se alongar, se vestir e arrumar. Os primeiros 45 minutos são seus. Não cheque o celular antes disso.

Carro ligado, celular desligado: Você vai economizar em multas e reduzir drasticamente a chance de ter um acidente sério. Proteja você e os outros, motoristas e pedestres.

Desligue o celular no seu período mais produtivo:  Ao longo de algumas horas, desligue o seu celular e coloque longe do seu alcance - na bolsa ou gaveta -. Só ligue quando completar o seu trabalho.

Fique atento à criança com celular:  Fique atento ao padrão de uso e conteúdo que a criança acessa no celular e imponha limites com disciplina. Estabeleça os momentos e o tempo de uso que seu filho pode se dedicar esta atividade.

Saia da Matrix:  Não deixe aquela máxima ser verdadeira para você: “O celular aproxima quem está longe, mas afasta quem está perto! ”. Em qualquer reunião, nas refeições, brincando com seus filhos, confraternizando com os amigos.... Tudo isso é mais importante que o seu celular. Viva no mundo real e dê atenção ao que há a sua volta e a quem te ama e se importa contigo.

Agora, se nada disso ajudar, talvez você precise de uma avaliação de um profissional de saúde mental. Mas neste caso, não se esqueça! Desligue o celular antes de entrar no consultório.

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