Dislexia, TDA, TDAH, são diferentes nomenclaturas e siglas. Apesar da proximidade entre elas, a hiperatividade, a dislexia e o transtorno de atenção podem atrapalhar a vida e a inserção social de crianças, adolescentes e adultos por um longuíssimo tempo até o diagnóstico preciso. A boa notícia é que nada disso é doença e, embora sejam distúrbios crônicos, todos têm tratamento. Acredite: é perfeitamente possível que as crianças tenham uma vida feliz, realizada e bem-sucedida. São pessoas capazes, diferentes apenas nos mecanismos cerebrais.
É comum que os pais de crianças com problemas de atenção e aprendizado se queixem primeiramente com o pediatra de confiança, que deve encaminhar o caso para um neurologista. O diagnóstico, porém, costuma ser multidisciplinar e envolver também testes de fonoaudiologia, oftalmologia, neuropsicologia e psicopedagogia, entre outros.
Tanto a família quanto a escola precisam se atentar aos sinais dos distúrbios, que aparecem já na infância. Segundo a neuropsicóloga, Aline Merino Vignoto, podemos observar alguns sintomas na primeira infância - até os cinco anos - porém, ficam mais evidentes na idade escolar, com o início da alfabetização, socialização, e maior contato com limites pré-estabelecidos e regras.
“Tanto a Dislexia - ou Transtorno Específico de Aprendizagem - quanto o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - são classificados como Transtornos do Neurodesenvolvimento, ou seja, são condições que surgem na infância, caracterizados por déficits no desenvolvimento que trazem prejuízos no funcionamento pessoal, emocional, social, pedagógico e, posteriormente profissional.”
DISLEXIA
Não é ignorância ou preguiça! O disléxico tem a cognição preservada e muitas vezes acima da média. Genética e hereditária, a dislexia caracteriza-se pela dificuldade de aprendizagem para ler e escrever.
“Na dislexia, as características ou sintomas mais comuns são: dificuldades nas áreas relacionadas à leitura, escrita ou soletração, ex: ler palavras isoladas em voz alta, de forma incorreta ou hesitante, frequentemente adivinha as palavras, tem dificuldade de soletra-las; pode até ler o texto com precisão, mas tem dificuldade em compreender o sentido; dificuldade para escrever, adicionando, omitindo ou substituindo vogais e consoantes. ”
De acordo com a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), o transtorno acomete de 0,5% a 17% da população mundial, pode manifestar-se em pessoas com inteligência normal ou mesmo superior e persistir na vida adulta.
“O tratamento para Dislexia é baseado em acompanhamento com Neuropsicólogo, Fonoaudiólogo e Psicopedagogo.”
TDA E TDAH
De acordo com a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) o Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) apresenta um diagnóstico possível quando a criança mostra comportamentos excessivamente dispersos, principalmente no desempenho escolar. Se seu(sua) filho(a) é aéreo demais, daqueles que ficam “viajando” o tempo todo, vale observar com mais cuidado. O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ocorre quando, além da falta de atenção, o indivíduo apresenta comportamento hiperativo.
Conforme a neuropsicóloga, no TDAH - Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade - duas características podem ficar evidentes, a desatenção e a hiperatividade ou impulsividade.
“Na primeira, observa-se que a criança frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares ou do cotidiano; dificuldade em manter o foco durante as aulas, conversas ou leituras prolongadas; parece que não escuta quando alguém fala, aparenta estar com a cabeça longe; dificuldade para organizar tarefas e atividades. São crianças tachadas como desorganizadas ou desleixadas; perdem coisas necessárias para tarefas ou atividades, como material escolar por exemplo.”
“Já na segunda característica, podemos observar crianças que apresentam dificuldade em se manter sentada, quando é normal que isso ocorra; remexe ou batuca as mão ou os pés ou se contorce na cadeira; sobem em lugares inadequados ou perigosos; fala excessiva; dificuldade em esperar a sua vez; podem interromper ou se intrometer em conversas ou jogos.”, explica.
Para o tratamento é indicado acompanhamento com Psicólogo, Neuropsicólogo, Psicopedagogo e Neurologista.
SALA DE AULA
Mas, e como trabalhar a pedagogia? Essas crianças têm dificuldade de memorização de sequências, não percebem detalhes, reincidem nos mesmos erros, desorganizam-se constantemente, esquecem conteúdos correlacionados ao tema principal, no passo a passo das fórmulas e dos conceitos das matérias mais decorativas ou monótonas. Portanto, a escola deve participar do processo terapêutico formulando práticas e caminhos que facilite e otimize a absorção de conteúdos e a desenvoltura nas avaliações.
“Cada criança é única, com suas dificuldades e habilidades, por isso é importante que cada professor, desenvolva um plano individualizado que atenda às necessidades dessas crianças.”
Aline também pontua que a família faz parte dessa rede de apoio e estimulação. “Não é fácil para um pai, mãe ou responsável, receber uma queixa da escola ou um diagnóstico de que seu filho está com dificuldades em seu desenvolvimento ou comportamento, mas é importante ressaltar que, quanto mais cedo, essa criança for diagnosticada, mais cedo ela será estimulada, tratada e acompanhada.”
COMO IDENTIFICAR?
Desde criança, a dislexia pode ser percebida por meio do atraso de linguagem; quando o pequeno atinge certa idade e continua falando errado; quando há muita dificuldade de memorizar músicas e não demonstra interesses por números e livros de historinhas, entre outros.
O TDAH, por sua vez, pode ser notado por meio de desatenção, distração ou uma forte hiperatividade, diferente da agitação normal de uma criança. Esse lado hiperativo é aquele que atrapalha a interação social do menor e do ambiente em que ele estiver.
“Há limites etários aceitáveis para cada nível de desenvolvimento e comportamento. Assim, é comum a família e escola perceberem quando o desenvolvimento e comportamento do seu filho ou aluno está aquém do esperado para sua idade, ou incomum. É importante ressaltar que cada criança é única, com desenvolvimento, personalidade e criação diferentes”, finaliza.