Imagino que você já saiba que é preciso passar protetor solar todos os dias, faça sol, chuva ou tempo nublado. Mais que um cuidado estético contra o envelhecimento e o surgimento de manchas na pele, o hábito é fundamental na prevenção de doenças de pele, especialmente em um país onde a incidência solar é tão intensa como o nosso. Mas, cá entre nós, desde o começo do isolamento e a instauração do home office, quando foi a última vez que você usou o bendito protetor?
Sim, é verdade, mesmo dentro de casa é preciso usar filtro solar. Isso porque, apesar de estarmos menos expostos à luz ultravioleta dentro de ambientes fechados, ainda há uma exposição à luz visível emitida por lâmpadas fluorescentes, televisões e até pelo computador ou celular que você está usando neste exato momento para ler esta matéria. E ela também é capaz de causar danos à pele. No caso da luz visível, a agressão é a longo prazo. Ela não deixa a pele avermelhada e marcada de imediato porque é cumulativa. E, assim como a ultravioleta, além do envelhecimento, a luz visível também pode levar ao aparecimento de lesões malignas.
Os efeitos danosos dos raios UVA que atravessam janelas passam praticamente despercebidos. Eles são os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce, duram o dia todo e penetram até as células da camada profunda da pele. Já a radiação ultravioleta B é fácil de sentir, pois causa vermelhidão e queimaduras, e é mais forte entre as 10 da manhã e as 4 da tarde.
Já a luz visível — a parte dos raios solares captada pelos olhos e que permite enxergar os objetos — é considerada tão perigosa quanto a radiação UVA e UVB: ela também atravessa vidros e pode causar envelhecimento precoce da pele, manchas, rugas e câncer de pele. Esse tipo de luz não vem só da claridade, mas também é emitida em menor quantidade por luzes artificiais - em ambientes muito iluminados -, TVs, tablets, celulares e computadores.
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) descobriu que o efeito prejudicial da luz visível, que corresponde a 45% da energia solar que alcança o corpo, é multiplicado devido à associação com os raios UVA. Combinadas, as duas radiações aumentam na pele a produção do pigmento do envelhecimento. Além disso, todos os tipos de radiação (UVA, UVB e visível) produzem radicais livres — moléculas nocivas que oxidam e danificam as células da pele. Pior ainda, os danos são cumulativos: os estragos vão se acumulando no nosso DNA celular desde que a gente era criança e se revelam anos mais tarde.
Isso significa que é necessário usar protetor solar diariamente, em ambientes fechados, em casa e no trabalho. É claro que deve-se usar o bom senso é avaliar até que ponto ficamos expostos à radiação nas condições atuais.
Conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia, não importa se o produto é do tipo físico ou químico, o importante é que o fator mínimo seja 30, uma vez que abaixo disso não há efetividade de proteção contra o câncer de pele. Se, de quebra, você ainda desejar uma mãozinha extra no combate ao envelhecimento, aposte nos fatores mais altos, a partir do 50.