O despertador toca pela manhã e o pensamento é o mesmo: “Mais cinco minutinhos não faz mal a ninguém”. É dia de fazer uma série de exercícios na academia; mas, o sofá está mais convidativo. Lance de escadas? Prefiro ir de elevador! São inúmeras as situações em que preferimos o comodismo em vez de fazer o mínimo de movimento; é aí que a preguiça se manifesta e as consequências de uma vida em marcha lenta, também.
Segundo os dicionários, a preguiça pode significar desde a falta de disposição para realizar determinada tarefa, até uma espécie de aversão pelo trabalho. Falar em preguiça significa descrever desde um dia em que deixamos as atividades de lado para descansar, até a falta de vontade em retomar essas atividades ou iniciar qualquer forma de esforço físico ou mental. Claro, há momentos que demandam um tempo de repouso; mas, o “relax” merecido é bastante diferente do que este conhecido pecado capital.
Se você não faz parte do time dos preguiçosos e leu a matéria até aqui, continue e entenda como a preguiça funciona no nosso corpo, em nossa mente e as maneiras de driblar, de vez, esse mal. Acompanhe com a Gente!
Qual a causa?
Sendo um pouco mais científicos: a preguiça está presente na natureza dos seres vivos como uma forma de se poupar energia. E para os humanos, esta é uma das explicações do motivo pelo qual as pessoas sentem preguiça: acumular reservas de energia.
Outro fator relevante é a predisposição genética de cada um. Estudiosos acreditam que algumas pessoas que sentem preguiça possuem esta característica em seus genes; mas, estes genes não determinam se a pessoa será preguiçosa ou não; porém, agem sobre a vontade... Sobre a disposição para se fazer as coisas.
Do mesmo modo, o metabolismo humano é um fator influente da preguiça, sendo que ele passa por variações durante o dia – e, quando está menos ativo, surge a preguiça. A alimentação também foi indicada como um dos motivos; veja nos tópicos abaixo.
Além dos fatores físicos, ela pode ter motivos de ordem psicológica; alguns especialistas não concordam com o termo preguiça e a identificam como ‘Adinamia’.
“Adinamia ou preguiça, pode ser uma condição momentânea ou sintoma de um processo físico ou psíquico. As causas psicológicas estão relacionadas com quadros depressivos - em alguns casos, pode ser apenas uma preguiça sazonal, momentânea” – afirma o Psicanalista Antônio João Campos de Carvalho.
A insegurança, a tristeza e o tédio estão no mesmo campo de fatores. Muitas pessoas não acreditam em sua capacidade de agir e solucionar os problemas que surgem. Esses conflitos internos de se desejar a mudança – mas, sentir medo de encará-la - causam a falta de vontade de tentar e tornam-se a preguiça de agir.
E quando todas as causas citadas acima são preocupantes? “Quando ocorre a falta de vontade de partir para os prazeres e o desejo de ficar isolado... Se isto for passageiro não é preocupante. Mas, se prolongar com o tempo e retirar as condições de qualidade de vida, nesse caso ela passa a ser altamente preocupante” - pontua.
A mente diz
Podemos colocar a culpa da nossa ‘moleza’ na neurociência? Em alguns casos... Sim! De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Oxford na Inglaterra, há também um motivo neurológico para a apatia e para a preguiça.
A pesquisa procurou entender as bases neurológicas de uma pessoa essencialmente preguiçosa. Ao final, descobriram que as conexões ineficientes entre certas áreas do cérebro podem tornar difícil, para elas decidirem agir.
Os neurologistas de Oxford criaram um jogo de decisões para os participantes apáticos e motivados. Em cada rodada do jogo, o pesquisador oferecia ao participante uma recompensa em troca de algum esforço. Como era previsto, os participantes que já haviam sido identificados como apáticos eram menos propensos a aceitar as ofertas que exigiam esforço - mesmo que a recompensa fosse grande.
Após investigações, eles perceberam que as pessoas identificadas como apáticas tinham conexões menos eficientes entre o córtex cingulado anterior – uma parte do cérebro envolvida em tomar decisões e em antecipar recompensas.
“As pessoas apáticas ou preguiçosas possuem esta região do cérebro menos atuante; portanto, menos eficiente - necessitando de mais esforço para transformar uma decisão em planejamento e ação” – explica o médico neurocirurgião, Daniel Rodrigues.
“Apesar de a teoria explicar muitas atitudes de algumas pessoas preguiçosas, o estudo também pode ajudar a compreender um tipo de apatia extrema e patológica que, de vez em quando, atinge pessoas com Alzheimer ou que se recuperam de certos tipos de AVCs”.
De olho no prato
Se você mantém uma boa dieta, dorme pelo menos sete horas por noite e ainda está caindo de cansaço pelos cantos... Então, talvez seja hora de dar uma olhada no que você anda comendo. Às vezes, até mesmo os alimentos mais saudáveis - que fazem realmente bem - podem estar sugando toda a energia do seu corpo. Como a alface, que tem um efeito no nosso cérebro que se assemelha aos causados por opioides. Surpresa? Sim... Nós também.
Eduardo Nordi Junior - Nutricionista Clínico e Esportivo - afirma que, a alimentação inadequada pode influenciar tanto no rendimento dos treinos quanto na produtividade no trabalho, nos estudos, nas tarefas do dia a dia e na concentração como um todo. “Para reverter esse quadro, é bem simples: deve-se procurar um profissional nutricionista para elaborar um plano alimentar de acordo com o objetivo e necessidade nutricional de cada indivíduo” - diz.
Os principais alimentos para ficar de olho são: os industrializados - ricos em açúcar, farinha branca, condimentos; os famosos fast foods e bebidas alcóolicas. Pois, possuem poucos nutrientes e, por esse motivo, nos deixam mais cansados.
Já os que vão dar disposição de sobra para aproveitar melhor cada minutinho do dia a dia são: os carboidratos - como arroz, batata, mandioca, pães; as frutas; os cereais integrais. “Esses alimentos são fonte de combustível, pois, aumentam o estoque de glicogênio - que é a reserva de energia”.
Quer saber mais sobre como aumentar a energia? Papel e caneta na mão! Anote essas pequenas dicas – que fazem grande diferença – dadas pelo nutricionista:
· Ingerir de 2 a 3 litros de água por dia;
· Controlar a ingestão de sal;
· Evitar industrializados e consumir boas fontes de proteínas como: carne vermelha magra, frango, peixes e ovos;
· Legumes e verduras - como o espinafre;
· Carboidratos complexos como: arroz integral, batata, mandioca;
· Aveia e frutas em geral.
Xô, preguiça!
Hora de reverter esse quadro e dar um “chega pra lá” na preguiça. O primeiro passo é buscar, em si mesmo, o que o estimula a ter preguiça - sendo sincero e tentando encontrar o motivo que o faz desanimar. Quando se percebe que os problemas que causam a preguiça são de ordem fisiológica, é preciso adotar hábitos mais saudáveis. Um sono tranquilo, de qualidade e na quantidade certa ajuda a manter a disposição do corpo e da mente. O cansaço de uma noite mal dormida depois de um dia intenso é um combustível para a preguiça.
Quando a preguiça tem suas raízes no campo psicológico é preciso não apenas cuidar do corpo; mas, também, da mente. Procurar atividades prazerosas e relaxantes ajuda a estimular o bom ânimo. Quando uma pessoa se sente feliz, ela tem mais disposição para realizar suas atividades; por isso, manter um hobby pode ser uma solução simples para espantar a preguiça. Buscar ser otimista também ajuda a criar coragem para enfrentar as batalhas da rotina. Ouvir uma música relaxante, mudar o ambiente, até mesmo trocar a decoração ajudam a renovar os ares e dar mais disposição.
Se mesmo assim o quadro persistir... Então, é necessário buscar ajuda de um profissional. “Se é uma doença psíquica precisa ser tratada com medicação ou com psicoterapia; se for uma doença física, precisa ser detectada para dar o remédio pertinente para aquela condição física” – finaliza o psicanalista.
Para espantar a preguiça, então, é preciso apenas de três coisas simples: cuidar do corpo, da mente e do ambiente - garantindo saúde, bem-estar e sucesso em tudo o que está programado.