Nosso cérebro é meio fanfarrão: na hora de pensar em estratégias para aquele jogo complicado de videogame ou de ler aquela revista que você adora –cofcof- ele coopera facilmente. Mas quando é preciso sentar e estudar um pouco, parece não haver jeito de alcançar a concentração.
Isso fica ainda mais desesperador quando estamos em ano de vestibular e não temos tempo a perder. Para ajudar você nisso, a Gente conversou com especialistas e pediu dicas para ajudar seu cérebro a se concentrar. Como cada pessoa tem um jeito de funcionar, nem todas elas serão igualmente eficientes para todo mundo. Então é bom fazer uns testes até descobrir quais dão certo para você. Preparado? Respire fundo e concentre-se na Gente agora.
CICLOS DO FOCO
Segundo estudos da neurocientista Sabine Kastner, da Universidade de Princeton, é assim que a concentração funciona no cérebro: piscando. Sua cabeça está o tempo todo alternando entre foco e distração, em um ritmo frenético: de três a oito vezes por segundo. A verdade é que o cérebro adora ritmos, e boa parte da atividade dele se dá em ciclos. No sono, por exemplo, temos a fase de sono leve, profundo e a REM- Rapid Eye Movement -, do movimento rápido dos olhos, na qual ocorrem os sonhos. Já quando estamos acordados, outra espécie de ritmo toma conta.
Jogos infantis como ‘Onde Está o Wally', demonstram como a atenção é rítmica. Afinal, por mais que você seja capaz de visualizar toda a cena ao mesmo tempo, só pode realmente se concentrar nela se observar um pedaço da imagem de cada vez. Pode não ser tão óbvio, mas é exatamente isso que seu cérebro - coordenado com seus olhos - está fazendo agora ao ler este texto. Seus neurônios se alternam entre dois modos: o de atenção, que permite processar o que você está lendo nesta linha, e o de desatenção. A desatenção pode parecer um hábito péssimo durante a leitura, certo? Mas é nessa fração de segundo de distração que seu cérebro consegue se deslocar para a próxima frase e verificar quanto falta para terminar a página.
O foco cíclico também significa que, a cada 4 segundos, seu cérebro se abre à distração e deixa você mais vulnerável a tudo aquilo que pode “competir” com o foco – como as notificações do seu celular. No total, são 345,6 mil ciclos de distração por dia. Isso coloca as coisas em perspectiva: mesmo que você caia em tentação por três vezes no trabalho e mergulhe completamente no Facebook, você ainda terá sobrevivido a milhares de seduções cerebrais.
Uma região chamada córtex cingulado anterior é responsável por reconhecer quando a atenção entra em conflito – ou seja, quando você não tem bem certeza se vai se manter nessa leitura ou dar uma espiadinha no Netflix. Quanto mais disciplinado você tenta ser, maior a atividade na área dorsal do córtex cingulado anterior (chamada de dACC). Quanto mais ativo o dACC, mais energia você está gastando para descartar distrações e se manter concentrado.
Conforme o Neurocirurgião, Dr. Daniel Rodrigues, os primeiros anos de vida podem determinar o foco e consequentemente a inteligência do indivíduo. “Durante os primeiros anos de vida o cérebro aumenta o número de sinapses, ou seja, comunicação entre eles, quanto maior o estímulo que damos a criança, maior o número dessas conexões e mais inteligente será quando adulta, claro existe também um fator genético influenciando, nada impede que durante a vida adulta formemos novas conexões, para isso a condição nutricional deve ser a ideal por vezes com suplementação de vitaminas. ”
BYE, DISTRAÇÕES!
Agora que já aprendemos como o cérebro funciona com a concentração, é hora de aprendermos a colocá-lo para trabalhar. Mirar toda a sua energia e atenção para uma única coisa é a maneira mais rápida e eficiente para avançar nos seus objetivos de vida como nunca fez antes. Atenção! Vamos te ensinar exatamente como fazer isso.
Boa alimentação - Um dos principais combustíveis para o cérebro é o açúcar, ou glicose, quando você exagere nos alimentos processados com muito açúcar, seus níveis de glicose no sangue alteram-se bruscamente. Alimentar-se corretamente com proteínas, vegetais e frutas ajuda a manter seu humor e energias regulados para que sua atenção nos estudos seja plena.
Adapte seus estudos - Muitas vezes, as pessoas perdem tempo com um método que não se adapta a sua rotina ou a sua personalidade. Você pode buscar por outras técnicas ou até mesmo modificar esse método para a sua rotina. “O interesse pelo assunto também ajuda muito, temas monótonos e chatos tendem a exigir muito mais esforço e para alguns, o tema parecerá mais interessante e facilita o aprendizado”, diz o neurocirurgião.
Não se contente em ler: escreva! -É importante estudar escrevendo, e não só lendo. “Quem só lê perde a concentração. Quem escreve consegue entender o assunto e mantê-lo na mente”.
Estude em um local organizado e tranquilo - O resto da sua casa até pode ser uma bagunça, mas o local onde você costuma estudar precisa estar sempre organizado e silencioso. “O ambiente de estudo a mente aberta e descansada são imprescindíveis. ”
Respeite seu tempo - Se você é mais produtivo de manhã, deixe para estudar as matérias mais difíceis nesse período. Quando sentir que a concentração não está rolando de jeito nenhum, faça uma pequena parada e depois volte. Manter intervalos regulares é fundamental – e a frequência vai depender do seu ritmo. “O fator fundamental é estar descansado, se interessar pelo assunto e ter curiosidade por ele, exercícios de raciocínio e de memória são também essenciais, assim como a prática de muita leitura".
Crie um pequeno ritual antes de estudar - Sempre que for mergulhar nos estudos, crie e respeite um ritualzinho antes. Pode ser um alongamento, pegar um copo de suco para deixar na sua mesa, ou que mais achar melhor. Com o tempo, seu cérebro vai entender que é hora dos estudos e ficará mais fácil se concentrar.
CONECTE-SE
Desviar os olhos dos livros para checar as notificações surgindo na telinha do celular é uma enorme distração do qual estamos sujeitos. Mas é do próprio smartphone que pode vir a ajuda para ter mais foco e concentração. Veja a seguir alguns dos aplicativos que auxiliam na produtividade.
Forest - O Forest é um aplicativo de proposta simples: uma semente virtual é plantada no programa e, a cada 30 minutos longe do celular, uma árvore cresce. Caso o usuário caia na tentação e use o celular nesse intervalo de tempo, a árvore murcha. O objetivo final é ter uma floresta dentro do serviço. Se isso acontecer, significa que você não está perdendo o tempo com redes sociais - Disponível para Android e iPhone (iOS);
Pomicro - Baseado no método Pomodoro, o Pomicro promete devolver a produtividade para suas horas de estudo. O método é de cinco minutos de relaxamento para cada 25 minutos seguidos de trabalho. A ideia do Pomicro é funcionar como um temporizador para a técnica, mostrando ao usuário a hora certa de descansar ou estudar - Disponível para Android;
StayOnTask - O StayOnTask não tem só a ‘interface’ simples. Com apenas um botão, o aplicativo checa aleatoriamente se você está usando o celular para se distrair ou não. A ferramenta também pode ter alarmes programados pelo usuário, lembrando-o das tarefas a serem feitas. Segundo os comentários do app na loja do Google, o programa é ideal para levar um “puxão de orelha” e voltar a estudar - Disponível para Android;
DinnerMode - O objetivo do DinnerMode não é o foco nos estudos, mas isso não impede o aplicativo de servir para quem se distrai facilmente. A ideia do app é bloquear todas as funções do telefone durante o almoço ou a jantar. Segundo os desenvolvedores, isso dá mais espaço para conversar com amigos e familiares em refeições. Para os estudantes, porém, o app pode trazer mais concentração, exatamente por bloquear o uso do smartphone em um tempo determinado - Disponível para iPhone (iOS);