Quantas vezes, ao consultar um médico, você já não saiu com a prescrição de “faça exercícios”? Pois é: atividade física sempre foi um ótimo “remédio”. Não só para a prevenção e combate a doenças – problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer, depressão – como para o ganho de qualidade de vida de forma geral. E, se você segue a recomendação e adotou como estilo de vida, digamos que também tenha tomado uma espécie de “vacina”. Isso porque a atividade física fortalece o sistema imunológico – o que é uma ótima notícia em tempos de pandemia da Covid-19.
“Vários trabalhos se aprofundam na relação entre exercício e sistema imunológico. E cada vez mais se comprova que a prática regular, em intensidade moderada, reduz a frequência e a incidência de infecções”, diz o biólogo André Luis Lacerda Bachi, pesquisador e docente do programa de pós-graduação da Universidade Santo Amaro (Unisa) e professor visitante na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Estudos preliminares também sugerem que a pessoa que mantinha um nível razoável de atividade antes da pandemia, tende a ter menores complicações, mesmo que venha a contrair o vírus. “Não é que não vá pegar a doença. Mas as complicações tendem a ser menores. Isso porque o novo coronavírus ataca o sistema respiratório e, quem tem esse sistema funcionando bem, graças ao bom condicionamento físico desenvolvido ao longo do tempo, talvez não sofra tanto”.
Quando a gente começa a se exercitar, a circulação sanguínea logo sente o efeito, sendo que a primeira reação é potencializar a entrega de suprimentos - entre oxigênio e nutrientes - para todas as partes do corpo. Ou seja, com a prática esportiva regular, as células de defesa caçam e destroem os inimigos com maior facilidade. Por fim, suar a camisa ajuda a melhorar a comunicação entre os diversos setores do sistema imunológico, tornando-o mais eficiente.
“Em nossas pesquisas, comparando praticantes de atividades físicas com não praticantes, notamos significativa redução de problemas respiratórios no grupo mais ativo. E vemos que o exercício tem a capacidade de potencializar respostas imunológicas já na mucosa respiratória, porque produz anticorpos na primeira linha de defesa. Então, se eu melhoro a segurança na porta de entrada, dificulto que o inimigo avance e faça maiores estragos”, explica o biólogo Luis Bachi.
Outro fator importante é que o exercício – com sua liberação de endorfinas – diminui o estresse, o que ajuda muito nesta fase de incertezas que passamos.
A diferença entre o remédio e o veneno é justamente a dose. A atividade física deve ser feita frequentemente e com intensidade moderada. Se for de alta intensidade, não deve ser prolongada e requer um tempo maior de descanso depois. A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é atividade física leve a moderada com duração de 30 minutos por dia ou 150 minutos por semana ou 75 minutos semanais de maior intensidade.
Vale lembrar que a intensidade do treino não está relacionada exclusivamente ao tempo, mas ao esforço que se faz – ao quanto você gasta de energia e exige do seu corpo. Segundo a OMS, uma pessoa com sobrepeso, por exemplo, se fizer 20 agachamentos talvez tenha uma demanda muscular muito grande. Para um sedentário, um treino muito intenso pode significar 10 ou 15 minutos; para um atleta isso pode ser apenas o aquecimento.
É preciso cuidado porque passar do ponto pode justamente prejudicar a imunidade. Trabalhos mostram que o exercício de maneira prolongada e extenuante pode ter efeito contrário, aumentando as chances de sintomas de infecções das vias aéreas superiores.
O que mais pode ajudar na imunidade
As grandes referências em saúde (Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde, Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – CDC, New England Journal of Medicine, Nature, The Lancet), em suas orientações para o controle do novo coronavírus, apontam que além do exercício, a imunidade depende de boa alimentação e sono de qualidade. Mais do que nunca você deve manter uma alimentação saudável e bem colorida e verificar suas necessidades de vitaminas e minerais, entre outros. E não esqueça de relaxar e descansar. Nós vamos passar por tudo isso – e podemos sair mais fortes!