As categorias mais atingidas são as que lidam com pessoas e se expõem ao sofrimento humano, conforme nota a psicóloga Janaina. “As áreas mais comuns de se desenvolver a síndrome são os profissionais da área da saúde, educação, assistência social, agentes penitenciários, bombeiros, policiais, profissionais que atuam sob pressão e que não gostam de pedir ajuda, sobrecarregando-os”, explica.
Médicos e enfermeiros -
Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos de burnout. De acordo com um estudo recente no Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos níveis da síndrome. Estes profissionais convivem com a obrigação de lidar com uma cobrança excessiva, pressão por resultados e jornadas extenuantes de trabalho. Vale ressaltar que os médicos e enfermeiros fizeram parte da linha de frente no combate ao novo coronavírus, lidando com o distanciamento da família e emocional abalado.Todos esses atributos misturam-se a queixas crescentes, como: expectativa de melhora em ganhos financeiros, aumento dos processos e desejo de maior reconhecimento pelo trabalho.
Os enfermeiros, pelas características do seu trabalho, estão também predispostos a desenvolver burnout. Esses profissionais trabalham diretamente e intensamente com pessoas em sofrimento. Particularmente os enfermeiros que trabalham em áreas como oncologia, a psiquiatria e a medicina, muitas vezes se sentem esgotados pelo fato de continuamente darem muito de si aos seus pacientes.
Professores
– A síndrome de burnout em professores não é mais do que uma variante específica que ocorre nos profissionais do campo da educação. Devido aos novos desafios presentes na educação - aulas online, novo sistema de aprendizagem - muitos educadores se sentem insatisfeitos com seu trabalho e podem apresentar uma grande quantidade de sintomas relacionados ao estresse.
A maioria dos casos ocorrem por uma diferença de expectativas entre a ideia que tinham de como seria o trabalho e o que realmente acontece. Isso pode provocar uma dissonância cognitiva, fomentando o aparecimento da síndrome em professores.
Estudantes -
A mudança não foi somente com os educadores, a carga emocional também foi sentida pelos alunos. Em tempos de estresse, como durante as provas, o equilíbrio é precário e o tempo disponível para o estudo é muitas vezes insuficiente. As horas de sono que lhe são atribuídas, muitas vezes são as primeiras a sofrer diminuição. Se ocorrerem problemas pessoais, juntamente com fadiga e má alimentação, a exaustão pode acontecer muito rapidamente. Não percebendo a deterioração de sua condição, se esforçam para continuar a satisfazer todos os pedidos, isso caracteriza parte da síndrome de Burnout. Portanto, quanto mais o aluno está decepcionado, mais ele trabalha duro. Sua ansiedade aumenta, a qualidade do desempenho diminui e as falhas se tornam mais dolorosa.
Mães
- Fazendo um paralelo com a síndrome do esgotamento profissional, nos Estados Unidos já se usa o termo Mommy Burnout para se referir a exaustão e estresse crônicos de mães sobrecarregadas em sua rotina e função materna. Mais uma vez, sentir-se cansada ao final de um longo dia é natural, desde que a exaustão não vire rotina, atrapalhando as demais atividades e fazendo com que a mãe perca seu interesse e motivação por coisas que antes gostava de fazer.
Assim como no Burnout profissional, o quadro acontece mais comumente com mães que buscam corresponder a expectativa irreal da maternidade perfeita, exigindo demais de si para ser uma mãe 100% boa em 100% do tempo. Além do esgotamento constante, o Mommy Burnout também vem acompanhado de outros sintomas, como irritabilidade, falta de interesse, motivação e propósito, falta de prazer no cuidado com os pequenos e pensamentos negativos frequentes. Claro que esses sintomas podem fazer parte de nossas vidas em determinados momentos, por isso é preciso atenção a intensidade e frequência desses sentimentos para saber quando é o momento de buscar ajuda profissional.
