Se você já pegou coronavírus e parou de sentir o gosto dos alimentos, vai se identificar com essa pesquisa publicada recentemente pelo instituto científico Monell Center: 76,2% das pessoas infectadas pela Covid-19 relataram distúrbio no paladar, sendo que, entre os entrevistados, 52,2% alegaram distorção em relação aos cinco gostos básicos (doce, salgado, azedo, amargo). De acordo com a pesquisa, apenas 5% dos pacientes perderam permanentemente o sentido.
De acordo com um estudo do Centro de Controle de Doenças Americano (CDC), nove em cada 10 infectados ainda sentem reflexos da contaminação por até três meses. Os sintomas mais comuns são fadiga, dores no corpo, perturbação visual e perda de olfato e paladar.
Cerca de 80% dos pacientes de covid-19 apresentam perda de apetite, segundo o infectologista Carlos Fortaleza, membro da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI).
A ocorrência estaria ligada a dois principais fatores. O primeiro à perda do olfato – e, consequentemente, do paladar. O segundo é a febre, sintoma comum em quadros infecciosos agudos. “A febre é uma resposta imune e tem como objetivo combater as células infectadas pelo patógeno. Para isso, são produzidas moléculas inflamatórias chamadas ocitocinas, que alteram radicalmente o metabolismo e fazem com que a pessoa tenha sintomas de prostração e perda de apetite”, explica o infectologista.
"Se uma pessoa está com dificuldades em comer carne, por exemplo, é porque o organismo diminuiu a produção das enzimas que fazem a digestão da carne. Por isso essa dificuldade de comer. Nesse caso, não há muito que fazer apenas começar aos poucos, pedacinho por pedacinho para avaliar se o seu organismo irá voltar ao normal", destaca a nutricionista Thaiz Bertalli.
Recuperando o paladar e olfato
A perda do paladar causada pelo novo coronavírus costuma ser brusca e é necessário estimular as papilas para evitar sequelas maiores. As papilas gustativas possuem receptores para os gostos básicos nas suas células. Cada receptor pode receber um estímulo para os diferentes gostos e isto faz com que os mecanismos gustativos possam ser despertados.
Em entrevista a Rara Gente, a nutricionista Thaiz, explica que existe uma técnica para treinar o cérebro e ir melhorando esses sentidos. "No caso do coronavírus e alguns outros vírus que causam a perda do olfato e paladar é uma questão de tempo para a recuperação total. No entanto, basta ir 'treinando' o paladar com alguns sabores como o sal, a pimenta e ervas naturais. E no caso do olfato, inalar diferentes aromas, concentrando a mente por alguns minutos todos os dias, pode-se utilizar óleos essenciais como a lavanda, alecrim e a hortelã".
Thaiz também ressalta a importância de adquirir alguns hábitos alimentares que fortaleçam o organismo. “O consumo de própolis e açafrão em jejum ou até mesmo a spirulina – suplemento dietético - ajudam”, diz.
Dados coletados por meio do aplicativo Covid Symptom Study, que conta com mais de 4 milhões de usuários, apontam os sintomas mais comuns ligados a essa condição. Os dois sinais mais relatados são fadiga crônica (98%) e dor de cabeça (91%).
A síndrome de fadiga crônica é uma condição debilitante de longo prazo no qual a pessoa afetada sente uma série de sintomas. O mais importante deles é um esgotamento que não melhora com repouso ou sono e que afeta os pacientes em todos os aspectos da sua rotina.
Em segundo lugar, o grupo de sintomas mais comuns em pacientes com covid-19 prolongada inclui tosse persistente, falta de ar e perda de olfato (que afeta também o paladar).
Conforme estudo de Tim Spector, professor de epidemiologia genética do King's College de Londres e líder de um estudo baseado em sintomas relatados no aplicativo Covid Symptom Study, a covid-19 persistente é duas vezes mais comum em mulheres, e elas geralmente têm em torno de 40 anos. E 80% das pessoas com sintomas por mais de três semanas relatam que a vida passou a alternar dias bons e dias ruins.
Há outros fatores que parecem ligados a esse quadro de saúde, como a resposta imunológica de cada pessoa. Nesse caso, a presença de febre alta, um sinal de que o sistema imunológico está reagindo a um invasor, geralmente indica que o paciente infectado não desenvolverá uma covid-19 prolongada, segundo Spector.