Saúde e Bem estar

Aos mestres com (valorização, respeito) e carinho

Mulheres ainda são maioria dentro da sala de aula em todas as etapas da educação básica

Rara Gente - Daniela Galli
16/10/21 às 08h23

De acordo com dados obtidos através do Ministério da Educação no portal oficial do Governo Federal, uma pesquisa elaborada pelo (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traçou o perfil dos educadores que atuam em todo o Brasil. 

Ao todo são 2,2 milhões de pessoas exercem a profissão, na educação básica, em território nacional. Mais de 386 mil atuam na graduação. Os dados fazem parte do Censo Escolar 2020 e do Censo da Educação Superior 2019. 
As mulheres ainda são maioria em todas as etapas da educação básica. Elas são mais de 96% da docência na educação da educação infantil. 88% delas lecionam nos anos iniciais e 66,8% nos anos finais do ensino fundamental. No ensino médio elas são 57,8% do corpo docente. 

Como se não bastassem os desafios assumidos pelos professores durante a pandemia no ano de 2020, este ano foi uma verdadeira “extensão” de todas as dificuldades já assumidas há mais de 365 dias. Por isso a principal pergunta que permeou esta nossa reportagem em homenagem a todos os educadores do Brasil foi: o que há para ser comemorado neste dia em 2021?

TRÊS LAGOAS

Em nossa cidade o cenário, de acordo com os próprios educadores, não está muito propício para comemorações. Muitos estão bem pessimistas em relação à desvalorização da profissão. “Comemorar este dia é mostrar aos governadores que tudo está em perfeita ordem e progresso, quando na verdade não está”, diz Lois Santos, professora de educação infantil e biologia na cidade. 

Rafael Borges, que é professor de Artes também não consegue ser tão otimista. “Cada dia está mais difícil ser professor nesse país”, desabafa. Uma educadora que pediu para não ser identificada citou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que congelou os gastos com a saúde e com a educação no país. “Isso implica diretamente na valorização da carreira, na qualidade do ensino que é ofertado nas escolas. Não há como fazer uma educação de qualidade sem investimento.”

Ela cita ainda que o Brasil é o país que menos valoriza o professor. “Eu não quero ganhar uma quantia surreal, mas sim algo que me deixe viver dignamente e a gente não consegue. A inflação está batendo à nossa porta, nossa carreira está defasada”.

A professora lembra ainda que o ensino remoto foi todo custeado pelos professores, que tiveram que transformas suas casas em salas de aula e utilizar ainda o seus recursos tecnológicos. “Nós não tivemos respaldo e isso mostrou o quanto a nossa sociedade é desigual, porque a internet ainda não está à disposição de todos com as mesmas condições.”
A educadora explica ainda, tentando ser otimista, que segue na profissão por que, segundo ela, sem a educação nada se transforma. “Eu acredito em dias melhores pelo prazer de ensinar e aprender. Aprendo muito com os meus alunos e é por eles que a gente continua, pelo poder de mudar o mundo”.

DIA DE LUTA

Maria Diogo, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTED), relembra que o dia 15 de outubro é sim dedicado para comemorações dos educadores, porém também é uma data dedicada à reflexão pela educação pública, formação e valorização profissional.

“A pandemia reafirmou a importância do professor dentro da sala de aula e também dos demais profissionais da educação. Em 2021 comemoramos a ciência, a saúde e a vacina para todos os profissionai8s de educação, todavia rechaçamos o negacionismo, o desmonte da educação e dos nossos direitos conquistados historicamente”.

A VOLTA ÀS AULAS PRESENCIAIS

A Secretária Municipal de Educação, Angela Maria de Brito, diz que o principal motivo de comemoração para este dia é a volta das aulas presenciais. “Não foi fácil para ninguém, nem para os educadores, trabalhar de forma remota, elaborar em casa as atividades pedagógicas através de celulares e redes sociais, fazer relatórios”.

Angela se diz ainda feliz por ter mais de 50% da população vacinada em Três Lagoas e diz que os grandes protagonistas desta história foram os educadores. “Aqueles que estão à frente da direção escolar, que são mediadores do trabalho de outros professores, coordenadores, especialistas em educação e aqueles que estiveram em sala de aula”.

A Secretária lembra também que muitos profissionais tiveram que lidar com a dor da perda de seus entes queridos, ansiedade, medo e que mesmo assim eles resistiram. “Com certeza marcaram e deixarão um legado para este tempo tão difícil”.

 

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