Saúde e Bem estar

Acne: muito além da estética

A Organização Mundial da Saúde, recomenda que no máximo 10% das calorias diárias devem ser provenientes do consumo de açúcar.

Julia Rafaela - Rara Gente
21/05/24 às 09h01

O combate a acne é uma luta árdua entre milhares de pessoas e dentre os acometidos existe uma pergunta comum: “quando isso vai acabar?”. Em muitos casos, o problema vai muito além da questão estética e quando os pacientes chegam nos consultórios dermatológicos em busca de tratamento, reclamam de dores e desconfortos, que são agravados na medida em que essas espinhas são ‘cutucadas’, podendo gerar um quadro ainda pior, com manchas na pele ocasionadas pela acne.

Segundo o Ministério da Saúde - OMS, a condição está presente na pele de 80% dos brasileiros entre 15 e 25 anos, sendo um problema ainda mais comum na adolescência, mas fatores genéticos, hormônios e alimentação podem levar ao surgimento das temidas ‘espinhas’ em qualquer fase da vida.

Para a dermatologista Dra. Joana Alexandria, a aparência é um fator importante, principalmente entre os mais jovens, isso porque esse comprometimento estético determinado por alterações da pele pode atingir o lado psicológico e tornar o adolescente inseguro, tímido, deprimido, infeliz, com rebaixamento da autoestima e com consequências sérias que podem persistir pelo resto da sua vida.

COMO OCORRE

O problema é desencadeado quando a saída dos poros fica obstruída, levando a um aumento da quantidade e alteração da qualidade do sebo que é produzido ali, favorecendo colonização bacteriana. “É importante destacar que as espinhas podem ainda ter uma relação genética, isso significa que a história de acne em parentes de primeiro grau é comum tanto na acne do adulta, quanto na acne em adolescentes, o que sugere sim uma predisposição”.

"EVITA-SE ESPREMER E CUTUCAR, BEM COMO FAZER USO DE PRODUTOS CASEIROS OU DESCONHECIDOS”.

POR QUE É COMUM NA ADOLESCÊNCIA?

Segundo a médica, a justificativa para esse maior acometimento entre os jovens, está nos hormônios sexuais, e são os principais responsáveis pelas alterações da pele, tornando-se oleosa, com cravos, espinhas, nódulos e cicatrizes. Nessa fase, as acnes podem surgir na face, mas também nas costas, ombros e região do busto.

DIFERENÇA DA ACNE ADULTA PARA A ACNE QUE ATINGE OS JOVENS

Quando na fase adulta, as espinhas tendem a surgir após os 25 anos ou persistem após essa idade. Nesse caso, o predomínio é maior em mulheres, especialmente aquelas que não tiveram acne durante a adolescência.

“Nessa fase, o surgimento das espinhas pode ter simplesmente uma causa ambiental, como a exposição em excesso à luz solar, estresse crônico, fumo, colonização por bactérias resistentes, cosméticos, medicamentos e alimentação inadequada. Mas ocorre também a possibilidade das acnes estarem interligadas às mudanças hormonais ou a síndrome do ovário policístico, por exemplo, um doença que atinge entre 5% e 21% das mulheres em idade reprodutiva”.

Joana detalha ainda que quando desencadeada mais tardiamente, geralmente as espinhas comprometem mais a área do pescoço e o terço inferior do rosto - a região da mandíbula e linha de transição do rosto para o pescoço, sendo essa uma das diferenças mais evidentes entre a acne adulta e a acne que atinge os mais jovens.

ACNE NA TPM

Segundo a médica, esse é um relato quase que unânime entre as mulheres e isso pode ser explicado devido ao desequilíbrio hormonal durante o ciclo menstrual. “Na TPM, há maior produção de hormônios andrógenos, que são os hormônios masculinos que nós mulheres também temos. Quando isso acontece, nossas glândulas sebáceas aumentam e como consequência a pele fica mais oleosa, dando espaço para a erupção de cravos e espinhas”.

ALIMENTAÇÃO INFLUENCIA NO SURGIMENTO

Apesar dos estudos serem controversos, parece haver uma associação de acne com alimentos de alto índice glicêmico, como o arroz refinado e os derivados do trigo branco ou as porções ricas em açúcares. Desse modo, a dermatologista orienta o paciente a observar periodicamente se ele alterou algo na alimentação que possa ter relação com a piora da acne. Se sim, isso deve ser relatado.

ROACUTAN É A ÚNICA SOLUÇÃO

Embora seja um tratamento de primeira linha, a intervenção da acne não se restringe ao uso do medicamento. A isotretinoína é indicada apenas para acne grave ou casos moderados com tendência a cicatrizes e que não melhoram com outros tratamentos.

“O medicamento é um agente sebo supressivo, ou seja, ele reduz o tamanho da glândula sebácea e a produção do sebo, por isso ele é tão eficiente no tratamento das espinhas. No entanto, devido aos efeitos colaterais, o uso requer orientação médica especializada, acompanhamento regular e monitoramento laboratorial. Essas medidas servem tanto para tratamento em adolescentes quanto em adultos”.

TRATAMENTO

O manejo depende do grau e da extensão das lesões, da sensibilidade da pele e da tolerância do paciente e varia desde intervenções tópicas, como sabonetes, pomadas específicas, extração e aplicação de ácidos e luzes em consultório, até medicações sistêmicas, incluindo certos antibióticos, mediadores hormonais e isotretinoína.

EMBORA INCÔMODA, PODE SER PREVENIDA!

A dermatologista destaca que a prevenção contra as espinhas começa com a higiene adequada da pele, realizada com um sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pele acneica ou oleosa. Deve-se também evitar cosméticos que aumentem a oleosidade. Além de medidas para melhora da qualidade de vida, como exercícios, hidratação com água, dieta equilibrada e sono adequado.

ALIMENTAÇÃO INFLUENCIA NO SURGIMENTO

Apesar dos estudos serem controversos, parece haver uma associação de acne com alimentos de alto índice glicêmico, como o arroz refinado e os derivados do trigo branco ou as porções ricas em açúcares.

Desse modo, a dermatologista orienta o paciente a observar periodicamente se ele alterou algo na alimentação que possa ter relação com a piora da acne. Se sim, isso deve ser relatado durante a consulta.

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