Saúde e Bem estar

Um simples xis desenhado na mão vai denunciar a violência doméstica

Miss Mato Grosso do Sul, Dandara Queiroz, adere à campanha do sinal vermelho. 

Bruna Taiski
17/06/20 às 08h20
Reprodução @dandarajqueiroz

O “Red Dot” é um ponto vermelho que as mulheres na Índia usam na palma da mão para indicar que estão sofrendo violência doméstica. A campanha surgiu depois do aumento recorrente de casos em função do isolamento social causado pelo novo coronavírus. No Brasil não foi muito diferente. Com implementação da quarentena em todo o país, os casos tiveram um aumento de 22,2% em cerca de 12 cidades.

Inspirado na Red Dot e pensando principalmente na segurança das mulheres, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criaram a campanha Sinal Vermelho contra a violência doméstica.

A forma de denunciar é simples e consiste em um gesto bem parecido com o red dot – a vítima precisa apenas mostrar a algum funcionário de uma farmácia um X vermelho em uma das mãos, indicando que está sendo vitima de violência doméstica.

“Sinal vermelho significa ‘pare’. O xis feito com batom que é inequívoco, pode ser facilmente apagado da mão, logo a vítima poderá voltar pra casa e o agressor não saberá da denúncia”, explica Renata Gil, presidente da AMB.

Depois que a denúncia for acolhida pela farmácia, o 190 será acionado e uma viatura da Polícia Militar será encaminhada até o estabelecimento e levará a vítima para o registro da ocorrência e aplicação da medida protetiva. “É um grito de socorro para quem não consegue usar os canais tradicionais e ordinários de denúncia, pessoas que estão sob domínio do agressor”, diz Renata.


Apesar de existir muitos canais de denúncia, os profissionais que acompanham os dados sobre a violência domesticam sentiram que ainda era ineficiente. Era preciso pensar em algo que as mulheres se sentissem seguras e não com medo ou vergonha de denunciar os agressores.

“A AMB juntou todas as partes necessárias e pensamos em um estabelecimento com melhor perfil para que essa denúncia fosse viabilizada”, explica Renata. As farmácias foram escolhidas porque estão sempre abertas durante o isolamento social, são ambientes neutros – são facilitadores e a mulher vítima não se sentirá intimidada ao entrar, e existem farmácias em todos os lugares e bairros.

Os funcionários das farmácias são facilitadores das denúncias


Por medo das retaliações, muitas pessoas sentem medo de ajudar a vítima a realizar a denuncia. Essa é uma das dificuldades que muitas mulheres enfrentam, não se sentindo apoiadas a dar um fim na situação. No caso dos funcionários das farmácias eles não são testemunhas das ocorrências, logo, eles não precisam ser encaminhados até a delegacia.

“Explicamos a eles que não é preciso ter receio, porque o agressor de violência doméstica atua na clandestinidade, dentro da casa. Ele não tem o perfil de retaliação, não temos dados fortes que indicam isso. Como não há alarde e é tudo mais silencioso, o agressor nem saberá qual farmácia foi acionada”, alega a presidente da AMB.

Segundo Renata Gil, as farmácias foram bem treinadas através de vídeos, tutoriais e cartilhas eletrônicas. Mas o principal desafio nesse momento é acionar a Polícia Militar e garantir um atendimento preferencial para essas mulheres. “Queremos esse tipo de atendimento para todos os casos de violência contra a mulher. Essa é uma questão de responsabilidade social nossa, precisamos salvar as vidas dessas mulheres”, expõe Renata.

Já são 10 mil estabelecimentos que aderiram à campanha, e a intenção é que essa rede de apoio e denúncia se expanda para outros estabelecimentos e se torne perene. “Queremos que haja engajamento de toda a sociedade. Pensamos em mercados, bares, restaurantes, locais de fácil acesso que as pessoas entrem sem se notar que estejam indo fazer uma denúncia”, argumenta Renata.

Miss Mato Grosso do Sul adere à campanha

A três-lagoense Dandara Queiroz foi eleita Miss Mato Grosso do Sul recentemente, e no papel de miss representante do estado, voltou a sua visibilidade para a campanha, afim de atingir mais mulheres vítimas de violência doméstica, para que elas saibam como denunciar. "A ação é voltada para as mulheres que têm dificuldade para prestar queixa de abusos, seja por vergonha ou por medo".

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM SAÚDE E BEM ESTAR
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.