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Você se encanta por empreendedorismo? Sonha com seu próprio negócio? Essa matéria é para você!

Entenda melhor o que as dezesseis letras da palavra 'empreendedorismo' significam e o que podem significar a você

Beatriz Rodas
25/07/18 às 08h07

“Você se encanta por empreendedorismo? Sonha com seu próprio negócio? Só pode ser louco! Colocar seus bens e economias em risco; arriscar tudo o que tem, sem saber aonde vai chegar. E se não der certo? O que irá fazer? Isso é para quem pode. Para quem já é rico. O melhor é arrumar um emprego para a vida toda. Independente da perspectiva de futuro, é a garantia da estabilidade. Antes passar no aperto do que correr riscos. Ficar quieto é a melhor escolha”.

Radical, não é? Mas não é errado pensar assim. Aliás, o único posicionamento errado é não realizar sonhos; ademais, cada um com seu livre-arbítrio. Acontece que a dupla “História do Brasil + Crise Econômica” criou uma muralha de terror ao redor do Empreendedorismo e fez com que muitos deixassem de lado os sonhos para viverem reféns de propósitos alheios. Propósitos que não são seus. E, sabendo como o Empreendedorismo contribui para o crescimento de pessoas e da sociedade, a Gente não podia deixar de trazer esse tema à tona e vamos sanar todas as possíveis dúvidas sobre o assunto.

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O que é empreender?

Segundo o dicionário, empreender é a iniciativa de implementar novos negócios ou mudanças em empresas já existentes - é um termo muito utilizado dentro do meio empresarial. Segundo Roberto de Moraes - economista formado pela UEM - “o termo ‘empreendedor’ já era muito conhecido nos Estados Unidos – entrepeneur – mas, no Brasil, não. Até o início dos anos 2000. A organização que trouxe o termo para cá se chama Endeavor; até então, não existia essa palavra no dicionário e, o que queriam quebrar era a ideia de que ser empresário é algo ruim”.

O economista faz uma interessante alusão entre o objetivo da profissão e a imagem que tinha até então. “Se você assistiu às novelas das oito - horário nobre dos anos 90 – deve ter percebido que o vilão era sempre um empresário. Existia a máxima de que o trabalhador era o ingênuo explorado pelo patrão egoísta. A profissão ‘empresário’ era cheia de conotações negativas; o que queriam trazer era a perspectiva americana de que empreendedores são pessoas que se arriscam e criam um valor aonde não tem. Geram empregos, pagam impostos, criam inovações que vão solucionar problemas... Foi esse o intuito reforçado durante esses 18 anos”.

“A coisa nunca é uma linha reta; sempre têm altos e baixos. O importante é aprender com as dificuldades e sempre ver, nas dificuldades, uma oportunidade”. – Jorge Paulo Lemann

Comportamento empreendedor

Apesar de toda a base teórica da definição de Empreendedorismo, o termo, hoje, está além destas proporções. “Ele caracteriza um comportamento. Comportamento de quem quer fazer algo, que sabe fazer – ou procura saber como fazer – e, principalmente... Faz. Essas são as principais características do empreendedor: ele quer fazer algo, ele sabe ou busca saber e faz” - explica Roberto. Esse comportamento, inclusive, é o responsável pelo fascínio de pessoas que são apaixonadas por administração, economia, logística e empreendedorismo de modo geral – colocando em voga o exemplo pessoal do próprio economista.

Trata-se de algo contínuo, intrínseco na personalidade da pessoa. Alguém não precisa, necessariamente, ser um empresário para ter tais características. O economista explica que é como um modo de vida: “é como se fosse uma bicicleta: se você parar de pedalar, você cai. O empreendedor também tem essa característica. Ele sempre quer fazer mais; ir além do que já fez. Isso é essencial no empreendedorismo; saber o próximo passo, ficar melhor, tornar-se maior. Mas, principalmente, melhor”.

“Já refleti muito sobre o porquê desse fascínio por empreendedores e empresários e cheguei a duas conclusões: primeiro - porque é a única plataforma que oferece às pessoas mobilidade social e oportunidade de sair do zero, construir algo muito relevante para elas, suas famílias e para a sociedade; segundo - porque a maior parte do progresso que trouxe mais conforto para a população adveio do empreendedorismo. Sempre foi alguém querendo criar uma solução para um determinado problema e querendo obter lucro disso - o que acabou criando computadores, smartphones e várias outras inovações que trazem conforto, bem-estar e melhoram a vida da humanidade”.

Os dois tipos

Há quem empreenda por necessidade e quem empreenda por oportunidade. São os dois tipos de empreendimento existentes no mercado e os dois extremos do empreendedorismo. No primeiro tipo encaixam-se as pessoas que têm a necessidade de empreender por ser a única e última alternativa que encontram para garantir sustento e reinstalar-se no mercado de trabalho - ainda que não seja uma vocação ou não tenha um propósito em sua ação.

O segundo empreende a partir de uma oportunidade de melhorar o mercado, um nicho ou a sociedade de modo geral. Um exemplo para o último caso é Steve Jobs - um dos maiores exemplos de empreendedorismo de todo o mundo - que criou todos os seus projetos e inovações a fim de levar conforto às pessoas, através da tecnologia e da praticidade que ela pudesse oferecer – esse era o seu propósito.

Ecossistema empreendedor

A princípio, parece que se trata de empreendimento na área da Biologia. Porém, não é. Ecossistema Empreendedor é o ambiente estratégico para a prática empreendedora. O conceito foi fundado por Daniel Isenberg e empresta o termo da Biologia por partir do pressuposto de que, assim como acontece entre as espécies no ecossistema natural, no empreendedorismo um precisa do outro para sobreviver e se desenvolver – empresas, governo, instituições de pesquisa e ensino, incubadoras, aceleradoras, associações de classe, prestadores de serviço e, claro, empreendedores – combinando interconexão, dinamismo e igualdade social - extinção de hierarquias.

O conceito é formado por três pilares: empreendedores, que desejam sempre crescer profissionalmente solucionando problemas da sociedade; conhecimento, ensino necessário para estratégias e ações, universidades conectadas ao mercado e investidores dispostos a transformar ideias em práticas e elevar negócios. Em tese, o conceito é muito bem pensado e não deixa brechas para possíveis desalinhamentos no empreendedorismo. A grande dificuldade é unir os três pilares e fazê-los trabalhar em conjunto. As universidades, geralmente, não fomentam a conexão dos estudantes com o mercado; os investidores não incentivam iniciativas empreendedoras e, consequentemente, grandes iniciativas ficam no papel.

Por que empreender?

Agora que você já entendeu de onde surgiu o conceito, o que ele é, estratégias, subconceitos... Podemos destrinchar a iniciativa. Com o que aprendemos em História no colégio e a convivência diária com a Crise Econômica, associar a palavra ‘propósito’ à profissão tornou-se uma tarefa desafiadora - principalmente se você tem ou sabe fazer algo diferente do que faz atualmente e, para colocar sua ideia em prática, é necessário sair da zona de conforto e se arriscar.

Se você se identificou com algo citado nesse texto, pode ser o momento de ir ao GPS e recalcular a rota, para ver qual caminho o levará ao seu propósito - ao motivo real de você se levantar e ir trabalhar – que não seja somente a remuneração fixa. Para concluir, Roberto afirma: “O empreendedorismo começa com uma decisão egoísta e se torna algo muito maior do que o propósito com que começou. Torna-se um projeto que envolve milhares de outras pessoas e gera felicidade. O fim de tudo isso é a felicidade. É a melhoria de vida”.

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