Negócios

Tudo o que você precisa saber sobre a Indústria 4.0 e os desafios do futuro

Mais inteligente e mais conectado, este mundo está sendo construído, em nossa volta, agora mesmo.

Bruna Taiski
04/02/19 às 07h25
Google Glass lançado em parceria com Diane von Furstenberg. Tradução de moda tecnológica e de tecnologia “vestível”.

Se você é do tipo que gosta de se manter atualizado em relação às tendências tecnológicas, certamente já deve ter se deparado com um termo que está se tornando cada vez mais popular. Estamos nos referindo à “4ª Revolução Industrial” ou “Indústria 4.0”.

Com o efeito combinatório de inovações - como inteligência artificial e robótica - estamos à beira de uma revolução tecnológica que vai alterar a forma como vivemos e trabalhamos em uma escala, fundamentalmente, diferente. Os economistas antecipam que essa revolução mudará o mundo como o conhecemos. Soa muito radical? É que, se as previsões forem cumpridas, assim será. E já está acontecendo - em larga escala e a toda velocidade. De gigantescas e barulhentas máquinas movidas a vapor, como chegamos aos portáteis, pequenos e tecnológicos smartphones? Onde mais a tecnologia pode nos levar? Todos esses questionamentos serão respondidos nessa reportagem que a Gente preparou para você. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Passado... Presente e... Futuro

Mas... Do que se trata a 4ª Revolução Industrial, afinal? Para entender melhor este conceito, é preciso remeter o pensamento às primeiras indústrias que foram criadas na época da Revolução Industrial. A fim de refrescar a memória daquela aula de história que tivemos na escola, o economista e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS – Marçal Rogério Rizzo, simplifica as revoluções anteriores.

Tivemos a 1ª Revolução Industrial que ficou marcada pela invenção e viabilização da máquina a vapor. A “fábrica” ganha expressão no mundo econômico se tornando o principal meio de acumular riquezas: troca-se a produção manufatureira pela produção mecanizada.

Já a 2ª Revolução Industrial tem como marco os motores a combustão. Aqui - o carro, o caminhão e o avião entram como meios de transporte inovadores. Outras inovações consideráveis foram o telefone, a energia elétrica e o uso do rádio como meio de comunicação e informação.

A 3ª Revolução Industrial - que já é bem recente - foi marcada pelo desenvolvimento da microeletrônica e da informática. Aqui houve a difusão da televisão, da robótica, da internet e da telefonia fixa e móvel - destaca-se o surgimento dos celulares.

Já a 4ª Revolução industrial está em curso. Trata-se da maior revolução já vivida envolvendo as áreas de base tecnológica. Podemos dar destaque para: a inteligência artificial; a internet das coisas; a informação em nuvem; o big data; o blockchain; a nanotecnologia; os sistemas de armazenamento de energia; as impressoras 3D e a biotecnologia. Sabe-se que afetará as mais diferentes áreas como, por exemplo: o comércio; a comunicação; as finanças; os meios de transportes entre outros.

(Reprodução/ Internet)
Como ela me afeta?

Engana-se quem pensa que as revoluções industriais acontecem somente dentro das fábricas. Ela tende a envolver muitas áreas, setores e espaços. Todos nós sabemos do protagonismo que a virtualização vem ganhando em nossas vidas. “É um caminho sem volta” – destaca o economista. Na era do crescimento exponencial, precisamos mostrar como a tecnologia de ponta pode ser um fator decisivo para que se mantenha na liderança ou, simplesmente, desaparecer. “Acessar as pessoas, apresentar um produto ou serviço é tão fácil que demanda uma busca por inovação constante. Se você não inova, seu concorrente inova e ganha seu cliente”.

 No que diz respeito ao cenário em Três Lagoas, o economista informa que as indústrias e o comércio serão afetados; no entanto, ainda não é possível saber a velocidade e magnitude de tais transformações. “As grandes indústrias locais já estão estudando, pesquisando e inserindo inovações em suas rotinas e processos; isso tende a se difundir, cada vez mais, para as médias e pequenas empresas. Será apenas uma questão de tempo”.

Os cursos ficarão cada vez mais curtos; a inserção no mercado de trabalho deverá ser imediata e as aulas presenciais perderão espaço para a realidade virtual aumentada; as mudanças na educação profissional também estão sendo sentidas. O que era abstrato para o aluno poderá ganhar ares de real por meio da tecnologia.

O estudo ‘Futuro do Trabalho’ - publicado em 2017 pelo Fórum Econômico Mundial - diz que, quase dois terços das crianças que ingressam no ensino primário irão trabalhar em funções que ainda não existem. O consultor - Roberto Mosquera - explica este fenômeno à Gente. “Pode ser que, quando o estudante fizer o vestibular, quinze anos depois não exista mais a profissão. Isso já está acontecendo com os cursos. Quanto mais longo o curso de graduação e de pós-graduação, maior a chance de, ao final da formação, todo aquele conteúdo que você viu antes, estar desatualizado, ultrapassado e não ter nenhuma serventia” - conta. 

Fim dos empregos?

Um dos grandes temores globais em relação à quarta revolução industrial é com o futuro do emprego. Há estudos - como o da consultoria americana McKinsey - que projetam perdas de mais de 50 milhões de empregos nos próximos anos. Preocupante, não é mesmo?

Segundo Mosquera, assim como as outras revoluções, muitas profissões serão potencializadas e outras extintas. Isso significa que uma nova demanda de profissões será gerada e o papel humano, dentro das fábricas, se tornará mais estratégico do que braçal. O conhecimento técnico não será mais um diferencial de mercado – mas, uma competência exigida.

“A transformação digital, a inteligência artificial, a robotização, fazem com que negócios atuais sejam aprimorados, bem como, também, os extingue. Se formos citar a chegada do carro – veremos que, a função do cocheiro acabou; o que aconteceu é que eles migraram para o táxi. Na 4ª Revolução Industrial é a mesma coisa; por exemplo, a migração do motorista do trator no agronegócio será pilotar de forma remota, de uma central. Fala-se muito na questão dos advogados, do telemarketing - ou seja, todas essas atividades operacionais com funções repetitivas - podem ser, potencialmente, substituídas por robôs, por máquinas e por computadores”.

E para quem se encontra preocupado com a dominação total dos robôs sobre os humanos - como no filme “Eu, robô” - protagonizado por Will Smith... Calma... Não é bem assim. “O ser humano continua sendo o centro das tomadas de decisões e da criatividade. São fatores que a máquina não consegue substituir; nosso papel é fundamental. Os relacionamentos interpessoais continuarão sendo excepcionais para o desenvolvimento de projetos ágeis, de equipes multidisciplinares. Tudo isso é importante no mercado de trabalho do futuro”.

O caminho para trilhar

Então... Quem vai sobreviver? Os que mais se adaptarem a essa nova era. Porque "não é o mais forte que sobrevive; nem o mais inteligente; mas, o que melhor se adapte às mudanças" - disse Darwin, o pai da Teoria da Evolução.

Ao mesmo tempo em que temos essa perspectiva não muito animadora, a quarta revolução tem o potencial de melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas - trazendo melhores diagnósticos; prevenindo pessoas de fazerem trabalhos desagradáveis e análises que possam nos ajudar a cuidar melhor do meio ambiente, por exemplo.

Se nós começarmos a tomar providências agora - para mudar a natureza do trabalho - poderemos não apenas criar lugares em que as pessoas amem trabalhar; mas, também, criar a inovação que precisamos para repor os milhões de empregos que serão substituídos pela tecnologia.

“Com as novas exigências do mercado, a sobrevivência de uma empresa depende da sua capacidade de inovar e abraçar novas mudanças. Já a geração de empregos no futuro estará diretamente relacionada à criatividade, à qualificação, à resiliência e à capacidade de trabalhar em equipe”. 

Gosta do conteúdo da Revista Rara Gente? Então acompanhe a revista e todas as novidades pelo Facebook Instagram da Gente!

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM NEGÓCIOS
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.