Um dos episódios que mudou o século completa 19 anos nesta sexta-feira, 11. Os ataques de 11 de setembro de 2001, que mataram quase 3.000 pessoas nos Estados Unidos, desencadearam a “Guerra ao Terror” do governo americano e mudaram a conjuntura geopolítica mundial.
Naquele dia, quatro voos comerciais que rumavam em direção aos Estados Unidos foram sequestradas por 19 membros da organização terrorista Al-Qaeda.
Os sequestradores fizeram propositalmente dois dos aviões colidirem com as chamadas Torres Gêmeas, no complexo empresarial World Trade Center. O alvo, a região de Wall Street em Nova York, é o centro do capitalismo financeiro e as cenas até hoje chocam o mundo. O impacto matou todos os passageiros a bordo e muitos dos trabalhadores dos edifícios. Os prédios desmoronaram horas depois, destruindo parte da vizinhança e fazendo novas vítimas.
O terceiro avião foi lançado contra o Pentágono, sede da defesa dos Estados Unidos, no estado da Virgínia. Por fim, o quarto avião foi palco de uma das muitas cenas de heróis anônimos da tragédia: o avião caiu em um campo aberto da cidade de Shanksville, na Pensilvânia, depois que alguns de seus passageiros e tripulantes tentaram tomar o controle da aeronave.
Não houve sobreviventes, mas a resistência fez com que o avião, que se dirigia para Washington D.C., não fizesse ainda mais vítimas civis.
A região do World Trade Center em Nova York guarda hoje um memorial em homenagem às vítimas do 11 de setembro — uma das dezenas de espaços construídos ao redor do país. Mas o impacto do episódio nos Estados Unidos foi além dos memoriais em pedras e das lembranças de quem assistiu à tragédia.
Os reflexos do 11 de setembro são vistos em todos os lados do espectro político americano, tanto no Partido Republicano quanto no Democrata. De Bush a Obama, as duas décadas que se seguiram ao atentado impactaram a política dos EUA e a segurança global.
Além da intensificação das guerras no Oriente Médio, uma das mudanças mais bruscas foi na inteligência americana. Depois dos atentados, o presidente George W. Bush assinou o USA Patriot Act (ou a “Lei Patriótica”). O decreto permitia que a inteligência interceptasse comunicações de pessoas supostamente envolvidas com terrorismo sem autorização judicial.
Os reflexos das medidas do 11 de setembro perdurariam por muitos anos: o presidente Barack Obama extendeu o Patriot Act em 2011 até 2015. Depois, o Congresso o substituiu pelo USA Freedom Act, que impõe algumas restrições ao manuseamento dos dados.
Esse tipo de super poder das agências de inteligência — como o FBI e a NSA — foi criticado na última década por ativistas. Foi também o estopim para casos como o do whistleblower Edward Snowden, que em 2013 vazou documentos da NSA mostrando que os EUA vinham espionando cidadãos e até governos aliados, incluindo o Brasil.
No governo do presidente Donald Trump, no poder desde 2016, os embates com o mundo árabe seguem sendo frequentes. Um dos episódios mais controversos do presidente foram as declarações de que pretendia mudar a embaixada americana em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém (cidade que é sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos e que palestinos alegam não poder ser vista somente como território de Israel).
Nesta sexta-feira, 11, Trump deve participar de eventos em homenagem às vítimas da tragédia em 2001, assim como seu rival nas eleições presidenciais de novembro, o democrata Joe Biden — que também foi por oito anos vice-presidente na gestão de Barack Obama e acompanhou de perto as respostas americanas nos últimos anos.
Para alguns especialistas, as decisões americanas que se seguiram ao atentado, de democratas a republicanos, ajudaram a acentuar o embate entre os americanos, o Ocidente e o mundo árabe. Apesar das incursões ocidentais em países do Oriente Médio, até hoje nações como Iraque e Afeganistão vivem uma conjuntura política conturbada.
O mundo também vivenciou uma série de outros atentados desde então, sobretudo alguns episódios na Europa, além do surgimento do grupo terrorista Estado Islâmico. O EI cresceu sobretudo em meio às novas guerras no Oriente Médio, como a guerra civil na Síria, que já perdura desde 2011.
Richard Fadden, que foi conselheiro de segurança do governo do Canadá e serviu inclusive no período do 11 de setembro, resume: “antes do 11 de setembro, com certeza, havia preocupações sobre terrorismo. Mas o mundo mudou na sua essência.”
Com informações EXAME.*