Negócios

Populares e influentes

O que explica a ascensão de ídolos digitais que atraem a atenção das marcas?

Rara Gente - Da redação
18/12/21 às 13h00

Se tem algo que consegue mostrar o quanto a ascensão das redes sociais revolucionou várias áreas da nossa vida, é o digital influencer. Essa carreira, relativamente nova no mercado, deixa claro que quando estamos falando de curtidas, comentários, visualizações, estamos falando do
reflexo daquilo que a sociedade está acompanhando ou rejeitando.

No entanto, em meio a inúmeras publicações, tentativas de engajamento e parcerias, fica o questionamento: o que, exatamente, é ser um influenciador? E como ter sucesso neste meio? Com isso em mente, conversamos com alguns especialistas no assunto – e principalmente, as próprias influenciadoras digitais de Três Lagoas – visando entender melhor as verdades por trás da carreira de um digital influencer.

Pegando o termo em sua raiz: digital influencer - ou, traduzindo literalmente, influenciadores digitais - basicamente é a pessoa que detém o poder de influência em um determinado grupo de pessoas. Esses profissionais das redes sociais impactam centenas e até milhares de seguidores, todos os dias, com o seu estilo de vida, opiniões e hábitos. “Acompanhar a vida dos outros sempre foi uma prática de comunidades, um jeito de estar em sociedade. Antigamente, se ‘stalkeava’ da janela da frente da casa, olhando as pessoas que passavam na rua e fazendo o mesmo tipo de interpretação que o advento das redes sociais proporciona atualmente”, introduz a psicóloga Louise Madeira. 

As pessoas que influenciam se destacam desde sempre dentro de seus mundinhos. Mas, durante a quarentena, o trabalho delas ganhou holofotes fora das suas bolhas originárias, seja pelas ideias brilhantes, seja pela proporção das polêmicas. “O sucesso deste trabalho vem de ser relacionável: a influenciadora nasce para trazer identificação, proximidade com a vida do dia a dia. E as pessoas estão com muita vontade de voltar a esse lugar”, reflete Iza Dezon, especialista em previsão de tendências.

O universo do influencer digital nunca esteve tão palpável como em 2021. O Brasil entrou em um relacionamento - ainda mais - sério com influenciadores após o diretor de TV Boninho resolver confinar dez deles na mesma casa no Big Brother Brasil 21. Seria cômico se não fosse trágico o fato de que não demorou muito para que o resto do país estivesse também confinado e, do dia para a noite, se alimentasse de conteúdo criado por influencers, seja na televisão, seja no celular.

Com a licença da comparação ao BBB - é inevitável - a campeã desta última edição atingiu a marca de 30 milhões de fãs no Instagram. Juliette Freire já saiu do BBB 21 batendo vários recordes de seguidores. A maquiadora foi a sister que mais ganhou seguidores durante a passagem pelo reality show global: mais de 23 milhões. A campeã, inclusive, é a 18ª brasileira mais seguida nas redes sociais. O top 3 deste grupo conta com Neymar - 151 milhões de seguidores; Ronaldinho Gaúcho - 55,2 milhões de seguidores; e Anitta - 53,7 milhões de seguidores.

E agora você deve estar se perguntando “Existe lucro com todos esses seguidores?”. De acordo com uma notícia divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, Juliette já está cobrando cerca de R$400 mil por publicidade no Instagram - um post no feed e três séries de stories. Dessa forma, se fechar uns quatro trabalhos, a paraibana já consegue bater o prêmio de R$ 1,5 milhão que ganhou no BBB21.

Apesar de serem valores muito altos para quem ‘acabou de chegar’ nesse ramo de influenciadores digitais, Juliette possui o combo: carisma + número de seguidores + alto engajamento. Ou seja, o prato perfeito para grandes marcas. Não é à toa que ela é o momento, certo?

GENUIDADE É A CHAVE

Ao voltarmos para a nossa realidade, nos deparamos com situações diferentes e ainda sim lucrativas. Helena Amaral, 22 anos, do instagram @nostemosfome possui 11 mil seguidores, 10 marcas fixas como clientes entre outras parcerias avulsas. Ela estendeu a paixão por ‘comida boa’ para o meio digital e logo, viu o seu perfil de experiências em restaurantes tornar-se uma renda extra. Para ela, os maiores erros na hora de pensar em uma carreira digital é não estruturá-la como uma carreira. 

Segundo Helena, assim como uma empresa, ser influenciador exige profissionalismo e construção diária. “Minha renda é única e exclusiva das publicidades no Instagram. Só que deixo bem claro que como em qualquer outra profissão não existe ficar estagnado, tem que haver muito estudo, trabalho e consequentemente isso reflete no quanto será revertido”.
Para ter relevância nas redes é preciso definir o seu território de influência. Quais são os temas com os quais você tem familiaridade no seu dia a dia? Como toda empresa, ter perfil nas redes sociais exige planejamento de conteúdo, frequência de postagem, interação com sua audiência e por último, mas muito importante: genuinidade. 

Não adianta ter uma relevância por apenas um dia. É necessário criar uma comunidade com verdade. “É um mercado que só vai alavancar, hoje quem não está nas redes sociais ‘não existe’. Concordo que tenha tido um crescimento muito rápido e alguns ainda se encontram perdidos. Mas é o caminho para o desenvolvimento. Só que o mercado é exigente, então a competitividade ficará cada vez maior e teremos que sempre correr atrás para nos destacarmos de alguma forma”, diz.

Percebeu que a ‘verdade’ sempre vem à tona quando falamos sobre o que é relevante? Isso porque a sociedade passou por um momento de despertar digital, analisa Iza Dezon. A ‘vida perfeita’ fez sucesso por um tempo nas redes porque as pessoas não entendiam os processos por trás de edição, publi post, facetune e filtros. O jogo virou.

Os novos consumidores são nativos digitais e os millennials que estavam ‘boiando’ já tiveram tempo para aprender como a banda toca. Este despertar força marcas a buscarem influencers que sejam reais e transmitam isso de fato, como Bruna de Matos Moura Montanholi, 36 anos, criadora do perfil @bruna.maeadministradora, que já bateu 22 mil seguidores.

“Em 2018 comecei a compartilhar um pouco do meu dia a dia de mãe, esposa,  empreendedora, e mulher que concilia os afazeres domésticos com tudo isso. Aprendi a administrar o meu tempo, por isso surgiu este nome ‘mãe administradora’. Apesar de ter anos na área, ainda me assusto, porque pessoas sabem quem nós somos, mas não sabemos exatamente quem são todas as pessoas que nos seguem. Contudo, é gratificante ouvir pessoalmente: ‘você é o que mostra mesmo no Instagram’ e é para ser! Não sou uma personagem, minha realidade é essa”.

Bruna também nos deixa uma dica simples e sem custos para alinhar conteúdo com clientes e patrocinadores: as plataformas de divulgação. “Em sites como Squid e Influency.me, as influenciadoras de cada região são selecionadas por marcas para divulgar novos conteúdos como: Omo, Comfort, L’oreal, Elseve, etc. 

É preciso fazer um cadastro, e então a plataforma selecionará alguns perfis para as empresas. “Eu só me cadastro para marcas que uso no dia-a-dia, porque acho muito enganoso para o meu público falar de um produto que eu não uso só por questão de visibilidade. Mas eu não tenho número de seguidores suficiente para ter sucesso ou lucro!”, pasme, os números de seguidores não são mais os principais objetivos na carreira de influenciadora. Quando você
imagina milhares de pessoas acompanhando sua rotina, assusta. Porém, o maior termômetro sobre influência é o engajamento do influenciador dentro das suas redes. Qual a sua performance? Qual o seu poder de interlocução? Qual o seu formato de comunicação? Pessoas gostam de se relacionar com pessoas e não com robôs.

Há também influenciadoras que não visualizam estes lucros, contudo, querem fortalecer e ajudar a sua comunidade. “É possível sim ter uma renda como influenciadora, porém hoje vejo que não é o que eu quero.... Pois não quero ter compromisso, é preciso ter muita dedicação nesta área! E sempre viajo muito e isso tomaria meu tempo. Hoje tenho outras prioridades”, diz a empresária e atleta Thata Urban.

Thata possui 107 mil seguidores no seu perfil, ela começou a compartilhar sua rotina como atleta de fisiculturismo há cinco anos. Focada neste nicho fitness, a sua comunidade foi se fortalecendo e cresceu naturalmente. “Sou uma influenciadora natural, gosto de ajudar as pessoas quando gosto realmente do produto, marco a loja de amiga minha, marco restaurante que vale a pena, hotéis que são legais, tudo sem querer nada em troca. Faço isso porque quero passar para meus seguidores o que eu gosto de usar, comer ou fazer”, diz. O influenciador é tudo o que o seguidor gostaria de ser. Nessa identificação, se eu fizer o que ela faz, minha vida será perfeita também”.

RESPONSABILIDADE EM FOCO

Grandes engajamentos vêm com grandes responsabilidades. O grande desafio da profissão é aceitar que o engajamento funciona para o bem e para o mal. Uma imagem de menos de 15 segundos pode resultar na perda de contratos e muitos R$ na conta. Por que o erro das influenciadoras é mais grave que o seu, uma mera arroba anônima?

Bom, mesmo sem intenção, quando um influenciador oferece este ticket de entrada à sua vida, ele constrói uma relação social com sua comunidade baseada em três elementos que a psicóloga Louise explica - a mente humana tem uns comportamentos malucos, mas isso você deve saber: admiração, idolatria e identificação. É neste último que mora o dever social: “O influenciador é tudo o que o seguidor gostaria de ser. Nessa identificação, se eu fizer o que ela faz, minha vida será perfeita também. A autoridade fica, então, estabelecida, porque é essa pessoa que vai ditar as regras que eu preciso seguir para alcançar esse suposto modelo de vida ideal e feliz.” 

Um bom comportamento é replicado por milhões de pessoas. O ruim também. “Acredito que vivemos em uma era muito imediatista e cíclica, há uma competitividade em expor certos assuntos e trazê-los à tona em primeira mão. Temos que ter muita responsabilidade na hora de passarmos alguma informação. Estudarmos sobre, cuidarmos para não ofendermos ninguém, mas principalmente termos conhecimento do que estamos falando para que a onda seja de informações e não de Fake News”, pontua Helena.

“Se eu não estou legal, já nem entro no insta, porque da mesma maneira que estou nas redes
sociais para buscar entretenimento, as outras pessoas também estão, precisamos ter responsabilidade com o nosso conteúdo, ao mesmo tempo em que mantemos essa leveza”, finaliza Bruna.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM NEGÓCIOS
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.