Cristiane Cândido foi uma de nossas convidadas da Edição 80 para compartilhar com a Gente um pouco de sua história de vida. O texto, por fim, tornou-se uma pequena biografia de sua história de vida. O mais incrível é como ela teve forças e nunca deixou a peteca cair, mesmo perante às dificuldades que passou.
Ela é advogada de formação, mas empreendedora por paixão. Se “amor” não for o combustível que a impulsionou em sua trajetória, a Gente não sabe o que é. Aos 41 anos, Cristiane Cândido tem o privilégio de olhar para trás e não se arrepender de coisa alguma. Ela reflete dizendo: “Acho que fiz certo. Acertei na vida”.
Apesar de sua formação, tudo começou em 2000, quando ela alugava uma sala de depósito e disponibilizava aulas preparatórias para concursos e vestibulares.
Com um filho pequeno e grávida do segundo, era ela quem limpava a sala, atendia os alunos, pagava os professores; era secretária, cuidava dos filhos e, para completar, ainda advogava na época.
No final de 2000 o dono pediu a sala de volta e ela precisou fechar o curso com tudo que tinha investido. Mas, os alunos sentiram falta e começaram a cobrar Nilo – seu marido, parceiro de jornada e professor – e então, em 2001 abriram uma sala de reforço escolar em outro prédio. Logo em seguida o casal conseguiu uma autorização e abriu uma escola um pouco maior; era ainda pequena, mas com um espaço a mais.
No mesmo período, Cristiane decidiu deixar a advocacia para se dedicar à administração da escola, enquanto o marido cuidava da questão pedagógica.
“Com o tempo, a escola foi me consumindo mais e mais. A gente lida com pessoas, com crianças. Não é como em uma loja. Na escola, as mães deixam seus filhos no portão com a segurança de que serão bem cuidados, sairão saudáveis, felizes. Não é uma mercadoria - é alguém. Eu sou mãe e disso eu entendo”.
Ela sempre ralou muito – o termo “ralar” é o que melhor define o trabalho que Cris teve na época. “Nessa época eu era seca igual um palito [risos]”. A escola tinha aula durante os três períodos e em todos os intervalos ela lavava a sala e trocava as carteiras. Quando encerravam as atividades, às 22h30, ela e o marido fechavam a escola e ainda iam lavar tudo, porque no dia seguinte tinha aula às 7 horas. É mole?
Ela sempre prezou por tratar os alunos como se fossem seus filhos, não simples clientes. “Era um começo. Nós precisávamos ter os alunos para mostrar nosso serviço; então, a gente praticamente pagava para trabalhar. Colocamos a mensalidade lá embaixo e trabalhamos muito, para conquistar a confiança dos pais e dos alunos. Nossa estrutura física não era bonita, mas a gente dava estudo de verdade. A criança saía de lá alfabetizada. E assim, uma mãe foi falando para outra até lotar a nossa escolinha” – conta.
“Eu olho para trás e digo que não tive sorte; só não me intimidei diante das dificuldades. Falando da trajetória em si, quantas e quantas vezes não nos aconselharam a desistir e ir embora da cidade? E quantas vezes pensamos nisso? Mas a gente persistiu”. Enquanto mostrava as novas instalações para a jornalista aqui, Cris chegou ao auditório onde fazem culto de oração às sextas e ressaltou: “Sem Deus nada disso aqui existiria. Se consegui o que consegui, foi porque Deus esteve comigo durante todo esse tempo”.