Você já ouviu críticas à Geração Z no mercado de trabalho?
Engana-se quem pensa que se trata apenas de adolescentes recém-ingressados no mundo profissional. Por definição, a Geração Z abrange nascidos entre 1997 e 2010, o que significa que seus integrantes mais velhos já têm 28 anos e sabem muito bem o que querem para suas vidas e carreiras.
Como é o caso de
André Garito,
de 27 anos, conhecido como filmmaker Dré. Ele atua com vídeos institucionais cinematográficos e cobertura de casamentos, além de desenvolver projetos autorais no YouTube que exploram narrativas entre arte, estilo de vida e propósito.
Para Garito, a experiência como funcionário em modelos tradicionais foi crucial para entender exatamente o que ele não quer enfrentar no ambiente profissional.
“Tive experiências boas, mas sempre senti que faltava espaço para liberdade criativa e crescimento verdadeiro. Era tudo muito engessado. Eu tinha ideias, mas raramente eram ouvidas”, relata.
André Garito (Foto: Arquivo Pessoal)
Foi essa restrição que fez nascer nele o desejo de construir algo próprio, com seu ritmo e identidade.
“Hoje, sou 100% dono do meu tempo e da minha entrega. Isso não tem preço”, afirma.
Segundo André, a autonomia é o que molda sua jornada. Trabalhar por conta própria lhe permite o controle criativo e pessoal que um modelo tradicional dificilmente proporcionaria.
“Para mim, liberdade não é só um bônus, é o combustível.”
Conforme sua experiência, o conflito de valores entre empresas e os mais jovens é gritante.
“Muitas empresas ainda estão presas a hierarquias rígidas, pressão sem propósito e horários inflexíveis. Eu busco construir algo com identidade, com verdade”, complementa.
Sua profissão vai além de fazer vídeos, é sobre comunicar histórias reais, com propósito e impacto. O empreendedorismo tornou-se um caminho natural para ele, que busca viver seus próprios valores.
A
desmotivação
entre os jovens funcionários é causada, principalmente, pelas horas a serem cumpridas e as metas a serem batidas, que não representam os anseios pessoais. O ambiente é visto como burocrático, repetitivo e até mesmo esgotante no quesito criatividade.
(Foto: Reprodução)
“Tudo isso sufoca. No meu caso, não conseguir colocar minha linguagem, meu olhar cinematográfico e minha intuição criativa no que eu faço seria como viver no mudo: tecnicamente produzindo, mas artisticamente desligado.”
A preocupação com a saúde mental também é aspecto relevante nesses casos. A prioridade pela rotina equilibrada é grande motivação para a nova geração. Isso impulsiona a busca por uma agenda que permita o cuidado a diferentes etapas e esferas da vida. A estabilidade financeira segue sendo preocupação, mas não a qualquer custo, e certamente não a custo de si mesmo.
André, por exemplo, preparou sua rotina para conseguir praticar bateria, cuidar da alimentação, estudar, e tudo isso entregando conteúdos de qualidade conforme seu próprio relógio.
“Não sou só um filmmaker, sou um ser humano completo. E quero continuar sendo.”
Para as empresas, as ideias e valores não são simples de lidar. No entanto, grande parte da mudança está no ouvir e adaptar. André reforça:
“Elas precisam começar a ouvir. Precisam dar espaço para autonomia, criar ambientes onde a criatividade é incentivada, não podada. E acima de tudo, precisam parar de tratar talentos como peças substituíveis.”
O trabalhar com intenção e significado é o que motiva a nova geração, mesmo que a jornada empreendedora não seja simples, como ressalta Garito:
“O maior obstáculo, para mim, foi vencer a mentalidade de que eu precisava estar em algo fixo para ter sucesso. É difícil no começo, mas o jogo muda quando você entende que pode criar uma rotina personalizada, encontrar seu público e entregar algo que só você sabe fazer. A chave é começar e não parar.”