Entrevista

Como a desidratação afeta o cérebro e compromete funções cognitivas

O neurologista Dr. Elisson dos Santos explica que manter o corpo hidratado vai muito além da saúde física, é fundamental também para o bom desempenho cognitivo.

Isabele Araujo - Rara Gente
02/06/25 às 13h41

Você sabia que a desidratação pode prejudicar diretamente o funcionamento do cérebro? O neurologista Dr. Elisson dos Santos explica que manter o corpo hidratado vai muito além da saúde física, é fundamental também para o bom desempenho cognitivo.

“O corpo humano é composto por cerca de 70% de água, mas o cérebro exige ainda mais: aproximadamente 75% a 85% do sistema nervoso central é formado por água. Qualquer redução na ingestão hídrica impacta de forma significativa as células cerebrais”, afirma o médico.

Dr. Elisson dos Santos, neurologista em Três Lagoas

Segundo ele, os primeiros sinais de desidratação cerebral costumam se manifestar com falta de atenção, lapsos de memória e irritabilidade. “Há estudos com motoristas profissionais que mostram que até mesmo a desidratação leve pode provocar esquecimentos simples, como não acionar a seta ou errar um trajeto”, alerta.

Efeitos a longo prazo

De acordo com pesquisas recentes, a memória de longo prazo também pode ser comprometida. A relação entre hidratação e desempenho cognitivo está cada vez mais clara. Por isso, manter bons hábitos é essencial.

Entre as dicas, ele recomenda tomar um copo de água ao acordar, estabelecer a meta de um copo em cada refeição e manter uma garrafa por perto, de preferência com marcação da quantidade.

Quem são os mais vulneráveis?

Crianças e idosos formam os grupos mais sensíveis à desidratação. As crianças, por terem menor massa corporal, são mais suscetíveis à perda hídrica. Já os idosos, além de possíveis comorbidades como problemas cardíacos, também apresentam redução na percepção da sede.

“Não devemos nos guiar apenas pela sensação de sede. Muitas pessoas não sentem vontade de beber água, mas isso não significa que o organismo não precisa dela”, pontua o neurologista.

Quando a desidratação atinge níveis moderados ou graves, os prejuízos podem ser permanentes, afetando funções como linguagem, raciocínio, atenção, cálculo, pensamento abstrato e julgamento crítico.

Imagem: iStock

Quantos litros por dia?

A recomendação média é de 2 a 3 litros de água por dia. No entanto, pessoas com doenças como insuficiência cardíaca ou renal devem seguir orientações específicas, podendo ter restrições na ingestão hídrica.

Dr. Elisson é claro: “Nada substitui a água”. Embora sucos naturais e algumas outras bebidas possam complementar a hidratação, a água deve ser encarada como prioridade, uma prática disciplinar para o bem do corpo e da mente.

Ele também sugere alimentos ricos em água, como frutas (melancia, melão, abacaxi, laranja) e vegetais (tomate, pepino, couve-manteiga, espinafre). Para quem não tem o hábito ou não gosta de água pura, uma boa alternativa é a água saborizada com frutas de preferência pessoal.

Já bebidas com alto teor de cafeína, como o café, ou com muito açúcar, como refrigerantes, têm efeito diurético e podem contribuir para a desidratação, o mesmo vale para bebidas alcoólicas, como cerveja, que devem ser consumidas com atenção.

(Foto: Freepik)

Hidratação, enxaqueca e menopausa

Sobre a relação entre hidratação e dor de cabeça, o neurologista explica que a desidratação é um gatilho comum para crises de enxaqueca, em qualquer fase da vida. Durante a menopausa, há uma redução natural nos níveis hormonais, o que pode reduzir essas dores e apresenta uma melhora nas crises de enxaqueca.

“Ficar muito tempo sem água e até sem se alimentar pode causar dor de cabeça. E, mesmo depois de se hidratar, a dor persiste por um tempo”, explica.

Dr. Elisson deixa um recado importante sobre a hidratação:

“Dê atenção à hidratação e estabeleça metas diárias: pelo menos 2 a 3 litros de água por dia. Não espere sentir sede. Se quer prevenir problemas neurológicos, hidrate-se bem, alimente-se corretamente, pratique exercícios físicos e cuide da sua qualidade de vida.”

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