Entrevista

Sinted: 40 anos de lutas, desafios e conquistas

Lutas, desafios e conquistas fazem parte da história da instituição que já enfrentou a ditadura militar, revoluções e a desvalorização da classe

Bruna Taiski
22/10/18 às 07h24

Quarenta anos de muitas lutas, conquistas, desafios e vários anos hão de vir para lutar, conquistar, desafiar. O Sinted - Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Três Lagoas - terceiro maior do Estado, coleciona histórias desde o dia 10 de outubro de 1978 - quando ainda levava o nome de ATP - Associação Três-lagoense de Professores. Na época, ele era presidido pela professora Francisca Valino, atuante no meio sindical até os dias de hoje.

Atualmente, Maria Laura Castro dos Santos é a presidente e ela nos recebeu para contar um pouco sobre os 40 anos do Sinted. Maria Laura atua na Rede Municipal há 18 anos e na Estadual há 11; ela não hesita em dizer que escolheu a profissão certa. “Para mim, essa foi uma escolha perfeita” - destaca.

Conforme Maria Laura, uma das principais conquistas do Sinted reflete diretamente na população de Três Lagoas; pois, atualmente, 90% dos professores das redes Municipal e Estadual possuem pós-graduação; entre eles há mestres e doutores, inclusive. “Graças às nossas reivindicações, oferecemos um ensino de qualidade aos alunos. Nossos professores são bem preparados para formar cidadãos, que podem fazer a diferença na nossa cidade” - explicou.

Filiada e atuante no Sinted desde 2001, Maria Laura não deixou de lembrar-se da luta dos professores na década de 80 - em pleno período de ditadura militar. Naquela época, profissionais que promoviam ações públicas em prol dos seus direitos eram vistos como “vândalos” e poderiam ser até mesmo presos. Uma das principais lutas foi em prol do aumento salarial, já que professores municipais recebiam apenas salário mínimo e os estaduais - que ganhavam um pouco mais - eram obrigados a conviver com constantes atrasos no pagamento.

Um pouco mais tarde, em 1989, o período foi de muitas transformações e lutas - entre elas, a invasão da governadoria, o enterro simbólico de governadores e prefeitos, bem como, a queima de bonecos de pano que representavam os políticos. O resultado? Um terreno foi cedido para a construção da sede social.

Já em 1998, o Sindicato cria o FAP - primeiro regime de previdência própria implantado em Três Lagoas. No mesmo período, a classe conquista a reformulação do Estatuto.

Em 2004, o Sinted enfrenta um novo desafio: o distanciamento dos filiados. Assembleias aconteciam sem a presença de muitas pessoas o que motivou o início de ações para o resgate da credibilidade da instituição. No mesmo ano, foi preciso decretar greve na rede municipal, por conta de ausência de acordos - ela durou 45 dias. A partir daí, foi iniciado um novo ciclo, onde a classe conquistou a equiparação das regências - até então diferentes em algumas etapas da Rede Municipal de Ensino.

No ano de 2008 a classe conta com a aprovação do piso salarial nacional - depois de muita luta e idas a Brasília. Com o auxílio da FETEMS - Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul - educadores passam a ter o plano de saúde Cassems e, em 2010, a criação do PCC - Plano de Cargos e Carreiras - foi cumprida, bem como a nova lei do piso salarial; 1/3 da hora atividade e, ineditamente, em Três Lagoas, a valorização do administrativo da Rede Municipal de Ensino por nível de escolaridade. Veio, também, a implantação do Conselho Municipal de Educação e a regularização de concursos públicos.

A partir de 2011, é iniciado um novo ciclo e os avanços continuam: implantação do projeto do piso salarial para 20 horas; regulamentação de gratificação para administrativos com pró-funcionários (6% até 2020) na Rede Municipal; aprovação da previdência própria, entre outras grandes conquistas.

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Nos dias de hoje, não é diferente. Ainda existem lutas e conquistas. Conforme Maria Laura, muitas vezes os desafios parecem ser maiores do que as vitórias; porém, a classe deve continuar unida e na busca pelos seus direitos e melhorias no trabalho.

Questionada sobre o que ela tem a dizer da profissão “Educador”, Maria Laura ficou emocionada e disse que não há trabalho mais gratificante que a de um professor. “Se uma sociedade existe é porque ela contou com a ajuda de um professor - desde quando era muito pequena - na mais tenra idade - ao aprender a juntar as sílabas na sala de aula” - destacou.

Por outro lado, a presidente reconhece que a classe precisa ser mais reconhecida; pois, ela tem o poder de transformar pessoas, de torná-las melhores, de prepará-las para um futuro melhor. “O meu desejo é que nós, educadores, nunca deixemos que o Sistema e a falta de valorização nos desanimem; pois, há muitas crianças, jovens e adultos que anseiam pelo saber. Vale a pena lutar” - completou. 

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