Ainda que sejamos conscientes das leis institucionais ou municipais que proíbem o uso do celular no ambiente escolar, a realidade é que muitos alunos insistem em usar o aparelho durante as aulas, o que acaba atrapalhando (muito) a aprendizagem dos alunos e gerando conflitos no relacionamento com os professores.
Aliás, a proibição é cercada de polêmicas. Entre estudiosos da educação, alguns consideram um absurdo os alunos usarem o celular em sala de aula, enquanto outros defendem a utilização e já deram início ao movimento de apresentar os recursos disponíveis a favor da formação escolar – ou seja, é relativo.
A psicóloga Ana Luiza Quatrina, especializada em psicologia infantil, afirma que “as tecnologias, de uma maneira geral, estão cada vez mais dominando e sendo ‘fundamentais’ em nossas vidas. No setor da educação não seria diferente; há um crescimento de escolas com projetos de ensino digital; as apostilas físicas perderam o espaço para o material digital, sendo utilizadas, hoje, apenas através de notebook ou tablets. Então, consideramos que há influência nesta modernidade toda na educação e acredito que a grande influência seja a nível relacional. Com a chegada da tecnologia nas escolas/creches perde-se um pouco o contato real; nossas crianças e adolescentes estão se desconectando do mundo real e se ligando cada vez mais no virtual – tendo como consequências, por exemplo, problemas de socialização e de relacionamentos”.
Essa perda de contato real que as crianças e adolescentes sofrem, consequentes do relacionamento preocupante com a tecnologia, precisa ser reavaliada.
Mas outro fato é que não se pode ignorar que os dispositivos provocam distração, mas também podem promover a construção de modos de aprendizagem significativos.
Segundo um balanço de dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), os índices de doenças emocionais entre crianças e adolescentes de até 16 anos tiveram – e têm – aumento significativo após a evolução da tecnologia e o fácil acesso a estes meios.
As crianças que antes brincavam de pique-esconde, casinha, queimada, amarelinha, jogos interativos e lúdicos em geral não correspondiam aos altos índices de ansiedade, obesidade, entre outras patologias características da nova geração. Ou seja, precisamos incentivar essas brincadeiras, não só condenar os aparelhos tecnológicos.