Entrevista

Psicóloga orienta pais a usarem a tecnologia como reforço na educação dos filhos

Parece obstáculo, mas Ana Luiza Quatrina, especialista em Psicologia Infantil, orienta como usar a tecnologia em favor do pais

Rara Gente - Beatriz Rodas
15/01/18 às 07h15
As crianças estão emocionalmente mais precoces – em todos os sentidos; desde o falar até o seu desenvolvimento cognitivo (Divulgação/Rara Gente)

Ainda que sejamos conscientes das leis institucionais ou municipais que proíbem o uso do celular no ambiente escolar, a realidade é que muitos alunos insistem em usar o aparelho durante as aulas, o que acaba atrapalhando (muito) a aprendizagem dos alunos e gerando conflitos no relacionamento com os professores.

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Aliás, a proibição é cercada de polêmicas. Entre estudiosos da educação, alguns consideram um absurdo os alunos usarem o celular em sala de aula, enquanto outros defendem a utilização e já deram início ao movimento de apresentar os recursos disponíveis a favor da formação escolar – ou seja, é relativo.

A psicóloga Ana Luiza Quatrina, especializada em psicologia infantil, afirma que “as tecnologias, de uma maneira geral, estão cada vez mais dominando e sendo ‘fundamentais’ em nossas vidas. No setor da educação não seria diferente; há um crescimento de escolas com projetos de ensino digital; as apostilas físicas perderam o espaço para o material digital, sendo utilizadas, hoje, apenas através de notebook ou tablets. Então, consideramos que há influência nesta modernidade toda na educação e acredito que a grande influência seja a nível relacional. Com a chegada da tecnologia nas escolas/creches perde-se um pouco o contato real; nossas crianças e adolescentes estão se desconectando do mundo real e se ligando cada vez mais no virtual – tendo como consequências, por exemplo, problemas de socialização e de relacionamentos”.

Essa perda de contato real que as crianças e adolescentes sofrem, consequentes do relacionamento preocupante com a tecnologia, precisa ser reavaliada.

Mas outro fato é que não se pode ignorar que os dispositivos provocam distração, mas também podem promover a construção de modos de aprendizagem significativos.

Salvem as brincadeiras... E as crianças!

Segundo um balanço de dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), os índices de doenças emocionais entre crianças e adolescentes de até 16 anos tiveram – e têm – aumento significativo após a evolução da tecnologia e o fácil acesso a estes meios.

As crianças que antes brincavam de pique-esconde, casinha, queimada, amarelinha, jogos interativos e lúdicos em geral não correspondiam aos altos índices de ansiedade, obesidade, entre outras patologias características da nova geração. Ou seja, precisamos incentivar essas brincadeiras, não só condenar os aparelhos tecnológicos.

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