“Fica sempre algum perfume nas mãos abençoadas que oferecem rosas”, trecho do ‘Hino Rosas de Amor’, feito especialmente para a Rede Feminina de Combate ao Câncer. Em 37 anos, a Rede Feminina de Combate ao Câncer – RFCC - de Três Lagoas cresceu ajudando muitas pessoas, a maioria delas, mulheres. O trabalho vai da conversa e o apoio emocional à informação e assistência às pacientes com câncer e seus familiares.
Quem chega à sede da instituição é sempre muito bem acolhido com um cafezinho e muito calor humano. Esse detalhe reflete o trabalho cuidadoso que é feito ali e envolve a doação de remédios, alimentos, roupas, consultoria jurídica, acompanhamento psicológico, alimentação suplementar, transporte solidário, palestras de conscientização e, principalmente, afeto. Quer conhecer um pouco mais sobre elas? Confira essa entrevista feita com a presidente da RFCC, Ivanir Batista e emocione-se com a história das rosas três-lagoenses.
RG: Como nasceu sua história com a Rede Feminina de Combate ao Câncer?
IB: Sempre gostei de me doar. A minha mãe – Corina da Silva - foi diagnosticada com câncer e fui para o Hospital do Câncer de Barretos acompanhá-la, fiquei encantada com o atendimento humanizado do hospital. Falei para o médico ‘Doutor quero ajudar'! Quero fazer alguma coisa que possa reverter em auxílio às pessoas com o câncer’. Ele me respondeu que qualquer coisa que eu fizesse, campanha de lençóis, toalhas, qualquer tipo de doação seria bem-vinda. Na época a minha prima Vilma Maia, a Oracilda, o Hélio Morales, a Alda, estavam refundando a Rede aqui em Três Lagoas, mostrei interessei e fui colocada na Diretoria. Estou fazendo parte desta nova etapa da Rede desde o início, ia constantemente nas reuniões, comecei a trabalhar, me comprometer e estou lá até hoje.
RG: Qual o objetivo principal da RFCC?
IB: O objetivo da RFCC é desenvolver e implementar projetos destinados ao atendimento das necessidades básicas dos homens e mulheres, infanto-juvenis, adultos e idosos, priorizando aqueles que estão em vulnerabilidade ou risco social. Com atividades de apoio e orientação personalizada, de mobilização e de defesa de direitos, através de ações socioeducativas que visem a promoção da satisfação, da saúde, da segurança e da qualidade de vida.
RG: De que forma ela pode ajudar os pacientes e familiares?
IB: Sobre os familiares... quando o paciente recebe um diagnóstico a família fica toda desestrutura e é onde a Rede chega com psicólogos, assistentes sociais, observando tudo para ajustar e equilibrar a família. Hoje, temos cadastradas em torno de 150 pessoas com o câncer, mas não significa que só essas pessoas são impactadas, as famílias também são. Não tem como levarmos, por exemplo, um alimento só para quem está no cadastro, levamos para a família toda.
RG: Quais são os principais eventos realizados pela Rede?
IB: O maior evento da Rede é o Leilão Beneficente anual, as prendas leiloadas como eletrodomésticos, roupas, alimentos, móveis, são doações de colaboradores da Rede. Além do leilão temos o Almoço das Mães, que é uma tarde de lazer com shows, danças, bingo, comidas, bebidas e sobremesas; realizamos também o Chá Rosa, com desfiles de moda – onde as pacientes são as modelos - venda de camisetas, broches, e um brunch delicioso. E também os eventos parceiros, um exemplo é o Rodeio do Distrito do Arapuá, fizemos a ‘montaria solidária’, e isso nos rendeu R$900.00. Aceitamos convites de todos que nos chamam, estamos abertas a trabalhar todos os dias.
RG: Qual o maior desafio para a instituição?
IB: Nosso maior desafio é manter as despesas do dia-a-dia, elas são bem altas. Temos oito funcionários registrados com encargos relacionados a isso, há também as despesas físicas de água, luz, internet, material de limpeza... O que envolve custo é nosso grande desafio. As doações como o leite, as fraldas, são mais fáceis de receber; mas nós não temos preguiça não, trabalhamos diariamente para que não falte nada para ninguém.
RG: Hoje, quantas pessoas são impactadas através deste trabalho de acolhimento e conscientização?
IB: Temos baixas constantes mensais, como também temos novos casos. Cento e cinquenta é a média de cadastrados, mas cada um tem aproximadamente quatro pessoas na família, multiplicando são 600 alcançadas direta e indiretamente. É um fluxo muito variado.
RG: Por falar em trabalho, a Rede é composta apenas por voluntários? Quantos profissionais atuam na instituição?
IB: Entre os funcionários estão duas assistentes sociais, uma psicóloga, duas no administrativo, uma vendedora, duas nos serviços gerais.São colaboradores que estão sempre presentes ajudando, são participativos e não medem esforços para fazer da Rede um lugar melhor. Essas pessoas têm salários fixos, FGTS, férias, tudo que um funcionário normalmente tem. E temos os voluntários em produções de artesanatos, em trabalhos do dia-a-dia para ajudar com pendências, acolhimento. Os nossos projetos são: Mãos Carinhosas, com terapia ocupacional para os pacientes que acontece toda quarta e segunda-feira; o Ombro Amigo é feito com voluntários que fazem visitas em hospitais e domiciliares; o Escuta-te é feito com psicólogos toda quinta-feira; a Amigas do Peito é com uma fisioterapeuta – o serviço é pago – que faz exercícios, massagens; temos também o Ioga. Lembrando que o nome é Rede Feminina, mas não atendemos somente as mulheres, os homens e crianças também.
RG: O que é necessário para se tornar um voluntário da RFCC?
IB: Amor, boa vontade, só isso. Voluntariado nada mais é do que partilha, doação.
RG: Financeiramente, a RFCC se mantém apenas de doações? Como são angariados os fundos?
IB: Nossos projetos de oficina são uma das fontes de renda. Temos um projeto dia de terça e quinta-feira – como líder a Priscila de Melo - que trabalha com bordado livre. Ela tem um grupo com 40 mulheres bordadeiras, a Rede compra todo material e elas produzem. Há também uma Oficina de Cabelo, onde os cabeleireiros são voluntários e produzem as perucas para mulheres e homens. Outra atividade que nos gera renda é o Brechó, onde as lojas da cidade nos doam as pontas de estoque – aquela mercadoria parada que saiu da estação, vendemos por um precinho bem popular-. Vocês podem até nos visitar, tem roupas maravilhosas, fica na Av. Eloy Chaves 1938, na Casa de Apoio Dirce Viana. Nessa Casa de Apoio funciona, além do brechó, as oficinas de artesanato, oficina de cabelo e o projeto das Mãos Carinhosas.
RG: E como a população pode ajudar a Rede Feminina de Combate ao Câncer?
IB: Acreditando em nosso trabalho, participando dos nossos eventos. Constantemente estamos no meio de comunicação divulgando as nossas ações e graças a Deus as pessoas nos ouvem, participam e ajudam. Quem quiser se tornar um voluntário é só ir nas nossas reuniões nas terças-feiras, estamos de braços abertos. O endereço é na Rua Zuleide Perez Tabox, 150 – Centro.
RG: A Gente sabe que a Rede coleciona diversas histórias emocionantes e de superação, mas há alguma que tenha marcado a vida de vocês?
IB: A Letícia, Isabel, Suellen, são meninas jovens que estão fazendo o tratamento e superando, vencendo todos os dias. A mais nova, a Letícia, fazia montaria e teve que parar para fazer o tratamento, com a melhora no quadro ela já pôde montar e voltar a fazer o que ama.
RG: Para finalizar, esse trabalho te trouxe um novo conhecimento ou forma de encarar a vida?
IB: Para mim? Diariamente! A vida é um aprendizado, todos os dias aprendemos coisas novas e mudamos, abrimos mais o coração. Eu não consigo me ver sem estar ajudando alguém – pausa emocionada – você quer me desequilibrar?É só tirar o meu trabalho! Amo, amo trabalhar! Não preciso nem de homenagens ou medalhas, o que faço é o mínimo por todas essas pessoas.