Entrevista

Por que 'pais helicópteros' correm o risco de prejudicar os filhos?

Psicóloga explica o conceito e as consequências da superproteção parental no processo de desenvolvimento de crianças e adolescentes à fase adultas

Rara Gente - Beatriz Rodas
11/05/18 às 08h52

Conhece o ditado popular "passarinho não aprende a voar dentro da gaiola"? Então confira a seguinte situação:

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Mariana tinha 13 anos quando foi convidada para o aniversário de um amigo da sua sala, que seria em uma pizzaria da cidade, às 19 horas no sábado seguinte. Ao sair do colégio, entrou no carro da mãe e logo contou, com empolgação, sobre o convite para o aniversário do Gui - um de seus melhores amigos e com quem estudava junto desde a pré-escola. A resposta foi imediatamente um “não”. “Você é muito nova para sair de casa, Mariana”; “e quem garante que você vai realmente estar na pizzaria?”; “você não precisa ir nesse aniversário”; “o que esse Guilherme tem de tão importante para você ter de ir?”; “é não e pronto - eu sou sua mãe e você tem de me obedecer”.

E mais uma vez Mariana levou um “não” e ficou em casa, enquanto seus amigos estavam comendo pizza, comemorando e se divertindo.

Por aí existem muitas Marianas. E muitas mães de Mariana. E muitos exemplos de situações entre Marianas e suas mães. A questão é que não sabemos quais são motivos que levam os pais a manifestarem este comportamento superprotetor com os filhos.

Nem quais são as consequências – a curto, médio e longo prazo – deste comportamento na vida dos filhos. Mas, quando há uma dúvida sobre algo, para a Gente não é um problema - e sim uma solução. Não quietamos enquanto não descobrimos tudo sobre determinado assunto; e, neste caso, você vai descobrir, junto com a Gente, tudo que está por trás do comportamento possessivo e superprotetor dos pais.

“Pais helicópteros”

O maior desejo dos pais é ver seus filhos realizados e felizes e, em geral, não medem esforços para isso. Mas, em certos casos, a ação dos pais acaba se convertendo numa superproteção que impede os filhos de amadurecerem. 

Segundo a psicóloga Caroline Dutra, “pais superprotetores sufocam seus filhos com cuidados excessivos.Aprisionam os filhos na intenção de privá-los de qualquer frustração. Antecipam-se em ajudá-los, não permitindo que resolvam seus problemas sozinhos. Pais que sobrevoam em torno de seus filhos – os ‘pais helicópteros’ – acreditam estar fazendo o melhor que podem; no entanto, estão boicotando qualquer chance de crescimento pessoal dos filhos, o que pode acarretar grandes prejuízos emocionais”.

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