Aos 12 anos ela perdeu o pai e o irmão em um acidente de carro, teve a mãe em coma por quase um mês e sobre uma cama por quase uma ano, com diversas fraturas. Ela se viu sem chão, sem estrutura, sem rumo. Enquanto a maioria de suas amigas adolescentes estudavam, brincavam e se divertiam, Ana Helena já era uma jovem-adulta. Transformou-se em uma leoa e abraçou as responsabilidades com toda a força que tinha.
Pouco tempo depois do acidente, seu saudoso tio Dedé – como ela mesma aborda, por ser um homem muito querido na cidade – abriu uma fábrica de gelo; então Ana, sua mãe Maria Maurícia e sua irmã, Tiemi – que, na época, tinha 10 anos – começaram a trabalhar. De segunda a segunda, de madrugada até altas horas, era um serviço exaustivo mas que ofereceu condições para que pudessem estudar e obterem sustento. Chegaram os tão esperados 18 anos, e Ana começou a trabalhar no banco Bradesco, trabalhava de dia e fazia faculdade à noite em Andradina.
Três anos depois ela já ingressou no mercado imobiliário. Começou a trabalhar com José Carlos Pereira Crespo [in memorian], com quem mais tarde, formou uma sociedade. Ana fala de Crespo com muito carinho e gratidão porque grande parte da profissional que ela se tornou deve-se ao que aprendeu enquanto trabalhava ao lado dele. Segundo ela, gratidão é o que a define nesta trajetória.
No início dos anos 90 deu início à sua trajetória empreendedora: fundou a Ana Helena Imóveis. Mas, como nem tudo na vida são flores, poucos anos depois, com o plano Collor, passou por uma crise financeira e fechou a empresa. Não se deixou abalar. Com a crise, novamente sem rumo, Ana começou a vender planos funerários, passou de empresária a vendedora de porta em porta, dando uma lição de humildade e determinação. “Fase que chorei, mas aprendi muito!”
Sua vocação de corretora de imóveis não ficou adormecida por muito tempo. Ana foi convidada para ser gerente da imobiliária de Antonio de Souza, outro grande professor e amigo de sua vida profissional, e empresário do setor imobiliário. A corretora, claro, nunca desperdiçou os aprendizados que foi colhendo ao longo da trajetória; e em 2000 fundou, então, a Matsumoto & Crespo Corretores Associados.
Sete anos depois, muita bagagem adquirida e uma alegria de viver inabalável, nasceu a Imobiliária Matsumoto. Hoje, enquanto Ana olha para trás para poder lembrar e nos contar tudo sobre sua vida, ela usa a palavra “gratidão” para definir tudo que viveu. Momentos bons e ruins. Alegrias e tristezas. E os anjos da guarda que a acompanharam durante cada passo que deu – sua mãe, Maria Maurícia, a irmã Tiemi Mastumoto, segundo ela, exemplos de vida e fontes de inspiração, além do seu filho, Arthur – que ela aborda como seu ‘presente de Deus, que trouxe luz e muita alegria’, hoje com 23 anos.
Depois da retrospectiva desses 52 anos vividos, Ana reflete que o importante é extrair o melhor de cada situação. Ana afirma que “dificuldade é a mola propulsora para não desistir”, com certeza pode ser aplicado à vida da empresária e corretora de imóveis. Ela é ligada nos 220 volts, movida por ser cada vez melhor e não estagnar; é comum vê-la correndo pelos corredores da imobiliária, recebendo clientes com um sorriso que vai de orelha a orelha... Ana é do tipo de pessoa que procura motivar seus colaboradores e amigos o tempo todo, não permitindo ambientes de tristeza e stress.
“Sair da zona de conforto para a zona de expansão, sempre! Perdi o meu pai cedo, mas a vida me ensinou a nunca desistir, persistir sempre, lutar pelo que se almeja, reclamar jamais! Tive momentos difíceis, mas, tudo passa... E descobri que nas dificuldades foi onde mais cresci e aprendi. Sou grata por todas as coisas! Acho que todo ser humano precisa lutar para ser melhor a cada dia, praticar o bem, buscar viver bem consigo mesmo e especialmente fazer tudo para ter uma vida tranquila em todos os sentidos”, conclui.