Se ela voltasse 20 anos em sua história e pudesse dar um conselho para si mesma, diria: “Calma!”. O fato de nunca conseguir ficar parada, ser muito ansiosa e querer as coisas para ontem - apesar de uma característica muito importante para as suas funções - faz com que ela faça uma viagem no tempo e deseje um pouco mais de calma em sua trajetória profissional.
Até mesmo em sua vida de modo geral, apesar de tratar seu lado forte com muita naturalidade e tirar bom proveito disso. Essa é Ida Manzano Abreu, advogada, mãe, esposa, paulista de origem e sul-mato-grossense de coração.
Ida se formou em Tupã (SP), pela Faculdade de Direito da Alta Paulista e é especialista em Direito e Processo Civil. Formou-se em 1993; logo começou a trabalhar e nunca mais parou.
Como iniciante, trabalhou em escritórios de advogados que ela conhecia e que contribuíram muito para a sua formação.
Em 2001 conheceu seu marido, em Marília (SP); ele já era concursado pelo Mato Grosso do Sul, então Ida decidiu vir para cá com ele, construir sua família e trilhar seu caminho profissional.
“Assim que cheguei aqui comecei a dar aulas na Aems, mas logo engravidei. Aí fiquei um tempo afastada da profissão. Mas, tempo assim... Seis meses [risos]. Foi o máximo que consegui”. E aqui nasceram suas duas riquezas: Manoel, de 14 anos e Maria Glória, de 9.
Quando Maria tinha um ano e oito meses passou por um problema de saúde muito sério e acabou desencadeando o diabetes tipo 1. “Eu nem sabia o que era ao certo o diabetes tipo 1. Quando um assunto não faz parte da nossa vida a gente acaba nem se inteirando muito. Então, eu fui ficar a par da situação, o que era, o que eu tinha de fazer... E ela começou a tomar insulina diariamente. Então, imagina: uma mãe tendo de aplicar injeção todos os dias na filha de um aninho e oito meses. Foi um período difícil em que eu desacelerei para poder dar mais atenção a ela” - acrescenta.
No início de sua trajetória profissional em Três Lagoas, Ida trabalhou em um escritório onde afirma ter aprendido muito: “acho que tudo é muito válido; em tudo a gente pode tirar proveito para aprender alguma coisa.
Aproveitei muito o tempo em que dividi o escritório com a minha sócia, mas como sempre fui econômica e perseverante com o que queria, depois de 12 anos consegui conquistar meu espaço e construir meu próprio escritório”.
Um episódio interessante que a advogada passou mostra como o protagonismo feminino no mercado de trabalho ainda é assustador aos olhos de muitos; foi quando um senhor chegou ao escritório – que leva os sobrenomes de Ida, no nome – à procura pelo Manzano Abreu, pois queria falar com ele.
A secretária foi prontamente chamá-la e quando Ida chegou à recepção e o cumprimentou ele rebateu, dizendo estar procurando pelo Manzano Abreu. Quando Ida afirmou ser ela mesma “o Manzano Abreu”, advogada e proprietária do escritório, o homem fez cara de espanto como quem estivesse pensando, como a própria Ida conta: “ué, mas uma mulher? Não era para ser um homem alto e de terno?”.
É a prova de que o machismo é real no mercado de trabalho; mas, Ida faz questão de ser protagonista de seu sucesso.