Entrevista

Livre, leve e sem padrões! Faça as pazes com seu próprio corpo

Se até o dicionário define a beleza de várias formas... Então, você também pode!

Bruna Taiski
02/04/19 às 13h25

Se esta pergunta for feita a várias pessoas, cada uma responderá de uma maneira diferente. Se estas pessoas forem de culturas ou de gerações distintas, as respostas, provavelmente, serão ainda mais variadas. Isto mostra que o conceito de beleza é bastante subjetivo. Além disso, este conceito do que achamos bonito ou feio é influenciado pelo mundo ao nosso redor: a família, a época em que vivemos e o país onde nascemos. Estas variáveis também fazem com que o conceito de beleza seja mutante.

Em algum momento da vida, todas as mulheres já questionaram a beleza bem de frente a elas: uma gordurinha que não deveria existir; seios mais firmes; pele mais lisa e a obrigação de seguir uma alimentação “supersaudável”. Felizmente, aos poucos vemos esboços de diversidade: mais candidatas negras como finalistas de concursos de beleza; corpos com mais curvas em editoriais de moda. Modelos fora do padrão e ensaios fotográficos com mulheres “de verdade” ajudam a redesenhar o que significa a beleza brasileira. Afinal, quem foi que disse que ser você não é belo?
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Ontem... Hoje... Amanhã

Na época clássica, ‘belo’ era um termo pejorativo para os homens, mas algo bom para as mulheres.

Na pré-história, mulheres obesas tinham o tipo físico ideal, pois significava que eram bem nutridas. As mulheres gregas evitavam expor-se ao sol - o bronzeado era considerado feio - e seus corpos eram mais cheios; seios pequenos; pele clara e cabelos longos. Além disso, o belo era definido também pelo intelecto e pelo estilo de vida que elas levavam.

Na idade média, a aparência não era importante - por ser considerada pecaminosa; o foco eram as características morais. Na época barroca, elegância era sinônimo de beleza - assim como roupas refinadas. No Romantismo, o bonito mesmo era ser triste e doente. Quanto mais palidez, olheiras e cabelos bagunçados para as mulheres - melhor.
Vaidade x Obsessão

Para alguns, isso pode parecer frescura e, até mesmo, exagero; mas, as doenças da beleza são reais e cruéis com as mulheres.

“Atualmente, vivemos a era do culto ao corpo - em que vaidade e obsessão são separadas por uma linha tênue e perigosa. É saudável e devemos, sim, ter o hábito de cuidar do nosso corpo e da nossa aparência; porém, a partir do momento que esses cuidados passam a ser excessivos, desgastantes, inflexíveis e trazem sofrimento, angústia e prejuízos, a situação deve ser encarada como um transtorno. Todo comportamento disfuncional deve ser considerado um problema” – diz a psicóloga Janaína Catolino.

Conforme Janaína, tudo começa gradativamente... De forma sutil e... De repente, o cuidado com o corpo acaba se tornando um vilão para a saúde e, muitas vezes, para a vida.

É através de pequenas situações cotidianas que podemos perceber que algo não vai bem, como: acordar muito mais cedo para se arrumar; sentir culpa quando faltar às aulas da academia ou quando consumir algo fora de sua restrita alimentação; recusar ou faltar a compromissos sociais por não se sentir bem com sua imagem; contar calorias de todos os alimentos; afastar-se de pessoas por medo de não ser aceito; enxergar defeitos que ninguém mais vê, entre outras.

 Esses sintomas vão se intensificando até o momento em que a pessoa sente que perdeu o controle e inicia métodos mais invasivos como o uso de laxantes e diuréticos, vômitos intencionais, jejum por longo período ou dietas desequilibradas. Por serem atitudes aceitas e esperadas pela sociedade, muitas vezes as pessoas demoram a entender e aceitar o problema
Sou mais eu

Há algumas décadas, uma mulher considerada bonita era aquela que esbanjava curvas. Ter um corpo mais cheio era sinônimo de beleza e força. Em 1954, Martha Rocha ganhou a faixa de Miss Brasil com um corpo curvilíneo. Será que hoje isso aconteceria?

Alessandra Marques, Miss Mato Grosso do Sul - Plus Size mostra que sim! Para ela, estarmos satisfeitas com nossa identidade é extremamente necessário para conseguirmos manter nossa autoestima elevada.

Não... O processo de aceitação não foi fácil. Essa transformação começou de dentro para fora; eu floresci! Fez-me perceber que nós, mulheres, independentemente do número da balança ou da medida do manequim, somos maravilhosas; e sempre terá alguém que nos olhe com aquele olhar apaixonado... Começando por nós mesmos!” - aconselha a miss.

A beleza é incrível; mas, principalmente, quando obtida no amor, na alegria, na cumplicidade, ou em qualquer desses sentimentos maravilhosos que preenchem a alma com o que de fato importa.

“Não fomos educadas para nos amar; mas, para competir e sempre sair melhor que o outro. Isso gera um desgaste muito grande e não temos tempo para olhar para nós mesmos. Precisamos ter o hábito de nos admirar, nos amar e nos aceitar” – acrescenta Janaína.

“Façam exercícios regularmente e sem exageros; comam menos comida industrializada pela própria saúde; mas, não percam suas vidas em sucos verdes e sopas. Permita-se a pequenos prazeres alimentícios. Não permita que lhes reduzam a números na balança. Nós somos muito mais que isso; nós somos essência... Conteúdo... Risos soltos”. 

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