Entrevista

Jovem que filmou morte de Floyd se muda e faz terapia por trauma

Darnella Frazier registrou o momento em que o ex-segurança era sufocado por policiais.

Bruna Taiski
03/06/20 às 09h18
Carlos Barria (Reuters)

A adolescente Darnella Frazier, de 17 anos, está traumatizada pela repercussão do seu vídeo que registrou a morte de George Floyd, um segurança negro asfixiado por um policial branco em Minneapolis. Segundo o site americano TMZ, Darnella e sua família se mudaram temporariamente e a jovem começou a fazer terapia nos últimos dias. O vídeo que viralizou foi feito no último dia 25. O caso então ganhou repercussão mundial e motivou uma série de protestos que seguem em curso nos Estados Unidos, chegando ao sétimo dia seguido ontem.

Apesar de o vídeo ter permitido todo um debate em torno da questão do racismo, Darnella vem sendo criticada desde que a publicação viralizou. A jovem é acusada de não intervir para tentar evitar a morte de Floyd. Além disso, também sofre com o assédio da mídia e o próprio trauma por ter testemunhado a violência.

Seth B. Cobin, advogado de Darnella, foi quem confirmou ao TMZ que a família preferiu deixar o bairro onde aconteceu o caso, já que eles moravam muito próximos ao local onde Floyd foi morto. Cobin também contou que a jovem começou a fazer terapia para lidar com o trauma, além de focar nas suas atividades escolares.

Darnella ainda tem convivido com a responsabilidade de ser testemunha principal do caso. Ela e sua mãe se encontraram no último sábado (30) com investigadores do FBI (Departamento Federal de Investigação) e autoridades criminais locais para dar seu depoimento. "Não é uma história fácil de se contar. Você está voltando para aquele lugar na sua cabeça e não é um jeito fácil de voltar. Foi emocionante para ela contar sua história e para todos nós ouvir", contou o advogado de Darnella sobre seu testemunho à polícia.

A jovem fez um desabafo nas redes sociais ainda na última quarta-feira (27). Ela questionou quem a acusava de ter divulgado o vídeo para atrair atenção ou ganhar dinheiro. Darnella também admitiu que teve medo enquanto filmava, por isso não pensou em intervir, e que sua ação pode evitar futuros casos parecidos como o de Floyd. "Se não fosse por mim quatro policiais ainda teriam seus empregos, causando outros problemas", disse Darnella no Facebook, lembrando que os agentes envolvidos na morte de Floyd foram demitidos - apenas um deles está preso.

O que aconteceu?

Darnella Frazier, que passava pela rua, sacou seu celular enquanto assistia horrorizada à cena em que Floyd, no chão de uma rua, algemado e desarmado, fica inconsciente sob a pressão do joelho de um dos policiais que o haviam detido.

Ao que parece, pouco antes, Floyd, que trabalhava como segurança em um restaurante, tentou fazer uma compra com uma cédula falsa de US$ 20.

No vídeo de 10 minutos, Derek Chauvin, policial branco de 44 anos que imobiliza Floyd, ignora as reclamações tanto do detido quanto das testemunhas sobre sua violência extrema. Seu colega de patrulha, Tou Thao, observa a cena impassível e trata de obstruir a visão das pessoas que transitam pela rua. Os dois policiais foram demitidos.

Darnella Frazier decidiu publicar seu vídeo nas redes sociais e as ruas de Minneapolis viraram palco de uma onda de protestos que se espalhou pelos Estados Unidos.

O flagrante dela foi visto mais de 1 milhão de vezes.

As palavras "Eu não consigo respirar", que Floyd repetia ao policial que o mantinha imobilizado no chão, se multiplicaram em cartazes e camisetas de manifestantes em protestos em Minneapolis como um lema contra a violência policial no tratamento a negros nos EUA.

Esta não foi a primeira vez que o policial Derek Chauvin se envolve em episódios violentos, segundo registros do departamento de polícia. Segundo a agência de notícias Associated Press, ao longo de 19 anos de carreira, Chauvin foi alvo de quase 20 queixas formais e duas cartas de reprimenda. A maioria foi arquivada.

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