O Ministério da Agricultura fez na última semana um balanço das amostras de sementes que brasileiros receberam com produtos que compraram na internet.
A análise identificou sementes de plantas ornamentais e frutíferas. Tem suculentas, rosas, orquídeas, limão, cerejeira e duas espécies ainda não identificadas. Todas vieram de países asiáticos, a maioria da China, sem que o destinatário tenha pedido.
Os cientistas também descobriram a presença de ácaros, fungos, bactérias e quatro tipos de ervas daninhas, que não existem no Brasil.
“O risco é desconhecido, e quando a gente trabalha com risco desconhecido, o alerta é máximo. Então é isso que a gente pede para a população. Não abra esse pacote, não plante esse pacote”, destaca José Luís Vargas, diretor do Departamento de Serviços Técnicos do MAPA.
Todas as sementes estão sendo analisadas pelo laboratório da Defesa Agropecuária de Goiânia, que é referência neste tipo de análise; 258 pacotinhos já foram recolhidos em 24 estados, além do Distrito Federal. E o trabalho não tem data para terminar. Todos estão sendo catalogados e classificados. A intenção é saber quais os riscos para a saúde e para o agronegócio
“Pode ser um risco de intoxicação. Existem sementes tóxicas. Como a gente não tem origem, não tem controle. É preciso ter precaução”, avalia José Guilherme Leal, secretário de Defesa Agropecuária do MAPA.
Há registros de sementes não encomendadas também nos Estados Unidos, Chile, Canadá e na Europa. O Ministério da Agricultura trabalha em parceria com autoridades fitossanitárias de outros países.
“Não pode ser curioso. Deixa toda a curiosidade para quem está fiscalizando, para quem está investigando o objetivo dessas sementes estarem chegando nas residências”, diz Sérgio Paulo Coelho, diretor de Defesa Agropecuária da Agrodefesa de Goiás.