Entrevista

"“Foi muito difícil ver a minha família sendo desrespeitada, ridicularizada"

Claudemberg vive pela fé e apesar de ter sofrido preconceito dentro da igreja acredita no poder do perdão.

Bruna Taiski
09/12/20 às 07h04

Um dos movimentos sociais que mais ganhou proeminência nos últimos anos foi o da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros).

Leis e decisões judiciais como o casamento civil igualitário, a utilização do nome social e o reconhecimento de direitos previdenciários para casais homoafetivos, garantiram avanços recentes para esses grupos, apesar de ainda haver muito a se conquistar.

“Eu perdoo vocês de todo o meu coração, e, espero que sejam mais humanos. Estão todos perdoados”.

Fé e discriminação

O professor de História, Filosofia, Sociologia, poeta e ativista pelos Direitos Humanos, Claudemberg Michael Lima Costa, vive pela fé e apesar de ter sofrido preconceito dentro da igreja da cidade onde residiu em Santo Anastácio no interior de São Paulo, acredita no poder do perdão. Em 2014, o professor foi vítima de homofobia e foi humilhado após ter se assumido homossexual. “Me senti reduzido a minha sexualidade. Minha história, contribuições e minha fé de nada valeram”, comenta o professor.

A história teve repercussão nacional depois que o padre Júlio Lancellotti, monsenhor e pároco da Igreja São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, mandou para o jovem uma mensagem de acolhimento em uma das suas missas transmitidas na internet. “Ninguém pode achar que homofobia vem de Deus. Atenção Padres e pessoas que humilham LGBTs. Isso é crime!”. O Padre Lancellotti, é bastante conhecido em todo o Brasil por defender grupos tidos como “minoritários”.

Claudemberg Michael contou que na época foi muito difícil, pois foi repreendido nas celebrações e outros eventos religiosos, sendo exposto, muitas vezes, a atos vexatórios. “Foi muito difícil ver a minha família sendo desrespeitada, ridicularizada. Nós tivemos pessoas ditas ‘amigas’ que se afastaram da gente depois desse fato”, conta.

Mesmo com o ataque, o professor posicionou-se como um verdadeiro cristão e perdoou quem o discriminou. “Ninguém nasce odiando uma pessoa... A gente aprende a odiar! E se a gente pode aprender a odiar, a gente também pode aprender a amar”, diz.

“Eu perdoo vocês de todo o meu coração, e, espero que sejam mais humanos. Estão todos perdoados”, completa.

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