Entrevista

Família Cavallini - Dos sonhos às conquistas do casal bem-sucedido

Forças opostas, mas complementares. Por dentro da intimidade, segredos e sonhos desse casal tão diferente...mas repleto de amor.

Bruna Taiski
04/01/19 às 08h35
Família Cavallini: Dos sonhos às conquistas do casal bem-sucedido (Luana Francis)

“A outra metade” por mais clichê que seja o termo, nessa história tem um marco. Não estamos falando de pessoas incompletas, na verdade eles são mais do que inteiros e se acrescentam. Vitor Hugo Cavallini e Ludmilla Cristina Depieri Cavallini – ambos com 37 anos - estão juntos há dez anos e casados há sete. Do casamento, nasceu o filho Enrico – com apenas três aninhos. Ele é médico; ela é cirurgiã dentista, e em comum, a paixão pelo filho, pela profissão, e um pelo outro.

Ludmilla recebe a equipe da Gente na sala de jantar da família. A árvore de natal ilumina o cômodo, ela nos diz orgulhosa “Sempre quis uma árvore grande como essa, o Enrico adora ajudar a decorar”; Vitor Hugo nos cumprimenta e senta-se ao lado da esposa. É assim que a família adora passar o tempo...sempre perto. “Nós somos três em um. Onde um está, estão os três. Nós temos um lema que onde cabe um cabe o outro!”

Claro, há muitas diferenças entre eles – e não pense que isso é ruim - é o que torna o amor autêntico. A chave está na aceitação do outro como ele realmente é, sem exigir mudanças. Vitor e Ludmilla são equilíbrio “a estressada e o calmo”, como os próprios rotulam entre si.

“Se ela põe um negócio na cabeça, não adianta, é aquilo lá e acabou. Se ela fala que aquela porta ali conversa, você não vai teimar que ela não conversa! Eu já sou mais tranquilo.”

“Sou nada...sou calma” – rebate a esposa, rindo.

Ludmilla destaca que Vitor ama estar rodeado pela família, os amigos, e que reuni-la é o que ele mais gosta de fazer.

“Quando nós fomos casar, mandei fazer convites três vezes, porque cada hora ele aparecia com um tanto de convidado. O prazer do Vitor Hugo é estar em casa, fazendo churrasco, chamando os amigos, a família.”

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Desde crianças

Pelas ruas de Osvaldo Cruz (SP), na companhia dos amigos, ele brincava e se encantava com as ambulâncias que passavam. Sua infância foi como todas as outras, a diferença é que gostava do ambiente hospitalar, não fazia “birra”, nem “choro”, ainda criança sabia que aqueles corredores fariam parte da sua vida. Filho de Marisa e Dirceu, Vitor Hugo recebeu uma educação rígida dos pais, um dos grandes pilares que o fez chegar onde está.

Infelizmente o pai, senhor Dirceu, deixou este plano material aos 51 anos, Vitor Hugo estava com 17 e a irmã Mayara com 12 anos. Os irmãos se apoiaram no colo da mãe protetora, dona Marisa. “Minha mãe batalhou muito, foi mãe e pai. Ela foi literalmente uma heroína.”

Do fascínio às brincadeiras, o sonho em ser médico foi concretizado oficialmente em 2005 na UNOESTE de Presidente Prudente. “Ter contato com as pessoas, fazer algo por elas, me aproximou mais dessa profissão.” Ele também se especializou em cardiologia e cardiologia intervencionista em São José do Rio Preto, cidade onde conheceu a sua “outra metade”.

Assim como Vitor Hugo, Ludmilla nasceu para o que faz. Esposa companheira, mãe dedicada e realizada com a profissão; ela passou a infância criando aparelhos ortodônticos “de mentirinha” para as bonecas, a explicação para a paixão é simples: “Sempre gostei de sorriso”.

E sorrisos nunca faltaram em sua casa - em São José do Rio Preto - a família, composta pelos três irmãos Júlio César, César Augusto, Marsal, e os pais José e Aparecida, resumem-se em laços fortes, mesmo que não sejam sanguíneos. Marsal foi criado por Aparecida aos 13 anos, criado como um filho e considerado irmão de coração por Ludmilla.

Empenhada, se aprofundou nos estudos durante anos e formou-se em Odontologia em Santa Fé do Sul, no ano de 2003, também acrescentou ao currículo a especialização em periodontia e prótese. “A faculdade é uma das melhores épocas da vida da gente, não temos tanta preocupação, só estudar, foi o que fiz.”

(Luana Francis)
A realização...

Mas toda história tem seu começo não é? Pois bem, a deles começou em 2008, o cenário é o hospital de São José do Rio Preto, onde Vitor fazia residência de Cardiologia Intervencionista e Ludmilla acompanhava a mãe. O amor foi a primeira vista – sim, ele existe! – como recorda Ludmilla. O sentimento intenso resultou em um namoro sólido.

A vinda para Três Lagoas motivou o noivado, Vitor recebeu o convite para ser um dos pioneiros de cardiologia intervencionista no município. “Você vem comigo?” foram três palavras ditas à Ludmilla, tão importantes quanto um “eu te amo”. Por fim – ou o início de tudo – a amada aceitou a proposta e o anel de noivado.

“Um ano antes de nos mudarmos, nós nos programamos e ficamos noivos. Após ficar um ano e meio na cidade, arrumamos a parte financeira para o casamento.” - lembra Vitor.

“Ele dizia ‘Nós só vamos quando nos casarmos’, marcamos a data, trabalhamos horrores para poder pagar essa festa e então nos casamos.” – afirma Ludmilla.

A espera e os momentos de ansiedade valeram a pena, o casal realizou a cerimônia dos sonhos, cercados de pessoas que amam. Com emoção, ele recorda o momento em que ela entrou no altar. “A sensação de vê-la no altar...foi trêmula, mas muito boa...Fiquei bastante emocionado. É um divisor de águas, o início da construção de uma família”.

“Penso que tem duas sensações na vida que toda mulher deveria sentir...A de casar e a de ser mãe. São duas sensações diferentes, porém inexplicáveis...únicas.” – completa a esposa.

Melhor da vida

Falando em maternidade, não há como citar o casal sem falar do pequeno elo de amor, nomeado “Enrico”. Apesar das noites sem dormir, fraldas para trocar, hora de amamentar, tudo é secundário quando recordam o momento em que o viram nascer. “Sei o dia, o mês, a hora...Foi tão esperado, tão desejado, que nós vivemos intensamente esse dia.”

Ela relembra cada detalhe, diálogo e sensações e ainda entrega o papai “babão” e “coruja”.  “Quando contei ao Vitor Hugo, ele saiu contando para todos que encontrou...Ele saiu espalhando para Três Lagoas inteira que eu estava grávida” – diz entre olhares e risos. 

A forma com que o papai recebeu a notícia foi criativa e emocionante – dessas histórias que vemos por aí e seguramos as lágrimas -. “Eu contei entregando um presente. No dia eu acordei mais cedo, passei no laboratório, peguei o teste, comprei um bodyzinho escrito ‘Eu te amo’, coloquei o teste de gravidez e levei para ele no consultório. Ele olhou para a sacola curioso...abriu e quando viu o exame de sangue começou a chorar” - conta emocionada.

“O Vitor Hugo sempre gostou de ganhar presente”, pontua Ludmilla. “E eu também!”, sussurra Enrico que estava “escalando” o colo do pai.

“Um sonho realizado. É uma sensação – lógico – muito preocupante também. Porque é um serzinho que depende de você. A vida muda da água para o vinho, são outras atitudes, outras situações.” – completa Vitor.

Enrico nasceu no dia 09 de junho de 2015, às 07h22 da manhã. Próximo ao aniversário da mãe, dia 05 de junho. É fato, a vida muda após o nascimento de um filho...Conforme o casal, mudou para melhor. “É tudo corrido, mas procuro ao máximo ter esse tempo para brincar, ficar com ele, principalmente no final de semana. Tento ser o mais presente possível. É sempre com o Enrico. Desde que ele nasceu a gente só sai com ele, onde vamos sempre o levamos”, diz Vitor.

“Temos o hábito de comer os três juntos sempre. Todos os dias sentamos, almoçamos, para ele saber o que é uma família.”, completa Ludmilla.

Os próximos parágrafos serão poucos para descrever essa relação, não existem palavras, frases, textos que façam jus ao sentimento de ser pai e mãe. “O amor mais dolorido da face da terra. É um amor que eu não sei descrever.”

“Só quem é pai e mãe entende, quem não tem sabe que é maravilhoso, mas não entende a imensidão. É um amor incondicional.”

Apaixonado pela música, Enrico é uma criança prodígio, tem um diálogo excepcional para a idade. Após a entrevista ele se comunicou, questionou a nossa equipe como um “mini” adulto. Os pais afirmam, além de esperto, ele é muito afetuoso com todos. – a Gente sentiu o mesmo.

“Ele dorme com a gente, não tenho pressa de tirá-lo também. Tudo tem sua hora. É um momento tão gostoso, tão ímpar, para curtir ele. Ele também se sente mais seguro.” – conta Vitor Hugo. 

(Luana Francis)
Intimidade

No momento de descontração, questionamos a vaidade do doutor, sempre bem vestido, apresentável. Logo Ludmilla nos deu a deixa “O Vitor Hugo me fala se ele fosse mulher, iria ter um pescoço gigante para caber mais colares, de tão vaidoso que ele é.” – rimos.

Vitor explica que passou por muitas vontades, e uma fase complicada financeiramente. “O grupo de amigos da faculdade era um grupo muito rico, com carro do ano, tênis do ano. Eu passei minha faculdade com três calças brancas, duas camisas brancas...a faculdade inteira do primeiro ao sexto ano. E feita ainda, por costureira, não era comprada em loja. A faculdade não era barata...Eu trabalhava com monitoria para pagar alguns cursos lá dentro e comprar livros, materiais” – revela.

Questionei à eles “Preciso perguntar qual é o mais vaidoso?” Ambos rebateram. “É ele!”, “Não, é ela!”. Acredite, não é difícil sentir essa sintonia entre os dois.

Vitor Hugo e Ludmilla, apesar de não ser um casal que está junto há mais de vinte anos, se completam por uma ligação extraordinária. Que ao se olharem sabem o que pensam e sentem. São dois corações na mesma sintonia, duas almas vivendo com o mesmo propósito: ser feliz e fazer o outro feliz.

“A gente se conheceu em um corredor de hospital e estamos juntos até hoje. Nunca mais nos largamos, então eu não me imagino sem ele, acho que nem existo sem ele.”

“A Ludmilla é meu alicerce, também não consigo me imaginar sem a companhia dela, tem coisas da minha vida que só ela sabe, é tudo ela quem resolve. As duas metades mesmo, um completando o outro, devidamente em seus espaços.” – finaliza Vitor.

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