Entrevista

'Ele me torturou com a peixeira por três horas e meia', relata mulher agredida na frente dos filhos

Filho gravou trabalho de faculdade sobre violência doméstica e usou a mãe como personagem para incentivar as denúncias contra agressores

Hojemais - Beatriz Rodas
19/03/18 às 07h58
Edna Ferreira com o filho, Roberto (Arquivo pessoal)

No Brasil, a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima de violência física - segundo informações do Instituto Maria da Penha. Em 2013, morreram 13 mulheres por dia vítimas de feminicídio, e cerca de 30% foram mortas por parceiro ou ex.

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Dados mundiais e nacionais assustam mas ainda fazem com que, quem não passou por isso ou não assistiu de perto, ache que é uma realidade distante da que vivemos. Mas não é.

Em entrevista ao Portal Hojemais, o estudante de Comunicação Social - Roberto Ferreira, de 22 anos - contou sobre o que sua mãe passou em casa e o que o motivou a usá-la como personagem em um trabalho audiovisual da faculdade.

O caso Edna

Edna Ferreira Bezerra, 45 anos, mãe, três-lagoensee vítima de violência doméstica. Ela é a mãe de Robertinho - como é popularmente conhecido - que se abriu para um trabalho de faculdade do filho relatando a rotina de agressões que sofria pelo ex-marido, na frente dos filhos.

O filho permaneceu ao lado da mãe durante todo o processo do trabalho e se manteve forte, pois sabia que o resultado poderia ajudar outras mulheres a ter coragem de denunciar ameaças e agressões que poderiam resultar em fins trágicos.

“Foi algo que eu não imaginei que iria doer tanto. Eu revivi a dor. Eu sentia a dor dela. E eu acho que esse foi o 'X' do trabalho. Trabalhei com a verdade e com um sentimento tão doloroso, fiz ele se tornar uma mensagem de incentivo para mulheres que passam pela mesma situação e eu amei o resultado final. Porém, até hoje eu não consigo assistir inteiro. Ainda dói muito”, afirma Robertinho.

Edna conviveu com a violência desde a infância. Por isso, quando se casou considerava ‘comum’ ser agredida pelo marido. “Não tínhamos o que comer e o que vestir e ainda tinha a violência do meu pai, por isso casei cedo. Na primeira semana de casamento eu já apanhei e aquilo para mim era normal, porque eu via na minha casa quando eu era criança”, relata.

Ela relembra que o agressor a tratava com submissão e por diversas vezes a humilhava. “Teve vezes em que pedi para Deus me levar daqui, porque eu não queria mais apanhar. Ele nunca me via como mulher dele, ele me via como escrava, então eu tinha que trabalhar e aguentar ele me xingar, ele me humilhar, ele me bater... Eu cheguei a denunciar, mas nunca fizeram nada. No início eu tinha muito medo de ele me matar”.

Rotina de muitas

O caso Edna serve não só para mostrar a dor e a angústia de sofrer violência doméstica, mas para exemplificar que o crime é, constantemente, intrínseco na rotina de mulheres.

Edna acabou tornando-se personagem de um documentário, e sua história chegou até a Gente e ao Portal Hojemais; mas enquanto você lê, uma mulher é agredida e precisamos ter consciência - e atitude - sobre isso.

Violência doméstica, agressão (física e verbal), feminicídio, opressão... Não são restritos às manchetes de jornais e títulos de portais de notícias, são realidades. Existem muitas 'Ednas' que ainda não denunciaram.

Com informações de Bruna Taiski, jornalista do Portal Hojemais.

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