Nós a conhecemos do ‘ao vivo’ no Facebook; de notícias que sensibilizaram a cidade e de sua voz marcante no rádio. Ela é um dos nossos furos de reportagens e, após contar histórias por mais de vinte anos, hoje a Gente é quem conta a dela. Já descobriu quem é?
Estamos falando da Aurora Villalba – mãe de Ruan Benhur e Emerson Júnior e avó de Alice. Aurora nasceu em Três Lagoas, no ano de 1976 – época em que Chico Buarque lançava a música ‘À Flor da Terra’ - repetindo o trecho ‘O que será, que será?’ - com Milton Nascimento. O pai, Walter Aparecido Ribeiro, 86 anos, era ferroviário e a mãe, Maria José Ribeiro, 83 anos, dona de casa. Sua infância foi tranquila - com boas recordações - humilde nos bens materiais e grandiosa na aproximação com os pais. “Sempre fomos uma família simples; mas, meu pai nunca nos deixou passar por privações. Além de ferroviário, ele fazia outros trabalhos. Éramos humildes, mas felizes”.
Foi o próprio pai quem a incentivou para o mundo jornalístico; o primeiro contato foi um acaso que se transformou em paixão. Aos 13 anos, Aurora foi entrevistada por uma rádio local; os poucos minutos transmitidos foram suficientes para despertar a atenção dos radialistas.
“Meu pai é diácono da igreja católica; o radialista Adão Bone foi procurá-lo para falar sobre a festa da Igreja Santa Luiza e ele não estava; acabei falando por ele. Na época, a saudosa Delcina Rosa – in memorian - se interessou pela minha voz e quis saber quem eu era”. Custou para que o senhor Valter convencesse a filha a ir para as rádios; quando ela finalmente cedeu e entrou no estúdio de gravação... Encontrou um ‘eu’, antes desconhecido. “Lá eu fiz de tudo: programa sertanejo; musical; noticiário; substituí a Delcina, algumas vezes - o que, para mim, foi sensacional. Eu me encontrei no jornalismo; percebi que era o que eu realmente queria fazer”.Apesar de as mulheres serem maioria no jornalismo brasileiro, são os homens que ocupam as posições de maior importância e prestígio. Assim como outras jornalistas, Aurora é uma das poucas exceções da área - ela diz orgulhosa: “Sou mulher; jornalista e negra”.
“Não tinha quase nenhuma mulher na profissão. Eu tive muita sorte; sempre falo isso. Porque eu fui observada por uma pessoa com bastante criatividade e conhecimento - dentro do rádio e da comunicação. Meus colegas também nunca me faltaram com respeito; sempre me ajudaram, me inseriam. Era estranho estar no meio masculino; mas, nunca me senti preterida”.Quanto ao preconceito, os pais a criaram para ter orgulho de suas origens e ensinaram-lhe o valor do respeito. “Eu sempre me impus; sempre fui uma pessoa muito forte. Meus pais me ensinaram que eu tinha de me respeitar primeiro e ter isso bem resolvido na minha cabeça. Nunca deixei que as pessoas me faltassem com o respeito”.
De entrevistadora à entrevistada, Aurora revela que está em seu melhor momento; para ela, as histórias de sofrimento foram combustíveis e aprendizado para se tornar uma pessoa mais forte. Hoje permanece a gratidão ao presente e sentimentos positivos sobre o futuro.
“Antes eu não tinha tempo para mim; mas, sempre há um tempinho para nós, não é mesmo? Cuido-me bastante; emagreci 20 kg e estou em um momento muito bacana comigo mesma, com minha imagem, com meu corpo. O caminho foi árduo; mas, nele encontrei uma das minhas melhores versões” – finaliza.