Entrevista

Douglas Henry Borges - O sonho que virou negócio

“Com o tempo eu vi que vocação já nasce com a gente.”

Beatriz Rodas
19/07/18 às 16h56

Quando o assunto é empreendedorismo, os profissionais liberais dificilmente serão a primeira lembrança. Agora... Imagine como seria a vida profissional de advogados, médicos, fotógrafos, psicólogos e, até jornalistas, se não tivessem a mínima noção de gerenciamento de tempo, tarefas, compromissos, agenda, finanças, parcerias... Com certeza, não seriam carreiras de bases sólidas ou boa administração, já que cada um tem de ser um empreendedor nato. Aqui conhecemos, então, a vida de Douglas Henry Borges - médico pneumologista que compartilhou com a Gente como construiu sua carreira e toda a sua história.

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“Eu tinha um sonho”

A primeira dúvida: por que fazer o que faz? O motivo é quase inato na vida do médico. “Eu sempre falei que iria ser médico - desde bem pequeno, mesmo. Eu me lembro de que, em Cassilândia, cidade onde nasci, no caminho da escola onde eu estudava tinha um hospital e, quando eu voltava, passava por lá, ia ao final do corredor e ficava no vidro do centro cirúrgico assistindo partos e cirurgias. Sempre que eu ia brincar com aqueles carrinhos, na infância, fazia um hospital que era onde eu trabalhava. Sempre fui assim” - conta.

Aos 16 anos Douglas foi para Araçatuba estudar e se preparar para os vestibulares que viriam. Sofreu com o choque de realidade do ensino; mas, como sempre foi empenhado com o que queria, passou direto no terceiro ano e ingressou na vida de vestibulares. Prestou dois. Não passou. E agora? Cursinho pré-vestibular. E então mudou para Três Lagoas junto com a família.

Aqui começa o que ele chama de ‘lição de vida’. Douglas conta que não tem atalho para a Medicina. É difícil mesmo e demanda sacrifícios – ainda mais em seu caso que, sem muita condição financeira, tinha de passar em uma universidade pública. Aos 18 anos partiu para o ‘tudo ou nada’, pois foi estudar em Campo Grande com a promessa de seu pai de que, se não passasse no vestibular, ganharia um ferro-velho em Três Lagoas para administrar.

“Então eu fui, com toda a minha expectativa no cursinho, acreditando que seria o último. Administrar ferro-velho é um ótimo negócio, mas não era o meu sonho. Então eu me mudei sabendo que era tudo ou nada. Ou eu passava, ou eu passava”. No fim do ano, prestou o vestibular, esperou a correção das provas, comprou o jornal para checar a lista de aprovados e... Não foi desta vez. Ligou para o pai para dar a notícia já avisando, de antemão, que ia para Porto Alegre (RS) estudar em uma escola de aviação – sua outra paixão – e os pais, com medo do perigo e sabendo que Douglas é apaixonado por aviões, negaram de imediato e sugeriram mais um ano de cursinho. Douglas mudou-se para Florianópolis (SC).

“Nesta época, eu ia para a aula, voltava e passava o resto do dia assistindo televisão. Aí, um dia, um dos colegas de apartamento, que já estava no 5º ano de Medicina, chegou da aula... Passou pela sala... Passou por nós umas três vezes, e eu continuava lá, em frente à TV. Foi quando ele parou e deu uma bronca histórica [que nem convém citar] em mim e no meu outro colega de apartamento”. O comentário o marcou de tal forma que Douglas estudou o semestre todo sem pausa, sem festas e sem descanso; e nunca mais procrastinou os estudos. O resultado? Bom, aqui você já deve imaginar. Foi aprovado em 13º lugar na Universidade Federal de Santa Catarina.

“Mas, o que eu quero dizer com tudo isso, com toda essa história dos anos de cursinho? Sou muito feliz com a minha formação, a realização de um dos maiores sonhos da minha vida; a Federal de Santa Catarina é incrível, e eu sou muito grato por ter me formado lá. Agora... O que teria acontecido se eu tivesse estudado mais nos anos anteriores? É esse o conselho que eu dou aos jovens que sonham em cursar Medicina: não é fácil... Então, estudem. E estudem de verdade. Não desperdicem seu tempo”.

Vocação

“Medicina dá dinheiro”, dizem por aí. Mas o pneumologista reitera que, se não houver paixão de verdade e não for vocação, a profissão não decola. “Quantas e quantas vezes eu extrapolei as consultas, madruguei em plantões... Eu não tinha noção que estava indo além do que deveria; mas, quando eu estou trabalhando fico totalmente centrado em resolver os problemas que aparecem, desvendar aquilo que o paciente está me trazendo. Não sei virar as costas para um paciente e entrega-lo nas mãos de outro médico. Com o tempo eu vi que vocação já nasce com a gente. Foi o que me fez estudar e passar; e é o que me mantém na Medicina diariamente”.

O presente

Aos 48 anos, apesar de cassilandense, Douglas se considera um três-lagoense de coração. E fala de sua vida profissional e pessoal com vislumbre... Um brilho nos olhos. O médico é resultado de suas escolhas. No segundo ano de faculdade já auxiliava médicos experientes e aprendia, na prática, sobre a profissão. Formou-se já com experiência e em seu primeiro ano de trabalho, juntou dinheiro e deu um carro “0 km” para o pai.

Sim. Ele não pensou em realizar algum desejo ou comprar algo para si mesmo. “Para mim foi um prazer dar o carro de presente para ele. Eu sou o que sou porque meus pais sempre estiveram ao meu lado, apesar de tudo. Se não fosse pelo apoio que recebi deles, não teria chegado nem à metade do caminho que trilhei”.

É importante ressaltar que o médico é um empreendedor nato. Determinado, corajoso e desbravador. Tanto que escolheu construir sua carreira no interior e com esforço próprio.

Além de médico, é um maridão e, também, paizão. Casado com Ana Maria Ribeiro Borges, Douglas sempre sonhou com a paternidade. Ele e a esposa, desde que se conheceram, falavam sobre filhos – um sonho em comum. Hoje, são pais de Isadora - de 10 anos e de Arthur - de sete – seus sonhos realizados. Por trás do médico, marido, pai, amigo, aviador... Há um homem dono de muita determinação e paixão pelo que faz. Alguém que soube lidar com os aprendizados para construir uma carreira sólida em que, hoje, temos o privilégio de nos inspirar.

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