"O que tem valor de verdade é o que não se compra e ninguém pode nos tirar." - Joaquim Romero Barbosa
Normalmente, uma matéria de capa começa pelo início da história de quem estamos falando, ou por uma frase dita que defina bem a pessoa, não é? Se você é leitor fiel da Rara Gente sabe que aqui é onde começaríamos a esboçar a história de quem foi eleito para estampar a capa desta edição e carrega a responsabilidade de representar as doze histórias de sucesso que contamos a você.
Bem... Nesta edição vai ser diferente, porque começaremos pela metade da entrevista. Ele pediu licença, levantou e saiu. Voltou minutos depois com uma latinha de cerveja popular, ofereceu educadamente, sentou-se de volta à sala de estar onde estávamos e continuou respondendo às perguntas abertamente, pondo à mostra o ser humano que é. Acima do empresário e profissional – dos supermercados Nova Estrela, da Estância JS e da Marina JS – que já conhecemos: o pai, o marido, o filho, o amigo, o companheiro... O homem.
Podia ser uma cerveja alemã importada, escolhida a dedo – típico de um clássico degustador – para o final da tarde de uma quinta-feira? É aí que se engana. Além de inteligente e excelente empresário, sua simplicidade vai desde o falar até a escolha de itens materiais. Colocamos em voga e falamos, então, da história do homem que é, de longe, um dos maiores exemplos da célebre frase deixada por Santo Agostinho: “A humildade é a chave que abre todas as portas”.
Conhecer pessoas é bom, mas isso nós fazemos diariamente. Ter acesso ao mais profundo de suas histórias e poder nos inspirar em suas experiências é ainda melhor. Fique conosco até o fim e conheça quem é, verdadeiramente, Joaquim Romero Barbosa.
Ele é empresário, marido, amigo, irmão... Mas, entre inúmeras funções, vamos introduzir com quem é o pai. Muito do que ele é em sua paternidade diz respeito às demais características dos outros pilares de sua vida. Ele e Adriana Barbosa Sanches – sua esposa – têm quatro filhos. Sarah - de 21 anos; Joaquim Pedro - de 18; Sophia - de 11 anos e Anna Isabel, a caçula, de nove aninhos. E esse pai está longe de ser o tipo “durão e exigente”. Joaquim – de 56 anos - está mais para brincalhão e sempre presente. Para tudo.
Adriana tem 49 anos – e foi nossa cúmplice durante a entrevista – contou que “às vezes, o pessoal que trabalha com a gente presencia cenas dele com os filhos e depois vêm comentar comigo que não imaginavam que ele fosse assim, brincalhão como é. No começo da nossa vida o trabalho ocupava muito o tempo dele. Não delegava funções; resolvia tudo. Não tinha o hábito de sentar à mesa para tomar um café da manhã, almoçava correndo... Com o tempo, aconteceram algumas mudanças – para melhor – e hoje temos um acordo: nosso trabalho fica do portão para fora de nossa casa. Mas, apesar de tudo, ele sempre foi presente e brincalhão” - enquanto Joaquim, ao lado, balançava a cabeça em sinal de concordância.
E acrescenta: “Ele fechava o caixa do mercado no horário de almoço. Então ele comia rápido, mal engolia a comida e ia para a sala. Sentava no chão e lá mesmo fazia a contabilidade de tudo, em cima do tapete. Na época a Sarah era bebê, então eu sentava com ela no tapete também e nós ficávamos lá, assistindo ele ‘trabalhar’. Esse era até um jeito de conseguirmos passar um pouquinho mais de tempo juntos”.
Joaquim é aquele pai-amigo. Tem facilidade para dialogar com os filhos; conversa abertamente, respeita cada fase que estão vivendo... Por ser pai de quatro, viveu – e vive – cada fase de perto e afirma que mais aprendeu do que teve oportunidade de ensinar. Sarah e Joaquim Pedro já não estão mais debaixo de suas asas. Os dois se mudaram para São Paulo para estudar; Sarah em 2011 - aos 14 anos e Joaquim, em 2016 - aos 15. Sophia e a caçula Anna Isabel permanecem grudadinhas sob os olhos dos pais, mas por pouco tempo, acredita? Sophia, apesar de ainda ter 11 anos, já demonstra interesse em sair da cidade para estudar também.
Todos os quatro estudam bastante. Esse é o pilar que Joaquim mais reforçou em sua educação. “Todos eles já perceberam que o estudo é essencial. A Sarah, desde cedo, já foi estudar fora e até a Anna Isabel, a mais novinha, já toma iniciativa e faz as tarefas da escola sem reclamar. Todos eles são assim. Eu e a Adriana ensinamos isso e todos já aprenderam desde criança. Porque eu sempre digo que crianças têm duas oportunidades de serem bem-sucedidas na vida: ou ganham herança ou estudam muito. A segunda é melhor, porque ‘estudo’ é a única coisa que ninguém pode tirar de você” - ressalta Joaquim.
E segue: “Nós não medimos esforços para eles estudarem. Se precisar fazer curso do outro lado do mundo, sair correndo para estudar, vender a roupa do meu corpo para dar as melhores condições para eles... Se for preciso mover os céus pelos estudos, nós faremos. Isso ninguém tira”. Joaquim Pedro foi consultado durante a entrevista para responder uma pergunta que, segundo Adriana, era melhor que nenhum dos dois respondesse: o que Joaquim não faria de modo algum? O filho respondeu: “Roubar e ser desonesto” - e a mãe acrescentou: “Esse conhece o pai que tem”.
Seu maior hobby, aos fins de semana, é ir para a estância de sua família, tomar a sua cerveja, passear de lancha, pescar... Mas, isso aos fins de semana. No dia a dia é estar com a família. Estejam dois ou quatro filhos em casa, à noite vão todos para o quarto do casal e ele diz: “Vamos fazer bagunçaaa...” - como conta Adriana. Dialogar sobre as experiências, contar como foi o dia, compartilhar ideias e opiniões com a esposa; ligar para os filhos à noite... Detalhe: Sarah e Joaquim Pedro moram juntos, mas ele liga para os dois separada e religiosamente. Cultivar momentos. Esse é seu hobby diário.
E quando os quatro filhos estão aqui, em Três Lagoas, reunidos em casa? É só festa. “O Joaquim, durante o almoço, pega alguma coisa do prato dele e joga no que estiver mais distraído à mesa. Então, o outro pega um osso de frango e joga nele por vingança. Pronto... aí começa a guerrinha de comida na mesa. Agora... Imagina só, seis pessoas numa mesa, jogando comida e vendo quem acerta mais. Eu enlouqueço, mas é muito engraçado” – relata, enquanto Joaquim estava com a mão na testa e rindo, como quem pensava ‘por que ela foi contar isso?’.
A história entre ele e Adriana Sanches começou durante as trocas de olhares quando se encontravam esporadicamente – fosse numa roda de amigos em comum ou quando Adriana ia ao mercado. Talvez seja por isso que têm um relacionamento de sucesso e estejam juntos e fortes até hoje; seu relacionamento foi construído na vida real, olhos nos olhos... Cumplicidade, diálogo, parceria.
Juntos são uma dupla imbatível, seja nos negócios ou na família. Hoje eles somam 22 anos de casamento e história. Além de marido e mulher, são muito amigos. Há 22 anos compartilhando projetos de vida, a formação de quatro pessoas, seus sonhos e, claro, a parceria de sempre.
A única parte que desequilibra a balança é a escolha dos nomes dos filhos. Acredite se quiser: Joaquim escolheu tudo sozinho! “Claro que eu conversei com ela antes de registrar e ela concordou com todos. Mas, se não concordasse, também... [risos]”. Sarah é em homenagem à sua mãe – Sarah Romero Barbosa. Joaquim Pedro é a junção de seu nome ao nome de seu pai; mas, o avô de Adriana também se chamava Joaquim.
A Sophia é uma exceção. Ela veio ao mundo quando Adriana acreditou que não conseguiria mais ser mãe, devido a alguns problemas de saúde. Ela ia se chamar Anna Isabel, nome da avó de Joaquim. Mas, deixaram-me escolher. “E, por último, Deus foi generoso com a gente e nos presenteou com a doce e meiga Anna Isabel. Que é, inclusive, a mais grudada no Joaquim. Uma verdadeira ‘filha caçula’” - conta Adriana.
Ele é, de longe, líder nos rankings do otimismo e da alegria de viver. Uma das características mais fortes que tem em comum com seu pai. E contou para a Gente, inclusive, uma história que descreve muito bem o modo como enxerga a vida. “Uma vez aconteceu uma chuva muito forte - uma tempestade - e arrancou o teto de uma máquina de arroz que o meu pai tinha. Os funcionários ficaram todos desesperados. Não podia entrar água dentro da máquina, senão estragaria todo o arroz. Estavam todos desesperados e acharam que meu pai ia ficar desesperado também, por causa do prejuízo. Então ele chegou... Olhou para a máquina... Olhou para o céu, que estava à mostra, já que o teto tinha caído... E disse: ‘Olha que bonito; agora tem até estrelas pintadas no teto da máquina’”.
Para ele, não vale a pena olhar as situações da vida de uma maneira ruim. A rotina em si já nos coloca perante tantas circunstâncias e só nós temos o dom de contorná-las da melhor maneira possível. Então, ao lado de Joaquim não existe tempo ruim, nem reclamação... Que dirá aflição. Ele é aquele legítimo “de bem com a vida”, que considera sempre os pontos positivos do que acontece. Se foi bom... Alegria. Se foi ruim... Aprendizado. E é contagiante!
Ser uma pessoa ‘de fases’ não quer dizer ‘ser inconstante’, mas levar em consideração que a vida é dividida em ciclos. Você não é o mesmo de dez anos atrás, nem será o mesmo daqui a dez anos. Opiniões, manias, aprendizados...
A vida é cíclica, por mais metódica que a levemos. Joaquim acredita muito nisso. No ramo dos negócios, na vida dos filhos, em seu casamento, na paternidade, na sociedade. “Eu acredito que tudo nessa vida é fase porque eu mesmo tive minhas fases. Hoje, estou vivendo uma fase diferente de todas que já vivi antes. Meus filhos também. A Adriana também. Tudo é questão de fase”.
Ele contou para a Gente uma dessas fases – ou, talvez, uma das mais difíceis pelas quais já passaram. Na mesma época em que Sarah mudou-se para São Paulo, aos 14 anos, para morar longe dos pais e estudar, sua esposa descobriu que estava com câncer; Sophia e Anna Isabel eram pequeninas e Joaquim passava por um momento decisivo nos negócios. Tudo de uma só vez. “A criança que fez todo o ensino fundamental em Três Lagoas e vai para um grande colégio de São Paulo sofre muito. É muito puxado. Muito mesmo. E esta época, especificamente, foi muito difícil para todos nós. A Sarah adolescente indo morar sozinha; a Adriana com a descoberta do câncer; as meninas muito pequenas...”.
“Mas foi fase também. Foi difícil? Foi... Bastante. Mas, foi fase. Para mim, para a Adriana, para a Sarah... Adriana achava que o câncer não teria cura; as pessoas a encontravam na rua e já falavam das crianças como se fossem ficar órfãs; a Sarah chorava e sofria sozinha em São Paulo; mas, eu não me abalei. Continuei otimista, porque sabia que eram fases e que iriam passar. E passaram. Ainda extraí o melhor de tudo aquilo que a gente passou” - conclui Joaquim, deixando para a Gente a maior de todas as lições que ele anotaria se fosse escrever uma ‘carta da vida’. No final das contas, o que vale mesmo é o que levamos de bom, de comemoração, de aprendizado. O que tem valor de verdade é o que não se compra, e ninguém pode nos tirar.