Entrevista

Cada vez mais apaixonada: Gracy Alessandra e a Odontopediatria

Ela queria ser dentista desde os quatro aninhos; hoje, com 23 anos de formada, ela acompanha o crescimento e devolve esperança

Beatriz Rodas
24/07/18 às 14h20

Ela queria ser dentista desde os quatro ano de idade. Isso mesmo. Desde os quatro aninhos! Mas, por que escolheu? Como não mudou de ideia? Afinal, se é difícil escolher a profissão durante a adolescência e a época do ensino médio, que dirá afirmar, com convicção, desde a infância. Aliás... Já que estamos no contexto, desde os dentes de leite. Mas... Vamos por partes.

Gracy Alessandra Marcelino de Paula, quando tinha quatro aninhos, estava voltando do colégio após um dia letivo normal, em Campo Grande (MS) – sua cidade natal – quando decidiu atravessar a rua correndo, sem olhar para os lados. No acidente, ela perdeu todos os seus dentes de leite. Aí começa a sua história com Jorge Yonamini Kozo, dentista que a acompanhou durante toda sua infância.

“Eu fiquei banguela até a minha adolescência [risos]. Mas, tive sorte de ser atendida por um dentista carinhoso, que teve paciência comigo... Ele me explicava tudo; até hoje eu me lembro das paredes laranja e da música que ele cantava que me fazia rir muito. Fiz o acompanhamento durante toda a minha infância e isso me ajudou muito porque, normalmente, as crianças têm medo do dentista. Eu me apaixonei pela profissão desde o primeiro momento – mesmo que tenha sido por um motivo trágico” - conta.

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Ou seja... Odontopediatria!

Assim que se formou – na Unoeste, em Presidente Prudente – Gracy voltou para a sua cidade-natal e já começou a trabalhar em seu próprio consultório. Valeu a pena todo o esforço para ser a melhor aluna da turma, os “nãos” que ela disse às festas da época da faculdade... Seus pais – Francisco Marcelino e Obdulia Rodrigues Marcelino – montaram seu consultório e ofereceram condições para que ela pudesse continuar se esforçando para ser a melhor que pudesse. Agora, oficialmente como Odontopediatra.

Gracy também trabalhou na área de Odontopediatria no HGCG (Hospital Militar da Área de Campo Grande, por quatro anos. Outro grande passo que compõe sua realização profissional. Em 2011, veio para Três Lagoas acompanhar o marido – Dr. Lucio Rogério Costa de Paula – em um sonho: voltar para sua cidade natal. “Eu me apaixonei pela cidade. Muita qualidade de vida, pessoas acolhedoras, dá para resolver tudo muito rápido e não falta nada...” – assim, recomeçou sua carreira, refez sua clientela e, depois de quatro anos, tomou a decisão de parar para estudar, especializar-se e se dedicar mais à filha.

“A Maria Victória tinha nove anos na época, e eu queria muito um tempo a mais para estudar e acompanhá-la nos estudos também. Estar perto, fazer as tarefas, ser mais presente... E me aprofundar na minha área. Fazer cursos, me especializar e voltar com uma bagagem maior para atender melhor os meus pacientes, que eu amo muito”. E segue: “Não foi uma decisão fácil, mas eu consegui voltar com um gás maior. Já sou apaixonada pelo que faço desde sempre. Agora, então... Mais ainda” – conta.

Depois dessa pausa, veio a decisão de voltar. E aqui entra o maridão, Lucio, a quem ela atribui todo o respaldo. Foi ele quem a apoiou em todas as decisões: estudar, dedicar-se à Maria, se especializar e, agora, montar seu consultório em Três Lagoas. Cada área da Odontologia tem seu retorno. Qualidade de vida, autoestima, entrega de funções básicas (como a mastigação), entre outras. Mas, a Odontopediatria é acompanhamento constante. É ver o paciente crescer saudável, com um sorriso lindo e sem medo do dentista. “Eu nunca cogitei outra área. Fiquei encantada com todo o acompanhamento que tive com o meu dentista na infância e via nisso um propósito. Queria fazer o mesmo por outras crianças. Os meus colegas também sempre enxergaram isso em mim. A minha paixão sempre foi muito clara; não conseguia nem esconder o que sempre quis [risos]”.

Células-tronco: a esperança

Por mais leigo que alguém seja sobre o assunto, sabe que a frase “resgate de células-tronco” vem acompanhada de uma onda de esperança e cura para doenças. E é bem por aí. Elas são células capazes de se autorrenovar e se transformar em células para regenerar tecidos e órgãos. Gracy – no período em que parou para se dedicar aos estudos e ficar cada vez mais próxima de sua filha, para não perder nenhuma de suas fases – se especializou e trouxe para a cidade o método de extração de células-tronco da polpa dentária, em dentinhos de leite. O método é indolor e totalmente seguro – até porque, hora ou outra, a criança perderá esse dente para nascer um permanente no lugar. A extração acontece nesta fase e, logo depois, a criogenia - que mantém as células armazenadas a -196ºC, em perfeitas condições por tempo indeterminado.

Futuramente, após a descoberta de alguma doença, as células podem ser utilizadas para tratamento e cura - não só para o paciente, como para qualquer membro da família. “Estudar a extração das células-tronco e poder trazer o método para Três Lagoas foi, assim... Uma sensação indescritível! Alimentou ainda mais a minha paixão pela Odontopediatria, que vive em mim desde pequenininha. Acompanhar os pacientezinhos durante toda a infância e adolescência já é incrível! Imagina devolver a esperança para alguém que descobre uma doença autoimune, por exemplo” - conclui.

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