Ser pai... É transformar em vírgulas os pontos finais da vida; é ser a mão que afaga - que indica o caminho. Ser pai é ser referência. É ser invencível. É ter medo e seguir firme; é ser fortaleza e morada. Nossa matéria de capa é um pai assim; além de ser um marido companheiro, apaixonado e um profissional que ama o que faz... Nas palavras da própria esposa: “é maravilhoso em todos os sentidos”.
Bruno Barboza Nunes – de 37 anos – é cirurgião plástico, pai de Luca – de três anos e Lia – de dois. É exatamente a caçulinha que recebe a nossa equipe; a menininha de vestido cor-de-rosa abriu as portas da sua casa com a mãe – Larissa Barberi Nunes – de 33 anos. Nossa entrevista é feita em uma mesa próxima à piscina, onde o pai costuma se divertir com as crianças. “Hoje é um dia triste porque o Luca já dormiu. Sempre volto para a casa esperando encontrá-los. Quero ser presente, conversar e ver o desenvolvimento deles de perto. Às vezes, eu me impressiono; eles estão evoluindo muito rápido - as crianças crescem muito rapidamente. Quando estou trabalhando, realmente foco no trabalho; mas, o coração está em casa” – conta.
Nascido em Campo Grande, ele cursou medicina na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS - e fez Residências em Cirurgia-Geral e Cirurgia-Plástica na PUC-SP, em Sorocaba. Toda dedicação aos estudos é atribuída ao pai - Otacir Amaral Nunes [in memorian]-e à mãe - Gleide Ines Barboza Nunes, grandes exemplos e incentivadores de seu crescimento pessoal e profissional.
O sonho de Otacir era que os filhos passassem em uma faculdade federal; as condições financeiras não eram tão favoráveis, mas seus meninos lutaram e conseguiram realizar este feito. O pai motivador formou três médicos e um engenheiro. Bruno e Rodrigo optaram pela carreira decirurgia plástica; Ramatis tornou-se cirurgião geral e, Juliano, engenheiro.
“Meu pai sempre levou em consideração os estudos; para ele era a coisa mais importante. Ele também era muito religioso; nós sempre tivemos essa orientação religiosa e educacional - ele foi um cara muito inteligente, esforçado e nos passou isso” - diz.
Tamanho esforço e sensibilidade resultaram no profissional responsável e humano, que transforma sua profissão em arte. Essa paixão pela medicina vem desde a infância; já a familiarização com a cirurgia plástica veio após a formação acadêmica. “A cirurgia plástica é muito complexa - requer muita responsabilidade. É um desafio constante, onde envolve entender o que o paciente imagina - entender uma aflição. [...] Minha maior felicidade é ver o paciente feliz; sempre tento buscar isso” – explica.
Além da carreira de sucesso, a medicina também trouxe outro presente para a vida dele. Durante a especialização, em Sorocaba, conheceu Larissa - a mulher responsável por mudar o rumo de sua história. Os dois namoraram de 2009 até 2013, quando decidiram se casar e constituir família em um lugar tranquilo. Três Lagoas foi o lugar escolhido. “Buscávamos uma cidade em crescimento e que fosse pequena, para criarmos os filhos, ficarmos perto, chegarmos rápido em casa” – pontua.
Em dois meses, Larissa organizou uma festa de casamento - enquanto ele estudava para uma prova de título. O casal relembra o momento entre risos e olhares de sintonia. “A Larissa é uma esposa maravilhosa - uma excelente gestora da minha carreira. Ela cuida da clínica, coordena tudo, me ajuda muito. Ela é peça fundamental da minha vida... É uma supermãe; daquelas que protege e abraça” – diz.
Após um ano de casados, a esposa deu a grande notícia: ‘você vai ser papai’. Ele vivencia este dia e não é mais possível segurar as lágrimas. A paternidade fez de Bruno um novo homem, que hoje vive para acompanhar os pequenos e ensinar, com sabedoria, os passos a serem seguidos. Luca - o ‘bolo-fofo do pai’ foi o primeiro filho; uma alegria ‘fantástica e indescritível’ - descreve o pai babão. “Foi mágico; uma grande experiência... Ele nos ensina a ser pai e mãe. É muito bonzinho, sempre foi calminho - uma bênção incomparável” – descreve.
Lia veio em seguida - ‘a princesinha sapecura’ - não tem este apelido à toa. A menina é esperta, ativa; é difícil acreditar que tem apenas dois aninhos, tamanha esperteza. Lia não foi planejada; no entanto, foi recebida com bastante alegria, já que, ter um casal era um grande sonho.
“Nós estávamos felizes com o ‘gordinho’ e, de repente, a Larissa estava grávida. Foi uma surpresa! Parece que nos completamos de felicidade. Com o segundo filho nós temos mais experiência - só que, mesmo assim, é diferente. Ela vai aprendendo coisas antes da hora, porque tem um irmão; é muito esperta. Ela tem a personalidade bem diferente; é gostoso ver essas diferenças, aprender a lidar; ela é uma menina especial - a minha sapequinha” - conta.
“A paternidade e a família têm sido tão maravilhosas, que pretendemos ter mais um ou dois filhos” – destaca.
Filho nenhum vem com manual de instruções; mas, trazem consigo uma sequência de novidades e transformações. Hoje, eles roteirizam todo o futuro das crianças, que vieram para somar os desafios e multiplicar o amor. “Mudou tudo. A vida é outra - uma nova página. Antes nós vivíamos pelo trabalho, para o casamento; agora é pelos filhos. Ficamos mais responsáveis, até nas palavras” - afirma.
Ser um pai exemplar e certificar-se de que serão pessoas de caráter são questões centrais; por isso, algumas atitudes são adotadas. “Não falo palavras agressivas; nós cuidamos muito das nossas atitudes. Não gosto nem de tomar bebidas alcoólicas perto deles. Quero que eles tenham uma visão do que é certo e errado - do que é honestidade. Como aconteceu comigo; meu pai é o meu exemplo e eu e a Larissa queremos ser o grande exemplo dos nossos filhos também” - diz.
O bom humor também faz parte dessas questões; os pais gostam de acordar com energia e fazer a rotina ficar mais leve. “Nós falamos muito, em casa, que temos de estar de bom humor! Temos de acordar e dar bom dia; um bom-dia com alegria - e nada de acordar chorando ou reclamando. Nós dois somos otimistas com as coisas; agradecemos muito” - acrescenta Larissa.
À Revista Rara Gente, Bruno revela que a paternidade despertou a consciência da própria mortalidade - tornando-o mais cauteloso, até mesmo com pequenas atividades. “Não gosto nem de pegar avião sem estar com eles. O nível de responsabilidade, hoje, é diferente. Não quero fazer nada sozinho; quero estar sempre por perto. Gosto de esportes, mas não posso me machucar - porque tenho filhos para criar”.
A recompensa deste cuidado especial vem em forma de sorrisos, gargalhadas gostosas, brincadeiras no fim de tarde e pequenas palavras de amor. “Papai, quando eu crescer eu quero ficar do seu lado, tá?” - a frase foi dita por Luca, durante uma viagem da família. De maneira espontânea o menino também diz: “Eu adoro meu papai!”. “Ele já fala mais sobre sentimentos; tudo para ele é família: ‘Olha lá a família dos cachorrinhos’; ele é muito iluminado. A Lia é muito espontânea - a gente se diverte muito. Hoje tomei café com ela e ela não queria que eu fosse embora” – recorda.
“Penso que... A gente acha que é feliz e que conhece as coisas até passar por uma experiência melhor. Nossa vida, hoje, é baseada neles; nossos planos são eles. As pessoas, às vezes, almejam bens materiais; mas, os filhos são... Insuperáveis. Meus amigos brincam perguntando: ‘Qual é a sua maior riqueza? É a fazenda? São as propriedades? O que você não pode perder?’”. Deixando cair as lágrimas que segurava, o pai responde, emocionado: “São meus filhos”.
Ao chegar em casa, após o trabalho, ele assobia. De fora se ouve a Lia e o Luca dizerem: ‘O papai chegou!’. ‘Esconde!’. O melhor esconderijo é atrás das almofadas, cortinas ou com as mãozinhas no rosto. “Onde estão meus filhos? Foram embora?” - indaga Bruno, ao entrar na casa. Nesse instante, as crianças saem do ‘esconderijo’ assustam e abraçam o pai.
Todos os dias são assim; ele chega cansado em casa - depois de um longo dia no trabalho – mas, ainda sobram energias para brincar e fazer bagunça. Conciliar a profissão com o tempo ao lado dos filhos não é uma tarefa fácil; por isso, qualquer minuto é valorizado. “É difícil porque a minha profissão demanda tempo. No consultório demoro; quero acolher bastante os pacientes. Nas cirurgias eu não vou embora antes de o paciente acordar; então, fico muito tempo no hospital. Ocupamos bastante toda carga horária possível e tentamos nos policiar, por que... Eu quero ver as crianças” - comenta.
O horário de almoço é somente de meia-hora; quando consegue uma hora, vai para a casa, come e fica com os filhos no tempo que resta. Larissa revela que Bruno se desdobra e faz de, cinco minutos, um instante proveitoso. “Ele corre para a casa, entra na piscina por cinco minutos; faz alguma coisa com eles porque eles ficam esperando. Eles também adoram ir ao consultório do pai” – conta a esposa.
“Eu estava em uma cirurgia e a Larissa mandando foto das crianças. Eles estavam fantasiados: ela de princesa e o Luca de ‘Thor’” – completa Bruno.
A presença não depende da quantidade de horas; o importante é a qualidade do tempo com os filhos. A fim de aproveitar este tempo, a família procura fazer viagens todos os meses e separam alguns dias de descanso e diversão com os pequenos. “Semana que vem estamos indo passear; vamos fazer Snowboard - eles vão fazer aulinhas. Utilizo as viagens de congresso para também curtir a família; não gosto de viajar sozinho; então, levo as crianças e a Larissa”.
Nem todas as 166 páginas desta revista seriam suficientes para resumir o amor desta família. “Eu digo que sou um cara muito sortudo. Tenho a esposa dos meus sonhos, o emprego dos meus sonhos e os filhos dos meus sonhos”. Entendi a frase dita por ele, assim que nossa entrevista se encerrou. Bruno e Larissa nos dão uma lição de afeto, respeito, carinho e cuidado. Para eles, os filhos são um presente valiosíssimo... Vindos diretamente de Deus.
“Poder ter essa experiência de estar perto e de ter um serzinho que precisa de você é uma ligação muito grande. A melhor parte é a experiência toda, dessa dádiva que é poder criar o filho, ter o amor, a presença. As crianças são uma continuação da gente. Uma forma de poder mostrar o que sabemos de melhor. A melhor parte é abraçar, beijar, brincar; vê-los dando risada... Para mim é a coisa... Mais gostosa que existe” – conta emocionado.
“Minha família é a coisa mais importante no mundo. É a base de uma sociedade e também da felicidade; tudo começa dentro de casa. As amizades são importantes; o emprego também; mas... Nada somos sem a família” – finaliza.