Partindo da ciência do comportamento humano – a própria psicologia – as consequências da paternidade-helicóptero são profundamente negativas para os filhos. “Durante a infância, a criança precisa explorar o mundo, fazer descobertas, cair e levantar. Porém, devido ao medo dos pais, eles a impedem de brincar com outras crianças ou ir a passeios escolares – que são de suma relevância para o amadurecimento intra e interpessoal do indivíduo.
Mantêm vigilância constante, chegam a demandar exigências obsessivas... E crianças superprotegidas apresentam grandes chances de se tornarem adultas irresponsáveis, pouco confiantes e ansiosas” - afirma Caroline.
A psicóloga ainda cita uma frase de Içami Tiba - em seu livro “Disciplina – Limite na medida certa” - que utiliza um hábito rotineiro para fazer alusão às consequências da superproteção parental e serve de metáfora às demais condutas que se encaixam nesse conceito: “As mães que carregam as mochilas dos filhos estão lhes ensinando que cabe a eles curtirem a vida, enquanto que, a elas, cabe a responsabilidade de tudo”.
No caso dos adolescentes, eles tornam-se incapazes de superar as dificuldades que a vida impõe, exibem pouca tolerância à frustração e não subjugam os fracassos - porque a fase da adolescência é essencial e decisiva para formar adultos capazes de reverter as situações citadas acima.
A infância e a faltaPontuamos as consequências antes de apontar as causas porque, na maioria das vezes, o comportamento é manifestado na melhor das intenções, consequente da tentativa de ser, para os filhos, aquilo que os pais nunca tiveram. E isso não é fácil de se ler, muito menos como algo que gera consequências negativas aos filhos. “A superproteção parental pode demonstrar carências e frustrações vivenciadas pelos pais e a projeção, nos filhos, de suas inseguranças e ansiedades.
É importante destacar a tentativa de compensar suas faltas por meio do desejo de proporcionar, aos filhos, tudo o que os pais não tiveram na infância ou na adolescência. Muitos pais se punem quando os filhos falham. Realizam coisas por eles e diminuem a vulnerabilidade ao erro. Por mais que os pais justifiquem esses comportamentos com o amor que nutrem pelos filhos, deve-se ter clareza que há motivações subjetivas a serem consideradas” - conclui a psicóloga.