Em 1986, na cidade de Campo Grande, no sexto ano de medicina, Maria Angélica Gorga apaixonava-se pelo o que seria a grande protagonista da sua trajetória profissional: a dermatologia. Desde então, a médica vem construindo um forte legado, baseado em dedicação e inovação na área de dermatologia clínica, cirúrgica e estética.
Formada na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, na capital, Maria Angélica decidiu fazer dermatologia no quarto ano do curso de medicina.
“Naquela época, 60 pessoas se formariam médicos e só eu queria fazer dermatologia. Comecei a acompanhar os pacientes com o meu professor desta especialidade, o dermatologista Dr. Günter Hans Filho, eu o auxiliava com os pacientes no ambulatório. Eu estava sempre de prontidão para aprender”.
Com isso, enriqueceu o seu conhecimento em dermatologia e a escolheu pela possibilidade de tratar inúmeras doenças, criar vínculo com os pacientes e, ao mesmo tempo, realizar procedimentos cirúrgicos e estéticos. Durante o curso de dermatologia fez estágios extracurriculares por dois anos no Hospital de Hanseníase São Julião e no Hospital Adventista do Pênfigo.
Em seguida desempenhou residência médica por meio da Universidade Federal de Goiânia, e assim conquistou o título de Especialista em Hansenologia, além de tornar-se membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Em 1990, Maria Angélica foi convidada pelo doutor Hans - por quem cativa gratidão e respeito - para trabalhar no Hospital Universitário em Campo Grande, mas optou por iniciar a carreira em Três Lagoas. “O município contava apenas com o colega Ernani como dermatologista, então eu seria a segunda dermatologista da cidade, seria um campo muito vasto para atuar. Por isso comecei aqui em Três Lagoas e estou até hoje, muito feliz e realizada na minha carreira”.
Em dez anos trabalhando junto com o doutor e também dermatologista Ernani José Vilella dos Reis, muitos procedimentos inéditos na região foram realizados no Hospital Auxiliadora, tornando a equipe pioneira em procedimentos em traumas e queimaduras. “Não tínhamos cirurgiões plásticos na época, nem UTI. Trabalhávamos em escalas ininterruptas atendendo os pacientes queimados. Fazendo tudo na enfermaria, sem apoio da UTI”.
Após esse período e com a cirurgia plástica já instalada no Hospital, a doutora passou a trabalhar com casos graves de internações dermatológicas e hanseníase. “Com a chegada dos cirurgiões plásticos fiquei com a carreira clínica no consultório que estava bem estabelecido e no centro de especialidades médicas do Programa de Hanseníase. Foram muitos desafios, mas uma época de grande aprendizado”, conta.
“Fiz o primeiro curso de toxina botulínica no Brasil e depois disso continuei fazendo cursos, pós-graduações em relação à clínica e a estética que avançava cada vez mais”.
Maria Angélica lembra perfeitamente quando a dermatologia estética começou a despontar no Brasil e orgulha-se de ter vivenciado este momento. O casal canadense de médicos, Jean Carruthers e Alastair Carruthers, apresentou a toxina botulínica como tratamento estético pela primeira vez no Congresso Brasileiro de Dermatologia, em Brasília. Logo, abriram vagas para um curso em Goiânia.
“Fiz o primeiro curso de toxina botulínica no Brasil e depois disso continuei fazendo cursos, pós-graduações em relação à clínica e a estética que avançava cada vez mais”.
No ano de 1996 um sonho tomava forma, a médica inaugurava a Clínica Corpore no bairro Jardim Primaveril, no qual permanece até hoje. “Começamos nesse intuito de executar a parte clínica e estética. Trabalhando mente e corpo, afinal, a pele reflete não só nosso estado físico como também o mental”.
A Corpore foi a primeira clínica da cidade que trouxe o tratamento com laser em estética, e sempre apresenta novidades tecnológicas da dermatologia. A recente aquisição é o Ultraformer III, o melhor aparelho para tratamento de rejuvenescimento. “Ele estimula o colágeno fazendo um efeito mais duradouro natural. Nós primamos por tratamentos minuciosos e naturais. Manter essa qualidade é muito importante para autoestima e bem estar dos nossos pacientes”.
A médica busca estar atualizada com as novidades de sua área, sejam científicas ou tecnológicas. Além disso, participa todos os anos de congressos nacionais e internacionais para aperfeiçoamento profissional. Inclusive, nos Estados Unidos - ela é membro da Academia Americana de Dermatologia.
“Meu último Congresso foi antes da pandemia, em Paris, onde participei do IMCAS - International Master Course on Aging Science - um evento mundial anual, que traz o que há de mais novo em dermatologia e estética
A pequena Thamiris Gorga Dias acompanhava a mãe no hospital, supervisionada, visitava principalmente a ala da pediatria “desde pequenininha”, diz a médica. Hoje, aos 28 anos,Thamiris segue os mesmos passos que Maria Angélica seguiu - a mãe é sua grande inspiração.
“Minha filha está seguindo o caminho da dermatologia, ela fez residência médica na UFMS em Campo Grande com o doutor Hans que também foi o meu professor, ele tem uma equipe e é chefe de residência”.
Thamiris formou-se em 2014 e continuou atuando na capital. “Lembro que ela acompanhava os representantes de laboratório no meu consultório e até hoje eles comentam sobre essas visitas que ela participava. Ia aos congressos quando já estava maior, não entrava nas salas, mas andava pelos stands, via as novidades. Ela sempre gostou de dermatologia desde pequena”.
A carreira proporciona tantos momentos emocionantes e inesquecíveis que para nós é difícil resumir em uma página.
“Tenho essa experiência intensa na hanseníase, na psoríase - são doenças crônicas, de difícil tratamento e um acompanhamento maior dos pacientes, por isso, eles acabam se tornando amigos - por muitos anos em tratamento com a gente. É gratificante vê-los melhorarem, se sentirem mais seguros, mais conscientes. Até mesmo em pequenos procedimentos, que geram grandes mudanças na autoestima das pessoas... É o que nos inspira ao atuar na medicina e na dermatologia, principalmente onde a patologia está exposta”.
Além de exercer a dermatologia, Maria Angélica leciona no curso de medicina da UFMS Três Lagoas e revela que está vivendo a realização de um sonho. “Estou me dedicando, fazendo mestrado, pretendo fazer doutorado e me dedicar a carreira. Sempre é tempo de realizar nossos sonhos! Estou muito feliz em aprender mais e também doar os meus conhecimentos aos novos dermatologistas”.
Dermatologista, professora, mãe, e amiga, são virtudes que demonstram que a médica é um verdadeiro exemplo de empoderamento feminino. Dedicação, ética e amor em tudo o que faz, apontam que Dra. Maria Angélica Gorga vem traçando uma carreira focada no conhecimento e no compromisso com a saúde e autoestima de seus pacientes.