Entrevista

O propósito de vida de Zuleika Otino

Na rede pública ou privada, a trajetória de uma professora que é referência na vida escolar de gerações.

Rara Gente
12/04/24 às 12h45

Foi aos 18 anos de idade que Zuleika Otino começou sua jornada como professora, com aulas particulares. Figura importantíssima para a educação da cidade, seu trabalho atravessou gerações e figura na memória de três-lagoenses de diversas idades, profissões e experiências de vida.

Isso porque, mesmo depois de aposentada por 25 anos de trabalho no colégio João Magiano Pinto - Jomap, continuou lecionando na universidade e, posteriormente, na escola do método Kumon, onde dá aulas há 32 anos. “Não quero parar, a cabeça tem que continuar funcionando”, brinca. Formada em matemática, conta que veio de uma família humilde, imigrante do Japão, e que seus pais sempre priorizaram sua educação e de seus irmãos.

Contou com carinho à Rara Gente também a satisfação que teve em ver sua  mãe aprendendo português pelo método do Kumon. Apesar de nascida no estado de São Paulo, recebeu em 2019 um título de cidadã três-lagoense, e comentou que será “eternamente sul-mato-grossense”. 

Ensinar sempre foi sua paixão e um motor em sua vida. Quando questionada se gostaria de fazer outra coisa, fala com firmeza que não gostaria de ter tido outra experiência: “na próxima  vida quero ser professora também”. Zuleika encontrou satisfação pessoal na profissão, por acompanhar de perto a vida dos seus alunos e  ver suas conquistas por meio da educação.

Três gerações: Zuleika, Juliana e Ana Flávia Otino.

“NA P RÓXIMA VIDA, EU QUERO SER PROFESSORA TAMBÉM”

Vários, hoje adultos e formados em diversas atividades, quando a encontram, agradecem pela orientação, e trazem também seus filhos para estudar com ela. Isso a trouxe a compreensão ao longo dos anos de que a coisa mais importante na sociedade é a educação, e valoriza muito  ter a oportunidade de atuar nisso e ajudar cada pessoa que encontra. Dentro do Kumon, tem tido uma vivência muito positiva com o método. 

Teve  a oportunidade de ir até o Japão para entendê-lo a fundo. Afirma que confia plenamente em sua potência enquanto ferramenta para construir uma relação da pessoa com o conhecimento. Por ser individualizado, diferente de uma sala de  aula, o Kumon dá a oportunidade do aluno e do  professor focarem nas dificuldades específicas de cada pessoa. Muitas vezes, com 15 minutos de cada dia, o aluno vai construindo uma relação com os estudos, ela conta.  

O segredo é a consistência que o método gera, por meio da repetição e da personalização que propõe. A vocação para a educação é uma herança que ela deixa também em sua família. 

A filha de Zuleika, Juliana Otino, formou-se psicopedagoga e é professora da rede pública, continuando o legado da mãe que comenta orgulhosa o fato de Juliana carregar a mesma vontade  de ajudar seus alunos.  Para isso, ela escolheu uma formação que abordasse os aspectos psicológicos da educação.  Como na atualidade temos acesso a mais conhecimento acerca de transtornos e necessidades educacionais, ela procura debruçar-se a entender todas essas particularidades. 

A neta Ana Flávia, filha de Juliana, também segue os passos da  avó e da mãe. “Ela iniciou serviços dentro do kumon ajudando a realizar correções e hoje é minha companheira, que se apaixonou pelo método também”, conta a avó orgulhosa.

Para a professora Zuleika Otino, não existe nada mais nobre do que educar. Ela acredita que é algo que deve ser feito não somente pela obrigação, mas sim por amor, para  acolher e formar as pessoas. “Tudo é feito com amor dá frutos”, fala com carinho, e esse é seu maior legado na educação de Três Lagoas .

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