“Vocês já repararam que se fala mais em Margareth Dalcolmo do que de Neymar? ”. Quem fez a pergunta, na crônica Viva a Vacina!, publicada no jornal O Globo, foi o jornalista e escritor Zuenir Ventura. Se você acompanha o noticiário da Covid-19, sabe muito bem de quem se trata.
Desde o início da pandemia no país, em março do ano passado, a pneumologista capixaba Margareth Maria Pretti Dalcolmo, de 66 anos, tornou-se figura marcante, quase onipresente, na mídia brasileira.
A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde dá aula e atende casos graves de tuberculose, já participou de lives e debates virtuais, concedeu entrevistas a programas de rádio e TV e escreveu artigos para jornais e revistas. “Tenho trabalhado um média de 15 horas por dia e dormido, quando possível, seus a sete horas. É o suficiente para eu descansar, conta.
Seu envolvimento com a Covid-19 despontou quando, na volta de uma viagem a Brasília, onde prestou consultoria técnica ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ela gravou uma entrevista com o pneumologista Mauro Gomes para um site médico de São Paulo. Em apenas 24 horas, o número de visualizações ultrapassou a casa de 1,5 milhão.
No dia seguinte, ela era convidada a participar, virtualmente, de um programa da TV Globo. De lá para cá, não parou mais. “Muitos de nós, médicos e cientistas, passaram a ocupar espaço importante na mídia. O reconhecimento da ciência brasileira por parte da sociedade civil foi um dos saltos positivos da epidemia”, avalia.
Um ano e mais de 260 mil mortos depois, a pneumologista diz não ter se surpreendido com a longa duração da pandemia. “Por se tratar de um patógeno de alta capacidade de transmissão, era o diagnóstico mais provável”, explica.
