Entrevista

Médica brasileira é um dos ícones da luta contra a Covid-19

Uma das vozes mais ativas nestes tempos, Margareth Dalcolmo relembra o medo ao contrair o coronavírus e analisa a triste situação da pandemia

Hoje Mais
11/03/21 às 14h59

“Vocês já repararam que se fala mais em Margareth Dalcolmo do que de Neymar? ”. Quem fez a pergunta, na crônica Viva a Vacina!, publicada no jornal O Globo, foi o jornalista e escritor Zuenir Ventura. Se você acompanha o noticiário da Covid-19, sabe muito bem de quem se trata.

Desde o início da pandemia no país, em março do ano passado, a pneumologista capixaba Margareth Maria Pretti Dalcolmo, de 66 anos, tornou-se figura marcante, quase onipresente, na mídia brasileira.

A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde dá aula e atende casos graves de tuberculose, já participou de lives e debates virtuais, concedeu entrevistas a programas de rádio e TV e escreveu artigos para jornais e revistas. “Tenho trabalhado um média de 15 horas por dia e dormido, quando possível, seus a sete horas. É o suficiente para eu descansar, conta.

Seu envolvimento com a Covid-19 despontou quando, na volta de uma viagem a Brasília, onde prestou consultoria técnica ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ela gravou uma entrevista com o pneumologista Mauro Gomes para um site médico de São Paulo. Em apenas 24 horas, o número de visualizações ultrapassou a casa de 1,5 milhão.

No dia seguinte, ela era convidada a participar, virtualmente, de um programa da TV Globo. De lá para cá, não parou mais. “Muitos de nós, médicos e cientistas, passaram a ocupar espaço importante na mídia. O reconhecimento da ciência brasileira por parte da sociedade civil foi um dos saltos positivos da epidemia”, avalia.

Um ano e mais de 260 mil mortos depois, a pneumologista diz não ter se surpreendido com a longa duração da pandemia. “Por se tratar de um patógeno de alta capacidade de transmissão, era o diagnóstico mais provável”, explica. 

O que a surpreendeu mesmo foi o fato de o Brasil, apesar de ter dois grandes institutos de produção de imunizantes, como a Fiocruz, no Rio de Janeiro, e o Instituto Butantan, em São Paulo, ter desperdiçado a oportunidade de negociar com grandes fabricantes de vacinas, como a Pfizer e a Janssen.

“O Brasil só vai controlar a situação se vacinar muita gente em pouco tempo. Tenho plena convicção disso. Precisamos de muita vacina para termos uma cobertura grande e rápida”, afirma. Além de não investir na produção de imunizantes, o governo brasileiro questionou a eficácia das vacinas, criticou o uso de máscaras e, ainda, propagou tratamentos sem qualquer comprovação científica. “Isso tudo confundiu a opinião pública”, lamenta.

O movimento mais difícil, relatam aconteceu em maio quando testou positivo para o vírus. Foi a própria doutora que desconfiou que estava doente depois de sentir, entre outros sintomas, um gosto desagradável na boca, dor na nuca e um profundo cansaço – na hora das refeições, mal conseguia segurar o garfo. Na manhã seguinte, ao acordar sem olfato e paladar, requisitou o exame, que confirmou o diagnóstico.

Quando não está atendendo pacientes, em consultas presenciais ou virtuais, ou conduzindo a pesquisa de fase 3 da vacina BCG para Covid-19, Marareth gosta de ficar em casa. Nos momentos de lazer, seu hobbie favorito é ler. De artigos científicos a clássicos da literatura.

“Sempre li muito. Muito, muito mesmo. Gostava de ler A Montanha Mágica nos intervalos dos plantões, recorda. Logo no início da pandemia, Margareth foi convidada pelo jornal O Globo a escrever uma coluna semanal, dividindo o espaço com outros três especialistas? A microbiologista Natalia Pasternak, o virologista Amilcar Tanuri e o neurocientista Roberto Lent.

Em relação à atual situação da Covid no Brasil, admite certo ceticismo. E explica as razões: “Começamos atrasados. E estamos em um ritmo que não é o desejado. Mas do que nunca, a opinião pública tem que reivindicar seu direito de ter acesso ao maior número possível de vacinas o mais rapidamente”;

Margareth tampouco esconde a preocupação com o negacionismos poe parte da população. “O que vimos no Carnaval me entristeceu muito. De um lado, pessoas se aglomerando de maneira irresponsável. De outro. Pessoas que nunca saíram de casa adoecendo. Tenho confiança de que, com a produção maciça de vacinas, podemos alcançar um resultado promissor”, acredita (Com informações de Saúde).

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
ÚLTIMAS EM ENTREVISTA
RARA Gente - A mais tradicional revista de Três Lagoas
Editor responsável:
Ivete Binda Mendonça
agitta@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.