Entrevista

Marlise é a 1ª comandante de Mato Grosso do Sul

Ela é responsável pela formação de homens e mulheres que entram para a corporação

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10/03/21 às 09h08

Na semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, a major bombeiro militar campo-grandense Marlise Helena de Barros, 43 anos, foi confiada a um cargo de comando que jamais esperaria receber de "presente". Pela primeira vez na corporação, uma figura feminina será responsável pela formação de homens e mulheres que desejam salvar vidas pela profissão.

Marlise vai chefiar e instruir no mesmo quartel onde também serviu há quase 20 anos. "A sociedade gosta de ver esse empoderamento feminino, não é? E eu também. Vou poder ajudar na formação de praticamente 210 bombeiros militares, tanto soldados (executantes) quanto oficiais (gestores). É uma satisfação muito grande poder voltar ao primeiro local onde trabalhei. O clima é de total nostalgia e, ao mesmo tempo, de reconhecimento pelo meu trabalho", afirma a major.

Ao se tornar a primeira comandante da academia, o desafio que Marlise irá enfrentar pela frente não é o de ser mulher numa instituição predominantemente masculina, mas sim manter a excelência do ensino para todos aqueles que estão por vir. "Principalmente, abrir caminhos para que mais e mais mulheres guerreiras possam virar bombeiros militares como eu um dia me tornei", garantiu.

Quando Marlise entrou para a corporação ao lado de uma outra colega, no ano de 2003, as duas se encontraram em um efetivo de aproximadamente 1.200 homens e apenas 4 mulheres. No concurso anterior, em 1999, outras duas já marcavam presença feminina na academia.

Em 2020, Marlise se tornou subdiretora de ensino e formação da ABMMS (Foto: Arquivo Pessoal)

"Isso ficou assim por um bom tempo. A questão feminina era uma novidade dentro da corporação. Até então, os quartéis não estavam apropriados como os de hoje. De lá pra cá muita coisa mudou. Mudou tanto que existem alojamentos apropriados para ambos os gêneros, além das atribuições em cargos e responsabilidades compartilhadas. Cada uma de nós foi crescendo dentro do nosso próprio trabalho e talento", diz.

"Imagina só: tínhamos entre 20-25 anos e por lá existiam homens com pelo menos 30 só de serviço, com idade para ser nossos pais! Levou anos e anos para provarmos nossa capacidade técnica e conseguirmos alcançar nossa posição de hoje. Ao longo dessa história, é claro que tivemos dificuldades. Precisou adaptação de alguns homens serem comandados por mulheres. Mas posso dizer que minha corporação está mais evoluída nesse sentido", confirma.

Atualmente, o efetivo é de 140 mulheres no total de 1.500 militares. 

Antes de se tornar bombeiro militar, Marlise se formou em Engenharia Civil, exercendo por 3 anos a profissão. Com isso, ela mesma diz que já estava "acostumada" a ter que conviver em ambientes predominantemente masculinos – por vezes até machistas.

"Tive experiências indo a várias obras, no desafio de delegar atribuições e chefiar homens. Não foi fácil, mas basta persistência e um pouquinho de paciência que a coisa anda". Características estas, inclusive, que a tornaram uma "professora" nata. Aos 12 anos, ensinou o irmão a ler e escrever. Já adulta, deu aulas em escolas do ensino público. Agora, instrui bombeiros à ordem militar.

"E se eu disser que o meu sonho era ser policial? Mas quando veio o concurso para bombeiro, fiz e passei. Parece até algo divino. Descobri, porém, que foi algo maravilhoso na minha vida. É uma profissão muito gratificante. E eu realmente me encaixo na carreira", assegura.

"Acredito que ser bombeiro militar é muito próximo de ser mulher na sociedade. Nós temos essa função natural de amparo, de cuidado, de olhar para o próximo, de ser a salvadora a todos que estão a nossa volta. E a profissão de bombeiro tem isso a rodo: onde quer que nós chegamos, temos a obrigação de salvar, amparar, acolher a quem precise", argumenta.

Com informações de Campo Grande News

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