Entrevista

Célia Tosta Fernandes: Sonhar alto e ter raízes

“Nossa vida deve basear-se em propósitos e a Odontologia com certeza foi, e é, um dos pilares que dão sentido à minha vida”

Da Redação
01/03/21 às 15h45

Há muitos e muitos anos, ainda nos tempos antes de Cristo, o pensador e filósofo Confúcio usou uma frase, até hoje muito conhecida: “Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. E é sobre este tipo de sucesso que tratamos aqui: amar os aprendizados e desafios envolvidos na profissão, desde o momento da escolha até o presente, momento de desfrutar de tudo que foi conquistado e, segundo Célia Tosta, mesmo assim nunca sentir-se satisfeito.

Para que você entenda do que estamos falando, vamos à história da cirurgiã-dentista Célia Tosta Fernandes – que inclui força e determinação para alcançar o sonho de cursar uma faculdade – para que você se inspire em sua carreira e em sua personalidade. Sempre muito estudiosa e esforçada desde a época do colégio, aos 16 anos chegou a fase da escolha decisiva: faculdade! Caçula de sete irmãos, sempre sonhou em conquistar algo a mais, mas encontrou algumas barreiras pelo caminho.

O primeiro obstáculo foi: sair da cidade para morar sozinha e estudar. “Sou a caçula de sete filhos, e nenhum dos meus irmãos, até então, tinha saído para estudar fora da cidade. Meu pai sempre foi muito rígido e, para ele, estudar fora e morar sozinha ainda eram tabus. Tanto que, para conseguir apoio, precisei contar com os pais de uma grande amiga de infância e de uma de minhas irmãs para convencê-lo a permitir que eu fosse. E essa força-tarefa acabou dando certo [risos]”.

Então, aos 17 anos mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar Odontologia na Fundação Oswaldo Aranha, da UniFOA – Centro Universitário de Volta Redonda. “Quando entrei na faculdade - desde o primeiro momento - meu foco era estudar. Estudar... Estudar e... Estudar. Estava lá para isso e realmente era o que eu queria de verdade. Sei que fui uma privilegiada, porque tenho consciência de que muitos não tiveram a oportunidade que eu tive. Nunca precisei me desdobrar trabalhando durante o dia e estudando à noite.

Meus pais sempre me deram suporte para os estudos, mas também cobravam muito! Me ofereciam sempre o que eu precisava, mas quase nunca o que eu queria. Hoje sei que esse suporte me permitiu usufruir, na vida, coisas que eles mesmos nunca usufruíram – sempre foram pessoas extremamente simples. E por isso tenho um imenso reconhecimento e gratidão a eles. Na época eu não gostava da rigidez do meu pai, mas hoje reconheço que isso me ajudou muito”, conta, emocionada, sobre o legado de Décio Fernandes Fontes [in memorian].

Célia conta que foi uma experiência incrível porque ela teve de superar a si mesma. Desapegar-se de laços familiares e de amizades muito fortes, ir em busca de algo totalmente novo e desconhecido – cidade, pessoas, desafios – era o “algo a mais” que ela buscava, mas não foi fácil. “Por um momento eu até tive um pouco de medo, porque foi uma mudança e tanto. Mas eu gosto muito de uma frase que diz: ‘a felicidade pode estar logo ali, a um passo depois do medo’. E essa foi uma experiência única, em que cresci muito”, comenta.

Aos 22 anos, com o diploma recém-chegado em mãos, Célia deu outro passo largo em sua trajetória: partiu sozinha para São Paulo. O objetivo era especializar-se e adquirir experiência na área. “Sempre foi um objetivo voltar para Três Lagoas, mas senti a necessidade de ir em busca desta maturidade profissional que me faltava. E ir para São Paulo foi a melhor escolha que fiz! Lá sedimentei meus conhecimentos acadêmicos; iniciei e amadureci na atividade profissional. Meu primeiro emprego foi como auxiliar de dentista, com o Dr. Azis Constantino – pioneiro no país na área da Implantodontia e um verdadeiro mentor na minha vida. Não montei meu consultório, mas trabalhava e estudava muito. Fiz vários cursos, minha pós-graduação na USP, tive contato com grandes nomes da Odontologia... Foi incrível para o meu desenvolvimento profissional!”.

Após concluir o mestrado, em Prótese Dentária, Célia partiu em busca de uma nova especialização: agora na área de Implantodontia, em Araçatuba. Apesar de tudo que a cidade de São Paulo oferecia a ela, esse era o início do caminho de volta para a sua cidade natal. A essa altura, a força de suas raízes começavam a falar mais alto. Com 33 anos, já com uma bagagem de experiência e aprendizado, a odontóloga voltou para a cidade e trabalhou durante dois anos no consultório de uma colega de profissão. Hoje, atuando na cidade, na área de Reabilitação Oral, em seu próprio consultório, ela considera ter atingido o que sonhou desde os seus 17 anos.

Qual o sentido?

Célia conclui a entrevista com uma reflexão que rege sua vida. “A noção de finitude da minha vida tocou muito forte em mim quando perdi meu pai, e logo em seguida dois irmãos – de forma pré-matura e inesperada. Só depois de superar a dor, que é imensa, consegui assimilar o aprendizado de que o nosso tempo é limitado. E, se for para escolher uma única coisa para fazer em minha vida, escolho ser feliz. Por isso sempre me questiono sobre tudo que faço. Nossa vida deve ser baseada em propósitos que nos levem à realização pessoal e profissional. A Odontologia, com certeza, é um dos pilares que dão sentido à minha vida, e eu sou muito grata por tudo que me tornei durante esta jornada”.

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